Conclave para eleger novo papa começa em 7 de maio
28 de abril de 2025
Colégio Cardinalício se encontra dividido entre os que desejam seguir o engajamento de Francisco pelas minorias e contra a guerra, e os que querem retornar às doutrinas mais conservadoras de seus antecessores.
Definido em grande parte por Francisco, Colégio Cardinalício é diversificadoFoto: Vatican Media/ABACA/picture alliance
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O conclave para eleger o sucessor do papa Francisco se realizará em 7 de maio de 2025, anunciou o Vaticano nesta segunda-feira (28/04). O voto secreto será adiado em dois dias a fim de permitir que os cardeais se conheçam melhor e encontrem um consenso, antes de se isolarem na Capela Sistina.
Indagado pela imprensa sobre o clima na sala de reuniões, o argentino Ángel Sixto Rossi, de 66 anos, comentou: "Há esperança de unidade." Arcebispo de Córdoba, ele foi ordenado cardeal por Francisco em 2023.
Diversos cardeais mencionaram o desejo de manter o foco pastoral do pontífice na justiça social, nas mulheres, homossexuais e outros indivíduos marginalizados, e contra a guerra. Por sua vez, as alas conservadoras visam reconduzir a Igreja Católica às doutrinas nucleares enfatizadas pelos antecessores São João Paulo 2º e Benedito 16.
O britânico Vincent Nichols, de 79 anos, arcebispo de Westminster, enfatizou à agência de notícias AP a necessidade de buscar a unidade, e minimizou as divisões: "O papel do papa é essencialmente de nos manter coesos, e essa é a graça que recebemos de Deus." O cardeal venezuelano Baltazar Enrique Porras Cardozo expressou confiança que, tão logo o conclave comece, a decisão será rápida, "entre dois ou três dias".
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Incerteza sobre eleitores e um cardeal condenado
O termo que designa o processo de escolha do novo pontífice deriva do latim con clave, "com chave", referindo-se à tradição de encerrar os cardeais numa sala até que alcancem a maioria necessária. Tendo prestado juramento de sigilo, eles se isolam do mundo até chegar à decisão final, sem acesso a jornais, televisão, rádio, telefones ou computadores.
O atual Colégio Cardinalício tem um total de 135 membros. Deles, 108 foram escolhidos por Francisco ao longo de seus 12 anos de pontificado – os últimos 20 em dezembro de 2024 –, em cantos extremos do mundo, com o fim de introduzir novos pontos de vista na hierarquia da Igreja Católica.
O fato de que muitos passaram pouco ou nenhum tempo em Roma, sem poder conhecer seus colegas, é um elemento extra de incerteza num processo que exige dois terços de concordância em torno de um único candidato. Porém só aqueles abaixo de 80 anos podem votar, e ainda não está claro quantos participarão.
Um dignitário espanhol já anunciou que não irá a Roma por razões de saúde, e uma grande incerteza é se Giovanni Angelo Becciu, que já foi um dos homens mais poderosos do Vaticano, será admitido à Capela Sistina. Acusado de desfalque e fraude financeira, em 2020 foi instado pelo papa a renunciar ao cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e a seus direitos cardinalícios.
Apesar de negar qualquer culpa, em dezembro de 2023 Becciu foi condenado a cinco anos e meio por fraude. Ele está apelando da sentença e, apesar de listado como "não eleitor", insiste em seu direito de votar e participou dos encontros pré-conclave.
Papel da África e aposta na harmonia
No diversificado Colégio Cardinalício composto por Francisco, o grupo de 18 prelados da África atrai especial atenção. Em 2024 eles formaram uma frente notavelmente unida contra a abertura do papa para os indivíduos LGBTQ+, recusando-se a implementar sua declaração que permitiria a bênção a uniões homossexuais. Portanto se especula se os africanos contribuirão para impedir que desponte um candidato papal progressivo.
Para além de eventuais facções, o sul-americano Ángel Rossi aposta na causa comum: "Quem quer que seja eleito tem que ser o sucessor de São Pedro, e todos nós esperamos que vá ser um bom papa." Além disso, está seguro que a mensagem de Francisco de "misericórdia, proximidade, caridade, ternura e fé" os acompanhará.
Apesar disso, Rossi reconhece que é intimidadora a tarefa de encontrar um sucessor para o tão carismático religioso morto em 21 de abril. Indagado pela AP sobre como se sentia ao participar de seu primeiro conclave, respondeu com um riso: "Com medo."
av (AP,AFP.DPA)
O funeral do papa Francisco em imagens
Centenas de milhares de pessoas e dezenas de chefes de Estado se reuniram no Vaticano para se despedir do papa Francisco.
Foto: Tiziana FABI/AFP via Getty Images
Caixão de Francisco é fechado
Na noite de sexta-feira, o caixão do papa Francisco foi fechado e lacrado quando o velório de três dias na Basílica de São Pedro terminou. Fotos divulgadas pelo Vaticano mostraram o Papa Francisco com um pano branco sobre o rosto enquanto era preparado para o funeral. Seu caixão continha uma bolsa com moedas cunhadas durante seu papado, além de um relato escrito de uma página sobre seu papado.
Foto: Vatican Media/dpa/picture alliance
Cardeal Re: Francisco foi um papa com um coração aberto a todos
O cardeal Giovanni Battista Re, que presidiu a Missa das Exéquias, afirmou que Francisco "foi um papa no meio do povo, com um coração aberto a todos", atento ao que "de novo estava a surgir na sociedade". Na homilia da missa do funeral de Francisco, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o decano do colégio de cardeais sublinhou "a manifestação popular de afeto e adesão, (...) nos últimos dias"
O caixão de madeira com o corpo de Francisco sendo levado do interior da Basílica de São Pedro para a Praça de São Pedro, onde a missa fúnebre foi realizada. A missa ao ar livre, diante de 220 cardeais, 750 bispos e mais de 4.000 outros padres, durou 90 minutos.
Foto: Kai Pfaffenbach/REUTERS
Operação de segurança para o funeral do papa
A segurança foi reforçada em torno do Vaticano para o funeral do Papa Francisco. A Itália enviou mais de 2.500 policiais e 1.500 soldados para proteger a Praça de São Pedro. O espaço aéreo sobre a Cidade do Vaticano, o menor país do mundo, foi fechado, equipamentos de defesa contra drones e barcos de patrulha foram instalados, juntamente com franco-atiradores e esquadrões antibombas.
Foto: CARABINIERI/ ANSA/picture alliance
Trump e Melania acompanham funeral
O presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-dama Melania estavam entre os presentes no funeral de Francisco. Em contraste com outros líderes mundiais que estavam vestidos de preto, Trump usou um terno azul.
Foto: Tiziana FABI/AFP
Trump e Zelenski reunidos antes do funeral de Francisco
Os presidentes de Estados Unidos e Ucrânia, Donald Trump e Volodimir Zelenski, se reuniram neste sábado antes do funeral do papa Francisco. A reunião entre os dois líderes ocorreu em meio a intensos contatos entre Washington, Kiev e Moscou para buscar uma solução negociada para a guerra na Ucrânia. No momento, Trump pressiona o ucraniano a reconhecer o controle russo da Crimeia.
Foto: Ukrainian Presidential Press Service/Handout via REUTERS
Scholz e Steinmeier representando a Alemanha no funeral
A comitiva alemã no funeral foi representada pelo chanceler federal Olaf Scholz e o presidente federal Frank-Walter Steinmeier. Esse deve ser uma das últimas viagens oficiais de Scholz, que deve deixar o cargo nos próximos dias.
Foto: Dylan Martinez/REUTERS
Macron no funeral de Francisco
A delegação da França no funeral foi liderada pelo presidente Emmanuel Macron. "Ao prestarmos homenagem ao Papa Francisco, lembro-me com emoção de sua visita a Marselha em setembro de 2023. Um sopro de fraternidade, um momento de paz e esperança, gravado no coração da nação", escreveu Macron em um publicação.
Foto: Nathan Howard/REUTERS
Católico devoto, Joe Biden acompanhou funeral de Francisco
O ex-presidente dos EUA Joe Biden também participou do funeral de Francisco. O democrata foi um dos primeiros políticos a chegar à Praça de São Pedro na manhã de sábado, pouco antes do início do funeral do Papa Francisco. Biden, o segundo presidente católico dos EUA, estava acompanhado de sua esposa Jill Biden.
Foto: Mandel NGAN/AFP via Getty Images
"Sempre serei grata ao papa", diz Meloni
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também participou do funeral. No dia anterior, ela já havia prestado suas homenagens ao comparecer ao velório do pontífice na Basílica de São Pedro. "Sempre serei grata ao papa Francisco pelo tempo que passamos juntos, por seus ensinamentos, por seus conselhos", disse ela.
Foto: Alberto PIZZOLI/AFP
Lula e Dilma no funeral de Francisco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja acompanharam a cerimônia fúnebre do papa Francisco. Lula destacou a "sabedoria, coragem e compaixão" de Francisco. Lula viajou acompanhado da ex-presidente Dilma Roussef, do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre e do presidente da Câmara, Hugo Motta.
Foto: Kai Pfaffenbach/REUTERS
250 mil no funeral de Francisco no Vaticano
Cerca de 250 mil pessoas lotaram a Praça de São Pedro e a Via della Conciliazione, a grande avenida que a precede, para acompanhar o funeral do papa Francisco. A praça, com capacidade para 40 mil pessoas, atingiu rapidamente sua lotação máxima, e autoridades locais realocaram a maré de fiéis para os arredores
Foto: Benoit Tessier/REUTERS
Caixão de Francisco deixa a Praça São Pedro
Seguindo suas orientações manifestadas ainda em vida, Francisco foi colocado em um simples caixão de madeira, e sem a férula papal (bastão em forma de crucifixo), símbolo de poder católico.
O cortejo com o caixão de Francisco passou por ruas de Roma sob aplausos de fiéis.
Milhares se aglomeraram nas calçadas para poder ver a passagem até a Basílica de Santa Maria Maior, o local do sepultamento do papa.