Disputa pelo "chocolate quadrado" chega ao fim na Alemanha
23 de julho de 2020
Multinacional americana que detém a marca Milka queria quebrar o monopólio da firma alemã Ritter Sport no segmento das barras de chocolate quadradas, mas alto tribunal do país rejeitou as ações.
A Ritter Sport passou a vender seus chocolates quadrados em 1932. "Quadrado. Prático. Bom", diz o slogan da empresaFoto: dapd
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A tradicional fabricante alemã de doces Ritter Sport poderá continuar a deter o monopólio das barras de chocolate quadradas entre as grandes firmas no país, segundo uma decisão divulgada nesta quinta-feira (23/07) pelo Tribunal de Justiça Federal da Alemanha (BGH), equivalente ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) do Brasil.
O BGH rejeitou dois pedidos da fabricante Milka, de propriedade da Mondelēz International, que pretendia quebrar a patente alemã da Ritter no segmento das barras quadradas, não muito diferentes dos chocolates Talento, da Garoto, no Brasil.
A decisão encerra uma batalha judicial que se arrastou por dez anos. Inicialmente, a Mondelēz chegou a vencer uma das etapas de um dos processos no Tribunal Federal de Patentes de Munique, mas acabou sofrendo reveses nos tribunais superiores.
A Ritter argumentou que o formato quadrado tinha o mesmo valor do papel roxo para a MilkaFoto: picture-alliance/dpa/P. Endig
No entendimento dos juízes, o formato quadrado não confere nenhuma vantagem competitiva para a Ritter que pudesse influenciar os consumidores a preferirem esse tipo de barra, em detrimento das retangulares. Mas o BGH apontou que os consumidores identificam o formato quadrado com uma firma em particular da qual eles esperam certo tipo de qualidade.
A Ritter argumentava que, para a empresa alemã, a forma quadrada tinha valor equivalente ao da "embalagem roxa" da Milka, que também é uma marca registrada. Já a Mondelēz argumentava que o formato quadrado é "universal" e não poderia ser registrado por uma companhia em particular.
"Por isso era importante para nós ter clareza jurídica sobre se as empresas podem trazer produtos quadrados para o mercado e em que condições", disse a porta-voz da Mondelēz para Europa Central, Heike Hauerken.
Há exceções na Alemanha. A fabricante de chocolates Hosta também produz chocolates quadrados de coco chamados Romy. Mas a Ritter Sport nunca procurou tomar medidas judiciais contra essa empresa, considerando que ela não é um concorrente de peso.
Já a a multinacional americana Mondelēz, com faturamento anual na casa das dezenas de bilhões de dólares e mais de 80 mil funcionários mundo afora, representava um desafio bem maior para a Ritter Sport, que conta 1.500 empregados e fatura pouco menos de 500 milhões de euros por ano.
A Ritter Sport foi fundada em 1912 e está sediada em Waldenbuch, perto de Stuttgart.
O "storytelling" da empresa aponta que o design quadrado nasceu em 1932, depois que a cofundadora Clara Ritter achou que as barras deveriam ser capazes de caber no bolso de uma jaqueta esporte sem quebrar. Nascia a barra quadrada de 100 gramas, fabricada em mais de 30 sabores.
Com o passar dos anos, a empresa também passou a oferecer minibarras quadradas de 16,5 gramas e versões maiores, de 250 gramas. O slogan da Ritter é "Quadratisch. Praktisch. Gut" (Quadrado. Prático. Bom).
O que comem os alemães para adoçar a vida? Do tradicional apfelstrudel ao creme bávaro, conheça alguns doces que você deve provar no país.
Foto: picture-alliance/J. Haas
Rote Grütze
Compota de frutas vermelhas é uma das sobremesas mais queridinhas dos alemães. A receita clássica de Rote Grütze leva framboesa e groselha, mas também podem-se incluir morangos, cerejas, amoras, mirtilos. Doce e azeda na medida certa, a sobremesa costuma ser servida com sorvete de creme, molho de baunilha ou chantilly.
Foto: picture-alliance/J. Haas
Kalter Hund
Esta sobremesa – feita de camadas de bolacha de manteiga e creme de chocolate – chama a atenção por causa do nome, que literalmente significa "cachorro frio". Mas o que a sobremesa tem a ver com o animal? Nada. Na verdade, além de significar cachorro o termo Hund também designa a vagoneta usada em minas, que lembra o formato do doce.
Foto: picture-alliance/dpa/S. Pilick
Creme bávaro
Feito de creme de leite batido, gelatina, gemas, baunilha e açúcar, o creme bávaro é usado como recheio de bolos ou servido com calda de frutas vermelhas. A sobremesa tem consistência firme, entre a de um pudim e uma musse. Apesar de o nome remeter à região da Baviera, no sul da Alemanha, não é clara a origem do creme bávaro, também conhecido como crème bavaroise.
Foto: picture-alliance/dpa/
Apfelstrudel
Popular na Alemanha e na vizinha Áustria, o Apfelstrudel é feito de maçãs, passas e canela, envoltas por uma crosta de massa folhada polvilhada com açúcar de confeiteiro. Costuma ser servido quente, com sorvete ou molho de baunilha. A imperatriz Maria Teresa teria contribuído para a popularização do doce no Império Austro-Húngaro.
Foto: Colourbox/M. Saprunova
Kaiserschmarren
A especialidade austríaca é também muito apreciada na Alemanha. Trata-se de panquecas rasgadas em pedaços e polvilhadas com açúcar. Elas podem ou não conter passas e ser acompanhadas de compota de frutas, como de maçã. Às vezes, o doce é servido como sobremesa, mas há quem diga que é gostoso demais para ser comido em pequena quantidade e concede a ele o status de prato principal.
Foto: picture alliance/chromorange/R. Märzinger
Bratapfel
Maçãs assadas e recheadas são muito apreciadas no inverno alemão, particularmente no período natalino. O recheio pode conter amêndoas, marzipã, nougat, pinoli ou uvas passas, por exemplo. Cravo e canela também são bem-vindos, tornando o aroma da Bratapfel irresistível. A sobremesa pode ser servida com sorvete ou molho de baunilha.
Foto: Fotolia/Barbara Pheby
Milchreis
Semelhante ao nosso arroz doce, o Milchreis (milch=leite e reis=arroz) é bastante apreciado pelos alemães e costuma ser servido com açúcar e canela ou compota de cereja. Enquanto no Brasil prepara-se o arroz com leite condensado, na Alemanha ele é feito apenas com leite, baunilha e pouco açúcar. O curioso é que às vezes os alemães comem Milchreis não como sobremesa, mas como prato principal.
Foto: Colourbox
Erdbeerbecher
Basta começar a temporada de morangos – que na Alemanha vai de maio a agosto –, e os restaurantes e sorveterias do país já incluem suas pomposas taças de morango no cardápio. A fruta vermelha costuma vir acompanhada de sorvete de baunilha e chantilly – preparado com pouquíssimo ou nenhum açúcar.
Foto: picture alliance/dpa/I.Fassbender
Marillenknödel
Esta especialidade da cozinha austríaca e tcheca é bastante apreciada na Alemanha, sobretudo no sul do país. Trata-se de damascos (conhecidos na região da Baviera e na Áustria como Marillen) envoltos numa massa de farinha. As bolinhas (knödel) são cozidas, empanadas em farinha de rosca e polvilhadas com açúcar de confeiteiro.
Foto: picture alliance/dpa/G.Trumler
Waffel
Importado da vizinha Bélgica, o Waffel (ou waffle) é um dos doces favoritos dos alemães. No café da manhã ou da tarde, como sobremesa ou nos mercados de Natal, a massa prensada é muitas vezes servida somente com açúcar de confeiteiro. Mas também há versões com nutella, morango, cereja, calda de frutas vermelhas – muitas vezes acompanhadas de sorvete de baunilha ou chantilly.