"Cuba é a próxima", diz Trump em nova ameaça à ilha
28 de março de 2026
"Eu construí este grande Exército. Às vezes você tem que usá-lo", disse num fórum de investimentos em Miami. Presidente americano também exaltou ação militar dos EUA na Venezuela e no Irã.
Trump voltou a ameaçar o governo da ilha socialistaFoto: Mark Schiefelbein/AP Photo/picture alliance
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (27/3) que "Cuba é a próxima", ao ser indagado se não teme que ações militares americanas possam lhe custar apoio político.
A ameaça vem menos de duas semanas depois de o político republicano dizer que terá "a honra de tomar Cuba".
Cuba enfrenta uma grave crise econômica e está sob pressão cada vez maior de Washington, que bloqueia as importações de petróleo desde janeiro. O país depende da commodity para alimentar usinas e o transporte, e tem enfrentado apagões recorrentes.
A fala de Trump foi feita durante um discurso em um fórum de investimentos em Miami, no qual exaltou a ação militar dos EUA na Venezuela e no Irã, com a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.
Segundo o americano, sua base eleitoral trumpista quer "força" e "vitória".
"Eu construí este grande Exército. Eu disse: 'Vocês nunca terão que usá-lo', mas às vezes você tem que usar", disse Trump. "E Cuba é a próxima, a propósito. Mas finjam que eu não disse isso."
Embora não tenha especificado o que exatamente planeja fazer com a ilha, o presidente disse frequentemente acreditar que o governo em Havana está à beira do colapso.
Cuba está há décadas sob embargo, mas situação piorou com Trump
Antes da captura de Maduro pelos EUA, a Venezuela fornecia grande parte do petróleo de Cuba. Isso acabou com o novo governo em Caracas, sob pressão de Washington.
No início de março, Trump disse que Cuba poderia ser alvo de uma "tomada amigável", antes de acrescentar: "Pode não ser uma tomada amigável."
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel reconheceu que o país está em negociações com os EUA numa tentativa de evitar um confronto militar, mas afirmou na semana passada que qualquer agressor externo enfrentaria "resistência inquebrantável".
Cuba está sob embargo comercial dos EUA desde pouco depois da revolução de Fidel Castro em 1959. As relações haviam melhorado nos últimos anos, mas voltaram a piorar desde que Trump assumiu seu segundo mandato, com o presidente americano tentando apertar o controle de Washington sobre a América Latina.
Um alto diplomata cubano disse anteriormente que Havana estava disposta a continuar conversando com Washington, mas que mudanças em seu sistema político estariam fora de questão.
ra (AFP, Reuters)
EUA e Cuba: crônica da rivalidade
Desde a Revolução Cubana, em 1959, Cuba e os Estados Unidos estão em disputa, que já envolveu mercenários, bloqueios navais, sanções econômicas, criminosos e carros de boi.
Foto: picture-alliance/dpa
Bordel dos EUA
Antes da revolução, Cuba era, para muitos americanos, sinônimo de jogos de azar, casas noturnas e outros tipos de entretenimento – como um jantar no Havana Yacht Club (foto). "Cuba era o bordel dos EUA", definiu mais tarde o cientista político americano Karl E. Meyer. Para a população, a ditadura de Fulgencio Batista, no entanto, significava principalmente estagnação, desemprego e pobreza.
Para derrubar o regime já falido, Fidel Castro precisa de apenas um exército de guerrilha de algumas centenas de homens. Em 1° de janeiro de 1959, Batista foge de Cuba, e os rebeldes tomam Havana. Os EUA impõem sanções imediatamente, que vão sendo intensificadas nos anos seguintes. A liderança cubana, então, recorre à União Soviética.
Foto: picture-alliance/dpa
Fiasco na Baía dos Porcos
Uma tropa mercenária de cubanos exilados tentou derrubar o regime em 1961, com ajuda da CIA. A operação foi um fiasco. O Exército Revolucionário Cubano acaba com a invasão na Baía dos Porcos dentro de três dias, afirmando ter feito mais de mil prisioneiros.
Foto: AFP/Getty Images/M. Vinas
À beira de uma guerra nuclear
Devido ao relacionamento abalado entre EUA e Cuba, a União Soviética, passa, de repente, a dispor de uma base localizada a apenas cerca de 150 quilômetros dos Estados Unidos. O Kremlin quer estacionar mísseis na ilha. E, em 1962, a crise cubana deixa o mundo à beira de uma guerra nuclear. Com um bloqueio naval, os Estados Unidos impedem o transporte dos mísseis.
Foto: picture-alliance/dpa
Saúde e educação exemplares
A União Soviética não poupa esforços. Por décadas, Cuba é fortemente subsidiada, recebendo, entre outras coisas, petróleo bruto, que é reexportado pela ilha para obtenção de divisas. Cuba consegue, assim, construir sistemas de saúde e de educação exemplares.
Foto: picture-alliance/dpa
O êxodo dos marielitos
Em 1980, Fidel Castro permite que emigrantes deixem o país a partir do Porto de Mariel, com destino aos Estados Unidos. Cerca de 125 mil cubanos chegam à Flórida. Entre eles, estão alguns que haviam sido libertados pela administração cubana de prisões e hospitais psiquiátricos. A taxa de criminalidade em Miami aumenta drasticamente.
Foto: picture-alliance/Zuma Press/T. Chapman
Dependência açucarada
Por décadas, o embargo dos EUA limita a economia cubana de forma maciça. Além disso, não ocorre diversificação alguma. A cana-de-açúcar permanece sendo, mesmo após a revolução, o principal produto de exportação da ilha. Cuba continua totalmente dependente da assistência da União Soviética, algo que fica bastante claro a partir de 1990.
Foto: AFP/Getty Images/N. Barroso
"Período especial em tempo de paz"
Com o colapso da União Soviética, vem a quebra da economia cubana. Tudo passa a faltar. Fidel Castro declara a época de choque da economia cubana, a partir de 1990, como o "Período Especial em Tempos de Paz". Na ausência de combustível e peças de reposição, bois passam a ser usados como meio de transporte. Desde o final da década de 1990, a Venezuela fornece petróleo a preço baixo ao país.
Foto: AFP/Getty Images/A. Roque
O vai e vem das sanções
Desde 1993, a Assembleia Geral das Nações Unidas apela todos os anos para que os EUA acabem com sua política de embargo. Os EUA apertam e desapertam os parafusos das retaliações de tempos em tempos. Assim, as regulamentações do bloqueio ficam mais rigorosas em 1996 e mais relaxadas em 1999. Em 2004, o presidente George W. Bush endurece as sanções.
Foto: Getty Images/J. Raedle
Um novo capítulo se inicia
Após a libertação do prisioneiro americano Alan Gross e de três agentes cubanos presos nos EUA desde 1998, Raúl Castro e Barack Obama surpreendem o mundo ao anunciar, no dia 17 de dezembro de 2014, que normalizarão as relações diplomáticas entre os dois países e reabrirão suas embaixadas. Obama amplia as exceções ao embargo econômico e comercial sobre a ilha.
Pouco mais de seis meses após o anúncio da retomada das relações diplomáticas, Obama anuncia em 1º de julho de 2015 a reabertura das embaixadas dos EUA e de Cuba em Havana e Washington dentro de alguns dias. Desde dezembro de 2014, passos tomados para a reaproximação incluem a retirada de Cuba da lista de países que financiam o terrorismo e a libertação de presos políticos pelo governo cubano.