Em ligação, Putin adverte Trump sobre mísseis na Ucrânia
16 de outubro de 2025
Presidentes da Rússia e dos EUA conversaram por duas horas ao telefone, um dia antes de Donald Trump se encontrar com Zelenski na Casa Branca. A pauta deve ser o envio de mísseis Tomahawk a Kiev.
Ainda sem data prevista, Putin e Trump devem se encontrar em BudapesteFoto: Andrew Harnik/AFP/Getty Images
Anúncio
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da Rússia, Vladimir Putin, conversaram durante duas horas ao telefone nesta quinta-feira (16/10), um dia antes de o mandatário ucraniano, Volodimir Zelenski, encontrar-se com Trump na Casa Branca.
Na ligação, Putin pediu a Trump não ceder os mísseis de fabricação americana Tomahawk a Kiev. O fornecimento do armamento de longo alcance é uma demanda de Zelenski, que o considera decisivo para atingir alvos militares no interior da Rússia.
Segundo o assessor do Kremlin Yuri Ushakov, Putin alertou Trump de que a transferência dos mísseis de cruzeiro Tomahawk à Ucrânia prejudicaria o processo de paz e deterioraria as relações entre Washington e Moscou.
Ushakov também disse que a ligação telefônica ocorreu por iniciativa da Rússia: "Foi uma conversa altamente relevante e, ao mesmo tempo, extremamente franca e confiável", afirmou.
Trump classificou a conversa como "muito produtiva" e disse que deve se reunir com Putin em Budapeste, sem dar maiores informações sobre o encontro.
"O presidente Putin e eu nos encontraremos em um local acordado, Budapeste, Hungria, para ver se podemos pôr fim a essa guerra 'inglória' entre a Rússia e a Ucrânia", escreveu Trump na sua rede social, Truth Social.
Os detalhes da nova cúpula entre Rússia e EUA serão acordados entre o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, nos próximos dias.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, disse em uma publicação no X que os preparativos para as tratativas entre EUA e a Rússia já estão em andamento.
Por que a ONU não consegue garantir a paz no mundo?
10:56
Zelenski ironiza alerta de Putin
Trump também afirmou que vai discutir com Zelenski os apelos do líder russo. "O presidente Zelenski e eu nos encontraremos amanhã, no Salão Oval, onde discutiremos minha conversa com o presidente Putin e muito mais. Acredito que houve um grande progresso com a conversa telefônica de hoje", afirmou Trump.
Anúncio
Um alto funcionário do governo ucraniano disse à agência de notícias AFP que o principal tema do encontro entre Zelenski e Trump, nesta sexta-feira, serão os mísseis Tomahawk, que os EUA não descartam enviar à Ucrânia.
Ao chegar em Washington, o presidente ucraniano ironizou a proposta de Putin em uma publicação no X. "Podemos ver que Moscou está correndo para retomar o diálogo assim que ouve falar dos Tomahawks", disse Zelenski.
O ucraniano também pediu para que o avanço das negociações em Gaza impulsione as tratativas sobre a guerra na Ucrânia.
A Europa está se preparando para o pior?
This browser does not support the audio element.
A potência do Tomahawk
No último fim de semana, Trump disse que discutiria a questão do envio de mísseis Tomahawk à Ucrânia com Putin, mas não fez nenhuma referência de que isso tenha sido de fato abordado ao telefone.
O pedido de Kiev para receber os mísseis de fabricação americana ocorre ao mesmo tempo em que Moscou tem intensificado os ataques à infraestrutura de energia da Ucrânia antes do início do inverno.
O Tomahawk é um míssil de cruzeiro estratégico e tático, subsônico, de longo alcance e alta precisão e que pode ser lançado de diversas rampas de lançamento. Ele é produzido em diferentes versões, podendo transportar ogivas nucleares.
Os mísseis ampliariam a capacidade do exército ucraniano de alcançar alvos mais profundos no território russo e com maior precisão, sem depender exclusivamente do despacho de drones. Variantes do Tomahawk podem atingir pontos a 2,5 mil quilômetros de distância.
gb/gq (AP, AFP, Reuters)
Guerra na Ucrânia completa três anos
Resistência militar, milhões de refugiados, milhares de mortes e o medo da retirada dos EUA: uma retrospectiva do drama no país do Leste Europeu desde a invasão russa em fevereiro de 2022.
Foto: Narciso Contreras/Anadolu/picture alliance
Exército russo se posiciona
Imagens de satélite mostram tanques e tropas russas em Yelnya, na Rússia, perto da fronteira com a Ucrânia. Em 11 de novembro de 2021, o então secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, alertou o presidente russo, Vladimir Putin, sobre os riscos que resultariam caso suas tropas invadissem a Ucrânia. Putin ignorou os alertas e ordenou a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
Foto: Maxar Technologies/AFP
Invasão da Ucrânia
A ofensiva militar russa contra a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022 resultou em ataques com mísseis nas cidades de Kiev, Odessa e Kharkiv. Um prédio militar foi incendiado na capital ucraniana. A guerra, chamada por Moscou de "operação militar especial", havia começado.
Foto: Efrem Lukatsky/AP Photo/picture alliance
O trauma de Bucha
Após algumas semanas, o exército ucraniano expulsou tropas russas das cidades do norte e do nordeste. O plano das forças de ocupação de cercar Kiev fracassou. As atrocidades cometidas pelos militares russos foram reveladas durante a libertação dos territórios. As imagens de civis torturados e mortos em Bucha, perto de Kiev, deram a volta ao mundo. Autoridades registraram 461 mortes.
Foto: Serhii Nuzhnenko/AP Photo/picture alliance
Vida em ruínas
Nos planos de Moscou, a invasão deveria durar três dias e terminar em vitória. De acordo com o Instituto para o Estudo de Guerra, o Kremlin agora controla 20% do território ucraniano, principalmente no leste.
Foto: Sofiia Gatilova/REUTERS
Eleições nos territórios ocupados pela Rússia
Desde setembro de 2022, a Rússia anexou as regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson. Um ano depois, Moscou realizou eleições nas mesmas regiões. O partido Rússia Unida saiu vitorioso em todas as votações, apontadas amplamente como fraudulentas.
Foto: Alexander Ermochenko/REUTERS
Nove milhões em fuga
A guerra na Ucrânia provocou uma onda de refugiados na Europa sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. De acordo com a ONU, 3,7 milhões de ucranianos estão internamente deslocadas no país. Outros seis milhões fugiram da Ucrânia, e a maioria foi acolhida pela Polônia e Alemanha.
Foto: Hannibal Hanschke/Getty Images
Mariupol, símbolo da resistência ucraniana
O cerco à cidade de Mariupol, no sul da Ucrânia, durou 82 dias. A cidade foi fortemente bombardeada e os últimos defensores ucranianos se entrincheiraram na siderúrgica de Azovstal. A foto de uma mulher grávida sendo retirada da maternidade deu a volta ao mundo.
Foto: Evgeniy Maloletka/AP/dpa/picture alliance
Ponte da Crimeia em chamas
Com 19 quilômetros de comprimento, a Ponte da Crimeia é a mais longa da Europa. Explosões danificaram severamente a ponte em outubro de 2022, que ficou apenas parcialmente transitável. Em junho de 2023, um novo ataque causou mais danos. O ministro da Defesa ucraniano admitiu que o serviço secreto do país estava por trás dos ataques.
Foto: Alyona Popova/TASS/dpa/picture alliance
Inundações em larga escala
Em 6 de junho de 2023, a barragem de Kakhovka, no rio Dnipro, foi deliberadamente explodida. A Rússia e a Ucrânia culparam uma à outra. A barragem estava sob controle russo na época. Ocorreram grandes inundações, e milhares perderam suas casas.
Foto: Libkos/AP Photo/picture alliance
Infraestrutura de energia destruída
Os ataques russos têm mirado repetidamente a rede elétrica. Em junho de 2024, o ministro de Energia da Ucrânia anunciou que 80% das usinas térmicas e mais da metade das hidrelétricas haviam sido atacadas. O resultado foram cortes significativos de energia e o agravamento da situação humanitária, principalmente no inverno.
Foto: Sergey Bobok/AFP
Ataques ucranianos em território russo
Em agosto de 2024, as forças armadas ucranianas lançaram uma ofensiva em território russo pela primeira vez. Inicialmente, conseguiram controlar cerca de 1,4 mil quilômetros quadrados na região de Kursk. Desde então, perderam novamente dois terços do território ocupado.
Foto: Roman Pilipey/AFP/Getty Images
Guerra dos drones
Os drones viraram um artefato de guerra central na Ucrânia. Ambos os lados usam os veículos aéreos não tripulados para reconhecimento e vigilância, mas também para ataques direcionados.
Três anos de guerra deixaram marcas profundas na sociedade e no território ucranianos. No leste e no sul, muitas cidades e vilarejos foram severamente devastados pelos ataques russos. Várias se tornaram cidades fantasma, como o vilarejo de Bohorodychne, na região de Donetsk.
Longe do front, os problemas não são imediatamente visíveis. A vida continua para alguns, com lojas, cafés e restaurantes abertos. Geradores de energia viraram um antídoto contra cortes de energias.
Foto: Oleksandr Kunytskyi/DW
Trump, um agente de mudança?
Durante a campanha eleitoral, o então candidato Donald Trump afirmou que poderia acabar com a guerra em 24 horas. Em mais de um mês de mandato, ainda não conseguiu. Entretanto, sua aproximação com a Rússia e o simultâneo distanciamento da Ucrânia geraram preocupações crescentes entre ucranianos sobre a possibilidade de a guerra terminar em breve sob termos ainda desconhecidos.