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"Deutsche Bank fica porque Brasil é a economia mais forte"

Cristina Papaleo (pv)29 de outubro de 2015

Decisão é lógica, pois economia brasileira está bem relacionada com Ásia e Europa, além de ser um mercado muito diferenciado, afirma economista. Banco alemão vai se retirar de Argentina, Chile, México, Peru e Uruguai.

Foto: Reuters/T. Melville

No âmbito de uma profunda reestruturação, o Deutsche Bank, maior banco privado alemão, anunciou nesta quinta-feira (29/10) que vai cortar 9 mil postos de trabalho e se retirar de dez países, entre eles Argentina, Chile, México, Peru e Uruguai. O anúncio foi feito em Frankfurt pelo novo copresidente executivo, o britânico John Cryan.

Na América Latina, o Deutsche Bank permanecerá apenas no Brasil. O fechamento de suas subsidiárias na América Latina "não tem que ter necessariamente consequências negativas", segundo o especialista em política econômica e desenvolvimento Federico Foders, do instituto econômico IFW, de Kiel, em entrevista à DW. Segundo ele, o fechamento representa uma oportunidade para bancos locais. "Espero que saibam tirar proveito", salientou.

Apesar das previsões de contração econômica para o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, o fechamento de filiais do Deutsche Bank "não implica uma ameaça para as economias emergentes, especialmente as da América Latina, que se caracterizam pela exportação de matérias-primas", disse Foders.

"Não podemos esquecer, porém, que estamos numa situação em que as taxas de crescimento na América Latina e em outros países emergentes, como Rússia e China, estão mais baixas do que eram entre 2003 e 2009", alertou. O auge das matérias-primas terminou, e a maior parte das economias tem que se reestruturar e passa por um período de crescimento menor, ou até mesmo negativo.

Dentro desse panorama, e no que refere ao fechamento de filiais na América Latina, é preciso destacar que o Deutsche Bank decidiu permanecer no Brasil, avalia o economista. Para ele, isso se deve ao fato de "o Brasil ser a economia mais forte da América Latina e estar bem relacionado com as [economias] da Ásia e da Europa, além de ser um mercado muito diferenciado", onde abundam oportunidades de negócio.

A decisão do banco alemão de permanecer no Brasil é, portanto, lógica, uma vez que o futuro no país tende a se moldar de uma forma muito mais positiva para um banco com essas características, concluiu.

De acordo com o economista, todos os bancos, incluindo o Deutsche Bank, tiveram tempo suficiente para se adaptar ao que está acontecendo na América Latina. "Também as perdas do Deutsche Bank no Brasil têm sido muito altas", observou.

"Na verdade, estou surpreso que o Deutsche Bank tenha levado tanto tempo para perceber a tremenda crise em que se encontra há quase dez anos. Nos últimos anos, o banco sempre pôde disfarçar a crise nos seus balanços, mas agora chegou alguém que disse: 'chega dessa farsa, vamos reduzir e reestruturar o banco e adaptá-lo às condições atuais'."

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