Economia e migração movimentam campanha na Saxônia-Anhalt
2 de setembro de 2026
A Alemanha olha com grande expectativa para a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, no leste do país, no próximo domingo (06/09), devido ao esperado desempenho do partido da ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), cuja seção estadual é classificada pelo serviço interno de inteligência alemão como "comprovadamente extremista de direita".
A economia é dos grandes temas desta eleição. A taxa de desemprego na Saxônia-Anhalt é mais alta do que a média nacional, e a renda média dos trabalhadores em tempo integral é inferior à registrada no conjunto da Alemanha. Dos cerca de 2,1 milhões de habitantes do estado, pouco mais de 800 mil possuem empregos formais, com contribuição ao sistema de previdência social.
A indústria química é tradicionalmente um dos principais empregadores e um dos setores de maior geração de renda, especialmente no chamado "triângulo químico" em torno das cidades de Leuna, Merseburg e Bitterfeld-Wolfen.
Fabricantes de máquinas e equipamentos, incluindo fornecedores da indústria automobilística, que está em crise, também desempenham um papel importante no setor produtivo.
Já o comércio, o setor de transportes e a hotelaria respondem por cerca de um quinto dos empregos, incluindo muitos ligados ao turismo. As montanhas do Harz, as cidades de Wittenberg e Eisleben, associadas ao reformador protestante Martinho Lutero, bem como Quedlinburg, com seu patrimônio mundial da Unesco, são destinos turísticos importantes.
Crescimento econômico mais lento
A queixa de que os estados do Leste alemão ainda não alcançaram o nível econômico e social dos estados do Oeste parece encontrar respaldo entre os eleitores. Ao defender essa posição, a AfD consegue amplo apoio, especialmente entre os eleitores mais jovens.
Uma das alegações é de que as aposentadorias são menores no Leste do que no Oeste, o que não corresponde mais à realidade. Porém, é verdade que a proporção de aposentados na Saxônia-Anhalt é um pouco maior do que a média nacional. Além disso, muitos aposentados do Leste dependem exclusivamente da aposentadoria estatal, enquanto muitos aposentados do Oeste também contam com previdências privadas.
Também por causa dessa maior proporção de aposentados, o PIB per capita da Saxônia-Anhalt está entre os mais baixos da Alemanha, alcançando apenas cerca de três quartos da média nacional. Além disso, nos últimos anos, a economia do estado tem crescido mais lentamente do que a economia alemã como um todo.
Discurso contra estrangeiros
A migração é outro tema que tem movimentado a campanha eleitoral. A Saxônia-Anhalt ganhou habitantes nos últimos anos, como mostram os dados oficiais.
Desde 2016, o número de estrangeiros que se mudam para o estado é continuamente maior do que o daqueles que o deixam. Há seis anos que o saldo migratório dos cidadãos alemães também é positivo. Em comparação com outras regiões da Alemanha, o estado, porém, tem uma população pequena de estrangeiros.
No fim de 2025, a proporção de estrangeiros na população de Saxônia-Anhalt era de cerca de 9%, ou metade do percentual da Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha.
As alegações de que "os estrangeiros vivem às custas dos contribuintes" não corresponde à realidade. Isso porque a proporção de estrangeiros entre os potenciais beneficiários de auxílios sociais é relativamente baixa na Saxônia-Anhalt se comparada ao restante da Alemanha.
Mas, mesmo que a realidade política e econômica frequentemente divirja do cenário catastrófico apresentado pela propaganda dos partidos extremistas, especialmente da AfD, a tendência de fortalecimento dos partidos radicais se mantém.
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