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Começa julgamento

30 de novembro de 2009

Advogados de defesa do suposto criminoso nazista Ivan "John" Demjanjuk causaram indignação a cerca de 20 sobreviventes do Holocausto que assistem ao processo em Munique. Réu pode ser condenado a 15 anos de prisão.

Demjanjuk foi conduzido à sala de audiências em cadeira de rodasFoto: picture-alliance / dpa

Os advogados de defesa do suposto criminoso nazista Ivan "John" Demjanjuk acusaram nesta segunda-feira (30/11) o tribunal e o Ministério Público, na abertura do julgamento em Munique, de "parcialidade", equiparando o réu aos sobreviventes dos campos de concentração. Aos 89 anos, Demjanjuk, de origem ucraniana, é acusado de cumplicidade no homicídio de 27.900 judeus no campo de extermínio nazista de Sobibor, onde teria sido guarda em 1943.

Ulrich Buch, advogado de defesa de Demjanjuk, lembrou que os comandantes nazistas de Sobibor foram absolvidos, enquanto o réu, "um simples cumpridor de ordens obrigado a fazer o seu trabalho", está agora perante o tribunal. "É pura arbitrariedade", acrescentou, deixando claro qual será a estratégia da defesa no julgamento, que tem 35 sessões agendadas até meados de maio de 2010.

Devido à avançada idade e a seu precário estado de saúde, Demjanjuk, que está detido numa penitenciária de Munique desde que foi extraditado dos EUA para a Alemanha em maio, só poderá comparecer ao tribunal por dois períodos de 90 minutos por dia, decidiu uma junta médica.

Réu fechou os olhos para evitar flashs de máquinas fotográficas ao chegarFoto: AP

Indignação de sobreviventes

A afirmação do advogado de defesa de que Demjanjuk "está no mesmo plano" que os sobreviventes dos campos de concentração indignou cerca de 20 sobreviventes do Holocausto que assistem ao processo.

Demjanjuk foi conduzido à sala de audiências em cadeira de rodas, de boné e com um cobertor sobre as pernas, e fechou os olhos para evitar os flashes das máquinas fotográficas ao chegar. Devido à afluência de centenas de jornalistas nacionais e estrangeiros e ao rigoroso esquema de segurança, o julgamento começou com mais de uma hora de atraso.

O tribunal concedeu 270 acreditações a representantes da imprensa, mas na sala só há lugar para 150 jornalistas.

Réu pode ser condenado a 15 anos de prisão

A principal prova contra Demjanjuk – que já foi julgado e condenado em Israel em 1988, mas libertado em 1993, quando se verificou que o tinham confundido com outro guarda ucraniano de Treblinka – é um cartão de identidade da tropa de elite nazista SS.

John Demjanjuk Júnior, seu filho, questionou a autenticidade do documento, alegando que a altura de seu pai e a assinatura não correspondem à sua pessoa. O julgamento acontece em Munique pois Demjanjuk viveu alguns anos como refugiado depois do fim da Segunda Guerra Mundial, até emigrar para os EUA em 1952.

O primeiro colaborador estrangeiro do regime nazista a ser julgado na Alemanha por supostos crimes num campo de concentração incorre na pena máxima de 15 anos de prisão, se o tribunal der como provadas as acusações.

RR/lusa/dpa
Revisão: Simone Lopes

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