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"Couro de T-Rex": mais frango do que dinossauro?

Petra Lambeck
12 de maio de 2026

Bolsa de "couro de Tiranossauro rex" irá a leilão em Paris, embora cientistas levantem dúvidas sobre a origem do material. Couro desenvolvido em laboratório ganha cada vez mais destaque na indústria da moda.

Bolsa de "couro de T-Rex" exposta zoo de em Amsterdã ao lado de esqueleto de um Tiranossauro rex
Bolsa de "couro de T-Rex" exposta em Amsterdã Foto: Piroschka van de Wouw/REUTERS

No início de abril, uma bolsa feita de "couro de T-Rex desenvolvido em laboratório" foi apresentada em Amsterdã, no Museu Zoológico Artis, ao lado de um esqueleto gigante de dinossauro. Ela foi criada pela Enfin Levé, uma marca de moda polonesa que promove roupas experimentais.

O foco da atenção, no entanto, está menos no design e mais no material utilizado. "Ele tem uma personalidade diferente de tudo que já experimentamos. Denso, primitivo, funcionando segundo sua própria lógica", publicou a marca em suas redes sociais. A bolsa será leiloada em Paris no dia 11 de junho.

Mas o que exatamente significa "couro de T-Rex"? Os dinossauros foram extintos há cerca de 66 milhões de anos. Na década de 1990, o filme Jurassic Park desencadeou uma febre mundial por dinossauros e levou muitos a questionarem se seria realmente possível cloná-los. No entanto, a resposta científica é um claro não, pois o DNA se deteriora com o tempo.

Discussão sobre proteínas de dinossauros

Há cerca de 20 anos, uma equipe de pesquisa em Montana, no noroeste dos Estados Unidos, descobriu partes de um esqueleto de tiranossauro rex. Essa descoberta espetacular atraiu ainda mais atenção quando a paleontóloga Mary Higby Schweitzer anunciou, pouco depois, que havia encontrado restos de tecido mole, incluindo fragmentos de proteína, dentro dos ossos. Até então, presumia-se que essa matéria orgânica também se degrada com o tempo.

Contudo, o ceticismo na comunidade científica foi generalizado. Um dos argumentos era que essas estruturas também poderiam ser resultado da colonização dos ossos por bactérias. O debate sobre o que exatamente Mary Schweitzer teria encontrado continua até hoje.

A imponente mandíbula de um T-Rex, considerado um dinossauro clássico da América do NorteFoto: Denis Balibouse/REUTERS

A bolsa em Amsterdã, no entanto, é baseada precisamente nos dados dessa descoberta em Montana, conforme revelado em um preprint – artigo publicado mas ainda não revisado por outros cientistas – escrito por Thomas Mitchell e Ernst Wolvetang, fundadores da empresa de biotecnologia The Organoid Company, que desempenharam um papel determinante na produção do couro cultivado em laboratório.

"É como um quebra-cabeça; você só tem algumas peças e precisa encaixar o resto sozinho", explica Mitchell em um vídeo no Instagram. A questão, porém, é se as peças existentes do quebra-cabeça realmente vieram do T-Rex ou não.

Jan Dekker, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Turim na área de paleoproteômica – o estudo científico de proteínas a partir de achados arqueológicos e fósseis – se mostra cético. "As proteínas de dinossauros são muito controversas", afirmou o especialista à DW.

"O limite que geralmente assumimos para a vida útil das proteínas foi recentemente ampliado para cerca de 20 milhões de anos." No entanto, o tiranossauro rex está extinto há mais de três vezes esse tempo. Dekker, portanto, não acredita que a bolsa pudesse conter quaisquer elementos de dinossauro. Um pedido da DW de entrevista ao assessor de imprensa do projeto não foi respondido.

Mais frango do que dinossauro?

Couro cultivado em laboratório é um tema relativamente novo no campo da biotecnologia. O objetivo é produzir um material cujas propriedades sejam semelhantes às do couro convencional.

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Para o material usado na bolsa Amsterdã, os dados dos fragmentos de proteína descobertos – independentemente de terem se originado de um T-Rex ou não – foram usados ​​como base e complementados com inteligência artificial (IA) para criar uma sequência proteica completa. Uma proteína de frango serviu como estrutura, já que as aves são consideradas os parentes vivos mais próximos dos dinossauros do ponto de vista evolutivo.

Tudo isso é extremamente interessante, diz Dekker,  mas mesmo que se aceite que os fragmentos de proteína subjacentes se originaram de um T-Rex, cerca de 90% da sequência proteica ainda seria baseada em um frango, não em um dinossauro. "Eles produziram colágeno sintético – usando um modelo de IA treinado em diversas espécies animais diferentes, principalmente frangos – o que é um desenvolvimento muito interessante por si só, mas não é um dinossauro. Na verdade, é mais parecido com frango do que qualquer outra coisa."

Dinossauros como "artigos de luxo"?

Em seu comunicado à imprensa, os produtores da bolsa destacaram que o couro cultivado em laboratório ainda não convenceu o setor de luxo. "Sabíamos que tínhamos que tentar algo radicalmente novo", disse Bas Korsten, da agência de publicidade VML, também envolvida no projeto. O T-Rex pareceu uma ideia bem-vinda, já que os dinossauros fascinam pessoas no mundo todo.

Jan Dekker compartilha desse fascínio. No entanto, seu interesse não é comercializar tais produtos; ele usa a pesquisa biomolecular como um meio de aprender mais sobre o passado.

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