Pela primeira vez em 81 anos de história, a CDU, o tradicional partido de Konrad Adenauer, Helmut Kohl e Angela Merkel, não consegue superar a cláusula de barreira de 5% numa eleição estadual.
A CDU, hoje liderada por Friedrich Merz, amargou o pior resultado eleitoral de sua história em Mecklemburgo-Pomerânia OcidentalFoto: Annegret Hilse/REUTERS
Anúncio
O partido do chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, sofreu uma derrota histórica nas eleições estaduais deste domingo (20/09). Pela primeira em seus 81 anos de história, a conservadora União Democrata Cristã (CDU) não conseguiu superar a cláusula de barreira de 5% e ficou de fora de um parlamento estadual na Alemanha.
Na eleição no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU obteve apenas 4,9% dos votos, não conseguindo ultrapassar a cláusula de barreira de 5% para garantir assentos no Parlamento local. A legenda perdeu mais da metade do eleitorado conquistado no pleito anterior, em 2021, quando obteve 13,3% dos votos.
Até então, o pior resultado do tradicional partido, fundado em 1945, havia sido registrado em 1951, na eleição estadual de Bremen, quando alcançou apenas 9% dos votos.
Em eleições federais, a CDU nunca ficou abaixo da cláusula de barreira, sendo o pior resultado o de 2021, com 22,6% dos votos. Até o início dos anos 2000, percentuais acima de 40% eram alcançados com frequência.
Num pronunciamento incomum logo após o fechamento das urnas no domingo, ainda antes da confirmação do resultado, o chanceler federal alemão afirmou que pretende permanecer no cargo e seguir adiante com as polêmicas reformas, entre elas a da aposentadoria. "É um desastre", afirmou Merz sobre a votação em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, que naquele momento ainda variava entre 5% e 5,5%.
Nesta segunda-feira, Merz voltou a prometer a união da atual coalizão, com o Partido Social-Democrata (SPD), em prol do "futuro democrático" do país e deixou claro que não pretende renunciar. "As razões para esses resultados eleitorais vão muito além da minha própria pessoa", afirmou. "Estamos testemunhando uma transformação profunda do sistema partidário na Alemanha, assim como em muitos outros países ao redor do mundo."
Merz cancelou ainda sua ida para a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Merz sob pressão
O resultado deve aumentar a pressão que Merz enfrenta desde o fracasso da CDU na eleição na Saxônia-Anhalt. No pleito, o partido obteve 17,2% dos votos, menos da metade dos 37,1% obtidos na última eleição no estado, em 2021. Essa foi de longe a pior votação já obtida pela CDU na Saxônia-Anhalt desde que o estado foi reunificado com a Alemanha, em 1990.
A atual situação é extremamente amarga para Merz, que, em novembro de 2018, quando disputava o posto de presidente da CDU, havia prometido que, sob sua liderança, o apoio eleitoral à AfD poderia ser reduzido pela metade. Na Saxônia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental aconteceu o contrário: a AfD dobrou sua votação. Em Berlim, o partido também cresceu.
Para se manter no poder, Merz precisa garantir o apoio das lideranças estaduais da CDU. Especialmente importante é o respaldo dos oito governadores estaduais da legenda. Na noite eleitoral, a maioria deles deixou a sede da CDU sem fazer comentários. Imprevisível é a pressão que pode surgir da base partidária contra Merz e a direção da CDU.
Assim como o futuro de Merz é incerto, também não existe um plano claro para uma sucessão. Falta um nome capaz de unir todas as alas dos conservadores, incluindo a União Social Cristã (CSU), da Baviera. Entre os nomes mais mencionados estão os dos governadores da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrik Wüst (CDU), e da Baviera, Markus Söder, líder da CSU.
No caso de Wüst, uma candidatura ao cargo de chanceler federal neste momento não seria ideal, pois ele tentará a reeleição numa importante eleição estadual em abril. Já o apoio a Söder traria outro problema: a já abalada CDU poderia ficar ainda mais enfraquecida se apoiasse um nome oriundo da CSU, partido que atua exclusivamente na Baviera.
Anúncio
Pacote de reformas
Para se manter no cargo, Merz precisa recuperar a confiança do eleitorado, abalada pela crise econômica e seu polêmico pacote de reformas, que ainda enfrenta resistência em setores do SPD.
A boa votação de Manuela Schwesig em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental deve tornar as coisas mais difíceis. A governadora do SPD liderou uma campanha que desafiou a AfD e criticou sobretudo o fim previsto da aposentadoria sem descontos após 45 anos de contribuições. O resultado obtido por ela nas urnas poderá agorar fazer o SPD rever seu apoio aos planos de Merz.
O ponto decisivo é que "reformas não podem ser confundidas com cortes", enfatizou o secretário-geral do SPD, Tim Klüssendorf, ainda na noite da eleição. Temas como assistência de longo prazo e aposentadorias deverão voltar ao centro das discussões do partido.
A posição enfraquecida de Merz como líder do maior e mais influente país da União Europeia pode ainda comprometer a unidade do bloco, num momento em que partidos de extrema direita seguem ganhando força, as relações com os Estados Unidos esfriaram significativamente e as pressões econômicas se intensificaram.
cn/as (DPA, AFP, Reuters)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui.Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Haci Ozkan/Anadolu/picture alliance
Esquerda e AfD lideram em eleições estaduais na Alemanha
A Esquerda e a legenda de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) obtiveram votação recorde nas eleições estaduais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, respectivamente. Em Berlim, A Esquerda recebeu 25,3% dos votos, praticamente dobrando a votação obtida pela legenda no pleito anterior. Já na eleição em Mecklemburgo, a AfD aparece em primeiro lugar, com 37,9% dos votos. (20/09)
Foto: Axel Schmidt/REUTERS
Munique abre Oktoberfest
A 191ª Oktoberfest de Munique foi aberta oficialmente neste sábado. Em sua estreia na cerimônia de abertura, o novo prefeito da cidade, o verde Dominik Krause, abriu o primeiro barril de cerveja com apenas dois golpes de martelo e deu início à mundialmente famosa festa popular com o tradicional grito de "O'zapft is!” ("Está aberta!”). (19/09)
Foto: Sven Hoppe/dpa/picture alliance
Manifestação em Teerã convoca civis para guerra
O regime iraniano organizou desfile militar como parte de uma campanha para atrair civis para o treinamento militar em meio à guerra, iniciada em fevereiro após ataques dos Estados Unidos e de Israel. Caixões com as imagens do presidente Donald Trump e do premiê Benjamin Netanyahu fizeram parte do cortejo, que contou com a presença de mulheres com burca carregando fuzis AK-47. (18/09)
Foto: Vahid Salemi/AP Photo/picture alliance
Premiê canadense exalta aproximação com UE e minimiza ameaças de Trump
"Ninguém nos vai dizer em que língua temos de falar nem com quem podemos assinar acordos internacionais", afirmou Mark Carney no Parlamento Europeu em Estrasburgo. Canadá poderá se tornar o primeiro "membro associado" do bloco das 27 nações, medida que irritou Donald Trump: "se eu a considerar um ato hostil, imporei tarifas elevadas ou interromperei todo o comércio com a Europa", disse. (17/09)
Foto: Pascal Bastien/AP Photo/picture alliance
Governo Trump diz que Brasil falhou no combate ao PCC e CV
Um documento enviado pela Casa Branca ao Congresso, assinado por Donald Trump, acusa o Brasil de fracassar no combate às organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Washington considera os dois grupos como uma "ameaça à segurança mundial", (16/09)
Foto: Mauro Pimentel/AFP/Getty Images
Dino pede vista e adia julgamento de Moraes
Com placar parcial de 4 votos a 3 sobre a possibilidade de analisar conjuntamente casos de dois ministros, o julgamento no STF de Alexandre de Moraes foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino. A suspensão ocorreu depois de um bate-boca entre André Mendonça e Gilmar Mendes durante a discussão do caso Master. Com isso, não há previsão para a retomada da análise. (15/09)
Foto: Adriano Machado/REUTERS
Houthis ampliam controle no Mar Vermelho e pressionam rota do petróleo
Rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram a captura das ilhas Grande e Pequena Hanish, no sul do Mar Vermelho. O avanço ocorre enquanto forças iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita tentam recuperar áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandab. Após o fechamento de Ormuz, o controle das ilhas aumenta a pressão sobre as exportações sauditas de petróleo. (14/09)
Foto: Mohammed Mohammed/Xinhua/IMAGO
Céline Dion volta aos palcos seis anos depois de diagnóstico raro
A canadense Céline Dion, vencedora de 5 Grammys, cantou para 35 mil pessoas na Plenitude Arena, em Paris, a maior arena coberta da capital da França. A cantora se emocionou durante a apresentação, que marcou a volta aos palcos após o diagnóstico de uma doença neurológica rara. Dion ainda tem mais 15 shows marcados para este ano em Paris, todos esgotados. Por isso, marcou mais dez em 2027. (13/09)
Foto: Thomas Samson/AFP/dpa/picture alliance
Ataques russos assolam a Ucrânia na região de Odessa
Drones enviados por Moscou causaram novos ataques à Ucrânia, principalmente na região de Odessa, próxima o Mar Vermelho. A fotografia mostra veículos destruídos na cidade portuária de Chornomorski, na mesma região. Por lá, as ofensivas destruíram navios cargueiros no porto local. Em outras cidades de Odessa, os ataques deixaram um total de nove mortos e dezenas de feridos. (12/09)
Foto: Nina Liashonok/REUTERS
Atentados de 11 de setembro completam 25 anos
Os Estados Unidos pararam em memória aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Há 25 anos, membros da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões e os lançaram contra o World Trade Center, em Nova York, o Pentágono e um campo próximo a Shanksville, na Pensilvânia, matando quase 3 mil pessoas. Na foto, a instalação "Tribute in Light", em Manhattan, local onde ficavam as Torres Gêmeas. (11/09)
Foto: Ryan Murphy/AFP
Elefantes viagem da Alemanha à Polônia
Os elefantes Daisy, Saiwa e Etosha chegaram ao novo lar na Polônia. Os três foram transferidos do zoológico de Duisburg, na Alemanha, para Poznan, onde as condições são melhores. A distância entre os dois zoológicos é de cerca de 800 quilômetros, e a viagem correu em um caminhão. Cuidadores alemães devem permanecer na Polônia com os elefantes por várias semanas, para facilitar a adaptação (10/09).
Foto: Zoo Poznań
Fachin derruba decisões sobre PF e tira Fake News de Moraes
O presidente do STF suspendeu decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Fachin também anulou a decisão de Flávio Dino que determinou o retorno do delegado ao comando da PF e retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito da Fake News. As decisões formam mais um capítulo da crise institucional que atingiu o Supremo. (09/09)
Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
Afastamento de Andrei Rodrigues agrava tensões entre PF e STF
O ministro André Mendonça, do STF afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, de suas funções. A decisão se deu em razão da divulgação de relatórios sobre o próprio Mendonça, encaminhados por Rodrigues a Alexandre de Moraes, também do STF. Em resposta, onze diretores da PF declararam total apoio a Andrei e colocaram seus cargos à disposição. (08/09)
Foto: Adriano Machado/REUTERS
Enterro do "açougueiro da Bósnia" atrai milhares na Sérvia
Multidão acompanhou funeral de Ratko Mladic, criminoso de guerra condenado em 2017 por genocídio durante a guerra da Bósnia (1992-1995). Ele morreu aos 84 anos, enquanto cumpria pena de prisão perpétua. Cerimônia em Belgrado, criticada pela União Europeia, foi prestigiada por ministros do governo sérvio. (07/09)
Foto: Oliver Bunic/AFP
AfD obtém votação esmagadora no leste alemão
O partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve uma votação recorde de 44% dos votos na eleição do estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país. Foi a maior votação proporcional já recebida num estado alemão por uma legenda tão à direita como a AfD desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). (06/09)
Foto: Sebastian Gollnow/dpa/picture alliance
Forças dos EUA dizem ter atacado três petroleiros iranianos
As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram ter atacado três petroleiros iranianos, apontando que a ação foi executado após o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) ter lançado mísseis balísticos contra dois navios da Marinha americana que patrulhavam as águas da região (05/09)
Foto: Vahid Salemi/AP Photo/picture alliance
Mãe e filhote orangotangos são salvos em incêndio no Bornéu
Dois orangotangos, uma mãe e o filhote, foram resgatados da fumaça dos incêndios que assolam a ilha de Bornéu, na Indonésia. O arquipélago luta há semanas contra incêndios que deixaram grandes partes cobertas pela fumaça. O orangotango de Bornéu (Pongo pygmaeus) corre risco de extinção e sua população diminuiu drasticamente nas últimas décadas devido à pressão humana sobre o habitat. (04/09)
Foto: Reina/AFP
Morre Gloria Steinem, símbolo do feminismo americano
Morreu, aos 92 anos, a escritora e jornalista americana Gloria Steinem, ícone do ativismo pelos direitos das mulheres. Líder da segunda onda do feminismo nos EUA, ela teve uma trajetória marcada pela luta por direitos civis, igualdade salarial e autonomia reprodutiva e defendia que o feminismo acolhesse mulheres de todas as raças e minorias. Steinem morreu em sua casa, em Nova York. (03/09)
Novas suspeitas ligam Alexandre de Moraes a Vorcaro
Documentos da Polícia Federal expõem supostos vínculos até então desconhecidos entre o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Mensagens apreendidas no celular de Vorcaro expõem contratos milionários com o escritório da esposa de Moraes e supostas conversas dele com o ex-banqueiro dois dias antes de ele ser preso. (01/09)
Foto: Adriano Machado/REUTERS
Aquecimento global vai superar limite de 1,5 °C, diz ONU
O aumento das temperaturas globais deverá ultrapassar o limite crucial de 1,5 °C nos próximos anos, afirmou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Esse limite visava conter as mudanças climáticas e reduzir seus impactos. O novo cenário resultará em eventos climáticos mais extremos e intensificará a pressão sobre os ecossistemas, as geleiras e as cidades costeiras. (02/09)