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Histórico

Simone de Mello10 de abril de 2007

A "documenta" de Kassel deste ano resgata as origens do evento. A motivação da primeira mostra, realizada em 1955, era suprir as lacunas no conhecimento do público de arte, sem ser uma apresentação cronológica.

Bildgalerie Deutsche Kunst der Nachkriegszeit Documenta im Fridericianum in Kassel am 16. September 1955 Bundespräsident Theodor Heuss
Arnold Bode e presidente Theodor Heuss diante de um quadro de Picasso na 'documenta' 1Foto: dpa

A documenta de Kassel foi realizada pela primeira vez em 1955, a princípio como evento único, com a meta de suprir uma lacuna fundamental na compreensão de arte da Alemanha do pós-guerra: apresentar ao público tudo aquilo que o nazismo havia censurado e perseguido sob o rótulo de "arte degenerada". Isso incluía sobretudo a pintura e a escultura das vanguardas modernas, como o fauvismo, o cubismo, o futurismo e o expressionismo com destaque ao grupo Der Blaue Reiter.

No caso da apreciação da arte atual, um público não especializado também tem lacunas consideráveis – embora hoje não seja a privação de imagens que leve a tal defasagem, mas talvez o excesso de exposição à imagem e a conseqüente dificuldade de se contextualizar a ilimitada produção artística contemporânea. Embora a situação hoje seja bastante diferente do pós-guerra, a concepção da atual documenta se remete às origens do evento.

Prof. Arnold BodeFoto: AP

"A tarefa desta exposição de arte não é reunir uma multiplicidade de obras para expressar tudo aquilo que foi criado na primeira metade do século [20] em diferentes países de uma perspectiva histórica", justificou o designer e professor de arte Arnold Bode sua concepção para a mostra internacional de 1955. "Sua tarefa é, antes de mais nada, informar quais obras, quais inclinações artísticas representam o ponto de partida daquilo que designamos hoje arte contemporânea."

Peso do passado

Em seu texto à primeira revista da documenta 12, o diretor artístico Roger M. Buergel aponta a importância de reconstruir as origens da documenta, "pois olhando mais de perto seu início, perdem-se todas as expectativas e projeções que pesam sobre esta exposição como um saco de pedras".

O que Buergel destaca na concepção de Bode é a apresentação dos precedentes históricos que faltavam ao público alemão. No entanto, o que Bode ressaltara foram as rupturas e a contingência da produção artística moderna, enfocando as obras isoladas e diluindo propositalmente qualquer aparência de continuidade.

"O que se expôs foi o caráter singular de cada obra, cuja fragilidade correspondia tanto à nudez do edifício provisório, mas mesmo tempo espetacular, como à nudez existencial dos visitantes de 1955", escreve Buergel na primeira revista da documenta de 2007.

Arte em fundo provisório

A documenta 1 foi realizada no Fridericianum de Kassel, o primeiro edifício construído especificamente como museu na Europa continental. Bastante afetado pelos bombardeios, o prédio ainda não tinha acabado de ser reconstruído quando se realizou a primeira documenta. As janelas foram vedadas com folhas de plástico; as paredes sem reboco, pintadas de branco, serviram de fundo para as obras expostas.

A mostra de 1955 não foi realizada com a intenção de se tornar um evento cíclico. Talvez pelo fato de ter sido realizada paralelamente à Bundesgartenschau (Buga), uma mostra de paisagismo, a documenta 1 atraiu 130 mil visitantes – um sucesso que certamente inspirou a continuidade do projeto.
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