Desmatamento sobe 27% na Amazônia e cai 10% no Cerrado
12 de julho de 2025
Governo alega que resultado na Amazônia foi influenciado por queimadas e seca prolongada do ano passado. Dados são do Deter, que envia alertas para fiscalização.
É a primeira vez no atual governo Lula que o Inpe registra alta do desmatamento na AmazôniaFoto: Carlos Fabal/AFP/Getty Images
Anúncio
O desmatamento na Amazônia no primeiro semestre deste ano foi 27% superior ao do mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Nos seis primeiros meses de 2024, os alertas de desmatamento somaram 1.645,94 km² e, nos seis primeiros meses deste ano, 2.090,38 km², segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) divulgados nesta sexta-feira (11/07).
É a primeira vez no atual governo Luiz Inácio Lula da Silva que o Inpe registra alta do desmatamento na Amazônia Legal – que compreende os estados de Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Maranhão.
Por outro lado, em junho a região registrou 458 km² de área sob alerta de desmatamento, o menor número para esse mês da série histórica.
Os alertas do Deter identificam desmatamento ou degradação florestal em áreas maiores que 3 hectares, e pode haver subnotificação devido à cobertura de nuvens. Esse sistema serve para orientar a fiscalização de órgãos governamentais. Os dados oficiais de desmatamento são oferecidos pelo sistema Prodes do Inpe e divulgados anualmente.
O estado com maior área desmatada segundo os alertas do Deter no primeiro semestre deste ano foi Mato Grosso, com 1.097 km² de desmate, 141% a mais do que no mesmo período do ano anterior.
Anúncio
Possíveis motivos
Ana Clis Ferreira, porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil, afirmou ao portal G1 que a alta do desmatamento pode estar ligada a uma expectativa de retrocesso em políticas ambientais, como o afrouxamento das regras de licenciamento ambiental previsto do projeto de lei 2.159/2021, conhecido como "PL da Devastação", que pode ser votado na próxima semana pela Câmara.
Já o Ministério do Meio Ambiente, em nota, afirmou que a alta foi influenciada pelos incêndios no segundo semestre de 2024 e pela seca extrema que atingiu a Amazônia por dois anos seguidos. Segundo a pasta, sem esses dois fatores, o desmatamento no primeiro semestre de 2025 teria caído 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ane Alencar, diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que o aumento de desmatamento na Amazônia foi impulsionado por "desmatamento progressivo feito por incêndios muito intensos", em áreas que podem não ter aparecido antes por causa das nuvens.
Queda do desmatamento no Cerrado
A tendência registrada pelo Deter no primeiro semestre foi a inversa no Cerrado, onde a área desmatada caiu 10% no período, de 3.724,3 km² no ano passado para 3.358,3 km² neste ano.
No entanto, ambientalistas alertam que o Cerrado segue sendo um bioma ameaçado e registra um patamar alto de desmate – em parte porque o limite de desmatamento legal ali é em regra de até 80% de áreas privadas regularizadas, contra 20% na Amazônia Legal.
bl (ots)
Vida e preservação da Amazônia às margens do Tapajós
A Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, é a primeira no Brasil a ser explorada de forma sustentável por comunidades tradicionais. É dali que sai o sustento de indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
Foto: Nádia Pontes/DW
Moradores da Floresta Nacional do Tapajós
A unidade de conservação Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, no Pará, foi criada em 1974 e abrange uma área de 5.270 quilômetros quadrados. Cerca de mil famílias de comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas convivem com a floresta, coletam sementes, pescam e recebem visitantes do mundo inteiro que buscam estar próximos da natureza.
Foto: Nádia Pontes/DW
A floresta é da comunidade
A Flona Tapajós foi a primeira no país a ser explorada de forma sustentável por comunidades tradicionais. O manejo florestal é feito desde 2005 e permite a retirada de no máximo quatro árvores por hectare. Coleta de sementes e óleo, como o da copaíba, mostrada na foto, ajudam a compor a renda das famílias.
Foto: Nádia Pontes/DW
Madeira de origem certificada
A madeira retirada da Flona Tapajós é certificada pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC, na sigla em inglês). O trabalho é feito por 300 associados da Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (Coomflora). No galpão, construído com recursos do Fundo Amazônia e da cooperação alemã, são fabricados armários, bancos, portas, janelas e peças de design.
Foto: Nádia Pontes/DW
Novo biocentro
As sementes de andiroba armazenadas foram coletadas por extrativistas da Floresta Nacional do Tapajós, Pará. Elas serão processadas e se transformarão em óleo no recém-construído Ecocentro, uma central multiprocessadora de produtos retirados da floresta. A unidade foi construída com recursos do Fundo Amazônia.
Foto: Nádia Pontes/DW
Quintal amazônico
Na comunidade Jamaraquá, na Flona Tapajós, Donildo Lopes dos Santos extrai o látex da seringueira que cresceu perto de sua casa. Ele remove uma pequena parte da casca e cria as chamadas "estradas de seringa", por onde escorre a seiva. Na parte mais baixa do tronco, um pote plástico recolhe o líquido, que mais tarde é transformado em borracha.
Foto: Nádia Pontes/DW
Biojoias da Amazônia
O látex retirado do quintal e transformado em borracha vira arte nas mãos de Lurdes Melo dos Santos. A artesã faz parte de um grupo de mulheres da comunidade Jamaraquá que fabricam biojoias desde 2004. Sementes de diversas espécies de árvores, como morototó, compõem as peças expostas e vendidas na loja comunitária local. As mulheres testam alternativas para encontrar mais compradores.
Foto: Nádia Pontes/DW
Suraras, as guerreiras
A Associação Suraras do Tapajós foi fundada em 2016 para valorizar as mulheres indígenas e ribeirinhas dessa região da Amazônia. Elas produzem e comercializam artesanato, roupas com estampas etnográficas e comidas tradicionais. Também exibem seus saberes e cultura no carimbó, ritmo típico paraense, em letras escritas pelas suraras – termo que significa “guerreira” na língua dos indígenas borari.
Foto: Nádia Pontes/DW
Tempo de borboletas
As pequenas borboletas amarelas se exibem na beira do rio quando as águas começam a baixar, anunciando a chegada do verão amazônico. Elas estão à procura de minerais para a reprodução. O fenômeno sazonal acontece em quase toda a região. Quando as borboletas surgem em grande quantidade e mais cedo, significa que o verão será intenso, dizem os moradores às margens do Tapajós.