Coreia do Sul registra aumento na taxa de natalidade
Julian Ryall
6 de março de 2025
País com uma das populações que mais envelhece rapidamente no mundo relata aumento no número de nascimentos pela primeira vez em nove anos, mas analistas apontam que perspectiva para o futuro ainda permanece sombria.
Foto: Newscom/Yonhap News/IMAGO
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Após quase uma década de taxas de natalidade em declínio constante, a Coreia do Sul reverteu essa tendência e registrou um aumento significativo em recém-nascidos em 2024.
A agência estatal de estatísticas do país anunciou em 26 de fevereiro o nascimento de um total de 238.300 bebês ano passado, um aumento de 3,6% em relação ao recorde de baixa de apenas 230.000 em 2023.
Embora o aumento seja certamente motivo de comemoração em um país reconhecido como um dos que mais se contraem e envelhecem rapidamente no mundo, analistas alertam que a recuperação é o resultado de uma série de fatores excepcionais e que a perspectiva de longo prazo continua sombria.
"A crise populacional da Coreia do Sul está apenas começando", disse Hyobin Lee, professor da Universidade Sogang em Seul.
"Com uma taxa de fertilidade total que ainda está abaixo de 1,0, a situação se torna cada vez mais grave e acredito que menos pessoas escolherão ter filhos no futuro", disse Hyobin à DW. "Os conflitos de gênero também estão se intensificando e a desigualdade econômica está piorando."
Segundo a agência, a taxa de fertilidade total do país, ou o número médio de filhos que uma mulher dará à luz durante sua vida, aumentou de 0,72 em 2023 para 0,75 em 2024. No entanto, esse número ainda está abaixo da taxa de 2,1 filhos por mulher que é geralmente considerada necessária para manter uma população estável.
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Aumento no número de casamentos
O aumento de recém-nascidos em 2024 também coincidiu com um aumento acentuado dos casamentos na Coreia do Sul, de 14,9%, o maior desde que as estatísticas comparáveis foram coletadas pela primeira vez, em 1970.
O vice-presidente do Comitê Presidencial sobre Envelhecimento Societal e Políticas Populacionais, Joo Hyung-hwan, disse que a recuperação "é um passo importante para reverter a tendência longeva de baixas taxas de natalidade do país, o que sugere que as políticas governamentais começaram a ter efeito e cada vez mais ressoam junto ao público".
No ano passado, o então presidente Yoon Suk Yeol – deposto após acusações de abuso de poder e insurreição – declarou que a nação enfrentava uma crise demográfica e prometeu que esta seria a principal prioridade de seu governo. As iniciativas de governos anteriores se concentravam principalmente em pagamentos únicos em dinheiro aos pais, com o valor aumentando para filhos adicionais.
Contudo, em um país onde os custos de moradia e educação são bastante altos, a medida não gerou incentivos suficientes que as pessoas tivessem mais filhos.
O governo de Yoon alterou a lei para exigir que as empresas paguem o salário integral aos novos pais que saem de licença parental por um período máximo seis meses após o nascimento do filho, aumentando o prazo anterior de três meses.
Esse período pode ser ampliado para 18 meses se ambos os pais saírem de licença de seus empregos. Anteriormente, o prazo estendido era de apenas um ano.
Empresas obrigadas a prestar assistência
A partir deste ano, é obrigatório que as empresas relacionadas forneçam detalhes de suas políticas favoráveis aos pais e às crianças em registros regulatórios, com as pequenas e médias empresas estado aptas a reivindicar subsídios para apoiar suas operações enquanto os funcionários estão em licença parental.
O governo reservou 19,7 trilhões de wons sul-coreanos (R$ 78,2 trilhões) para apoio adicional às famílias, o que representa um aumento de 22% em relação ao ano passado, incluindo jornadas de trabalho mais curtas para os pais por até dois anos e licenças remuneradas para tratamentos de fertilidade.
As medidas, porém, não bastaram para convencer os analistas.
"Houve uma mudança nas tendências de casamentos e nascimentos que acredito refletir a queda vertiginosa que vimos nesses números durante a pandemia de covid-10", disse Park Saing-in, economista da Universidade Nacional de Seul, à DW.
Maior número de casamentos contribui para aumento da natalidade na Coreia do SulFoto: Getty Images/W. Cho
"Não acho que isso represente uma mudança fundamental, porque nos últimos 30 anos, vimos o número de casamentos cair pela metade", observou. "Isso teve um grande impacto nas questões sociais, desde taxas de emprego até renda e aposentadoria, tornando-se uma questão estrutural para a sociedade sul-coreana."
A nação também tem algumas atitudes tradicionais que impactam as estatísticas de nascimento, incluindo preconceitos associados a crianças nascidas fora do casamento e mães solteiras.
O outro fator importante que influencia as decisões dos casais sobre ter filhos são, inevitavelmente, os custos, disse Park.
"Criar um filho é muito caro na Coreia do Sul", explicou. "O custo de vida é alto, as moradias são caras nas grandes cidades e a educação também é um fator significativo", acrescentou. "Após essa recuperação da pandemia se estabilizar, conto com uma queda da taxa de natalidade em um ano ou mais."
Recuperação pós-pandemia?
Lee concorda e destaca que é amplamente reconhecido que muitos casamentos que teriam ocorrido durante a pandemia foram adiados e estariam ocorrendo agora, o que explicaria o aumento. Uma explicação semelhante pode ser aplicada ao maior número de nascimentos.
"Outro fator contribuinte é o aumento dos casamentos internacionais", destacou. "Em 2023, um em cada 10 casais casados na Coreia do Sul estava em um casamento internacional, e a taxa de natalidade entre casais casados internacionalmente tende a ser maior do que entre casais coreanos."
"Para tornar o aumento das taxas de natalidade mais sustentável a longo prazo, o governo deve implementar políticas semelhantes às da França, onde os homens também são obrigados a tirar licença parental", sugeriu Lee.
"Uma das principais razões pelas quais as mulheres optam por não ter filhos é o medo da interrupção de suas carreiras", acrescentou. "As empresas relutam em contratar mulheres devido a preocupações com a licença-maternidade e responsabilidades para com os cuidados com os filhos. No entanto, se os homens também passarem a assumir responsabilidades com os cuidados com os filhos, as diferenças de gênero no emprego seriam reduzidas."
Reveja alguns dos principais acontecimentos do mês
Foto: Monica Schipper/Getty Images via AFP
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Foto: Ludovic Marin/AP Photo/picture alliance
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Foto: CHRISTOPHE SIMON
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Foto: Ettore Ferrari/ZUMA Press/IMAGO
Morre George Foreman, ícone do boxe
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2024 foi o ano mais mortal para migrantes, diz ONU
Organização Internacional para as Migrações (OIM) contabilizou "ao menos" 8.938 pessoas mortas em rotas de migração em todo o mundo. E embora a Ásia lidere em número de vítimas (2,8 mil), a rota do Mediterrâneo, que leva à Europa, foi quase tão letal, com 2,4 mil mortos. Maioria morre no anonimato. (21/3)
Foto: Dan Kitwood/Getty Images
Com decreto, Trump avança rumo à "eliminação" do Departamento de Educação
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Foto: Nathan Howard/REUTERS
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Famílias fugiram do norte da Faixa de Gaza para áreas mais ao sul, temendo por suas vidas depois que Israel pediu aos civis que deixassem áreas que descreveu como "zonas de combate". Os militares israelenses retomaram as operações terrestres no centro e no sul do território, enquanto um segundo dia de ataques aéreos matou pelo menos 38 palestinos. (19/03)
Foto: AFP via Getty Images
Astronautas voltam à Terra após 9 meses na ISS
Os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams retornaram para casa em uma cápsula da SpaceX, depois que problemas técnicos prolongaram estadia original de uma semana na Estação Espacial Internacional. A dupla partiu da ISS ao lado de mais dois astronautas, o americano Nick Hague e o cosmonauta russo Aleksandr Gorbunov em uma cápsula da SpaceX. (18/03)
Foto: NASA TV/REUTERS
Doadores europeus prometem bilhões em ajuda para Síria
Em conferência liderada pela UE, doadores internacionais prometeram enviar 5,8 bilhões de euros para a Síria, enquanto Bruxelas planeja o alívio das sanções ao país árabe. A Alemanha prometeu 300 milhões de euros, enquanto a UE aumentou sua contribuição geral para cerca de 2,12 bilhões de euros. Os EUA, porém, não se mostraram dispostos a ampliar seu apoio. (17/03)
Foto: Nicolas Tucat/AFP
Dezenas morrem em incêndio em boate na Macedônia do Norte
Ao menos 59 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas após uma boate pegar fogo na cidade de Kocani. Cerca de 1,5 mil pessoas estavam no local, a maioria jovens. Segundo a imprensa local, o incêndio teria sido causado pelo uso indevido de fogos de artifício dentro do imóvel. (16/03)
Foto: Alexandros Avramidis/REUTERS
Tornados e temporais matam dezenas nos EUA
Temporais e vendavais violentos deixaram um rastro de destruição em áreas do centro e do sul dos Estados Unidos, matando ao menos 37 pessoas e deixando vários outros feridos. Dezenas de milhares de pessoas ficaram sem eletricidade. (15/03)
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Canadá tem novo primeiro-ministro e encerra era Trudeau
Após dez anos de governo do canadense Justin Trudeau, Mark Carney, ex-presidente do Banco Central do Canadá, tomou posse como o 24º primeiro-ministro do país. Carney foi empossado cinco dias após membros do Partido Liberal canadense darem sua aprovação para que ele substituísse Trudeau como líder da legenda. (14/03)
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Putin diz favorecer cessar-fogo amplo, mas sob seus termos
O líder russo Vladimir Putin disse estar aberto em princípio a um cessar-fogo na Ucrânia, mas elencou várias condições antes de se comprometer com uma paralisação dos combates. Na sua primeira manifestação pública sobre a proposta de cessar-fogo de 30 dias imposta por Trump aos ucranianos, Putin disse que há ainda muitas "questões" a serem resolvidas. (13/03)
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Putin visita Kursk
Acompanhado por notícias de que suas tropas estavam a caminho de expulsar os soldados ucranianos a Kursk, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, visitou pela primeira vez o local. Com a tomada na cidade fronteiriça russa, em 6 de agosto de 2024, Kiev havia adquirido uma moeda de troca em eventuais negociações de paz com Moscou. (12/03)
Foto: Handout/Kremlin.ru/AFP
Ex-presidente filipino Duterte é preso por ordem do TPI
O ex-presidente das Filipinas Rodrigo Duterte foi preso ao chegar ao Aeroporto Internacional de Manila, de acordo com uma ordem do Tribunal Penal Internacional (TPI) por supostos crimes contra a humanidade durante a batalha contra o narcotráfico empreendida pelo seu governo. (11/03)
Foto: Vernon Yuen/AP Photo/picture alliance
Colisão no Mar do Norte
Um navio de carga atingiu um petroleiro que transportava combustível de aviação para o governo dos EUA na costa leste do Reino Unido, no Mar do Norte, causando um grande incêndio em ambas as embarcações. Uma operação resgatou 37 tripulantes a bordo dos dois navios. Segundo o proprietário do navio cargueiro, um dos tripulantes está desaparecido. (10/03)
Foto: Bartek Smialek/dpa/picture alliance
Líder da Síria pede "unidade" após centenas de mortes
O líder da Síria, Ahmed al-Sharaa, pediu "unidade nacional” no país, após três dias de confrontos regionais sem precedentes desde a queda de Bashar al-Assad, que deixaram mais de mil mortos, em sua maioria civis alauítas. "Temos que preservar a unidade nacional, a paz civil, tanto quanto possível e, se Deus quiser, poderemos viver juntos neste país", disse Sharaa. (09/03)
Foto: Karam al-Masri/REUTERS
Russos lançam nova onda de ataques contra a Ucrânia
Bombardeios russos com mísseis deixaram mais de dez mortos e dezenas de feridosem áreas urbanas da Ucrânia durante a madrugada. Os ataques russos ocorreram após os EUA interromperam a ajuda militar e o compartilhamento de informações com Kiev (08/03)
Foto: Andrii Dubchak/REUTERS
PIB do Brasil cresceu 3,4% em 2024, de acordo com IBGE
Produto Interno Bruto (soma de bens e serviços produzidos pelo país) foi de R$ 11,7 trilhões, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento do país, puxado principalmente pelo consumo das famílias. Desempenho, porém, ficou abaixo da projeção do mercado financeiro, que era de 4,1%. (07/03)
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
ONU: Direitos das mulheres recuaram em um quarto dos países
Quadro é reflexo de questões como o enfraquecimento das instituições democráticas, conflitos, crises humanitárias e mudanças climáticas, segundo relatório da ONU Mulheres. Ataques também acontecem por meio de atrasos na implementação de políticas para as mulheres. Secretário-geral da ONU, António Guterres alerta contra "normalização da misoginia". (06/03)
Foto: Paula Acunzo/ZUMAPRESS/picture alliance
Supremo dos EUA barra ordem de Trump para congelar ajuda externa
Pessoas no Zimbábue carregam sacas de alimentos da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), no mesmo dia em que a Suprema Corte dos EUA rejeitou a ordem do presidente americano, Donald Trump, de bloquear o pagamento de 2 bilhões de dólares a organizações de ajuda internacional, incluindo a Usaid. Decisão é revés para o republicano, que tenta desmantelar a agência. (05/03)
Foto: Privilege Musvanhiri/DW
União Europeia propõe plano de defesa de 800 bi de euros
Horas após os EUA suspenderem sua ajuda militar à Ucrânia, a Comissão Europeia apresentou um plano para mobilizar até 800 bilhões de euros para a defesa da Europa e ajudar a fornecer apoio militar "imediato" ao país invadido pela Rússia. O plano, batizado de "ReArm Europe" (ReArmar Europa), tem potencial de elevar consideravelmente os gastos militares da região e a ajuda a Kiev. (04/03)
Foto: Wiktor Dabkowski/ZUMA Press Wire/IMAGO
Sátira política no Carnaval alemão
A Segunda-feira das Rosas ("Rosenmontag") é a data mais importante do Carnaval do leste da Alemanha. Segundo a tradição, os carros alegóricos trazem críticas a políticos alemães e de outros países, como este que satiriza as atitudes dos líderes dos EUA e Rússia em relação à Ucrânia. (03/03)
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"Ainda Estou Aqui" conquista inédito Oscar de melhor Filme Internacional para o Brasil
"Ainda Estou Aqui" ganhou Oscar de Melhor Filme Internacional, um feito inédito para o Brasil. Também indicado ao prêmio principal de Melhor Filme, "Ainda Estou Aqui" não levou o prêmio, considerado o principal do Oscar. "Anora" foi agraciado na categoria e levou ainda três outras estatuetas: melhor diretor para Sean Baker, melhor roteiro original e melhor edição. (02/03)
Foto: Jordan Strauss/Invision/AP
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