Papa pede que fiéis não se deixem paralisar pela guerra
5 de abril de 2026
Em vigília pascal, Leão 14 exortou os católicos a não se deixarem vencer "pela guerra, a injustiça e o isolamento entre povos e nações".
Na cerimônia, Leão 14 gravou no Ciro Pascal uma cruz, a primeira e a última letra do alfabeto grego (alfa e ômega) e os numerais do ano correnteFoto: Guglielmo Mangiapane/REUTERS
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O papa Leão 14 exortou no sábado (04/04) os católicos a não se deixarem paralisar "pela guerra, a injustiça e o isolamento entre povos e nações", na Basílica São Pedro, no Vaticano, ao presidir pela primeira vez a homilia na Vigília Pascal, um dos momentos mais solenes da Semana Santa.
Na cerimônia, realizada na Basílica de São Pedro, o pontífice lembrou que a chamada "mãe de todas as vigílias" revive "a memória da vitória do Senhor da vida sobre a morte e o inferno".
"Esta noite santa também está enraizada no lugar onde ocorreu a primeira falha da humanidade e se estende através dos séculos como um caminho de reconciliação e graça", disse o papa, recordando a morte e ressurreição de Jesus Cristo: "O homem pode matar o corpo, mas a vida do Deus de amor é a vida eterna, vai além da morte e nenhum túmulo pode aprisioná-la."
"Não faltam túmulos a serem abertos"
A este respeito, lamentou que "não faltam túmulos a serem abertos em nossos dias, e muitas vezes as pedras que os selam são tão pesadas e tão bem guardadas que parecem imóveis. Algumas oprimem o coração humano, como a desconfiança, o medo, o egoísmo e o ressentimento; outras, consequência das primeiras, rompem os laços entre nós, como a guerra, a injustiça e o isolamento entre povos e nações".
Cerimônia começou em Basílica de São Pedro escura e silenciosa, com o rito da bênção do fogo e o acendimento do Círio Pascal.Foto: Guglielmo Mangiapane/REUTERS
"Não nos deixemos paralisar!", exclamou o pontífice, destacando o exemplo de muitos homens e mulheres, "pessoas como nós, fortalecidas pela graça do Senhor Ressuscitado", que ao longo dos séculos moveram essas pedras, mesmo ao custo de suas vidas, "mas com frutos de bem dos quais ainda hoje nos beneficiamos".
O papa de cidadania peruana nascido nos EUA presidiu pela primeira vez em seu pontificado a Vigília do Sábado Santo, uma das mais longas da tradição católica, que começou em uma Basílica de São Pedro completamente escura e silenciosa, com o rito da bênção do fogo e o acendimento do Círio Pascal.
Num gesto carregado de simbolismo, Leão 14 marcou a vela com as letras gregas alfa e ômega, simbolizando que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas.
A partir desse momento, uma procissão seguiu em direção ao altar-mor, enquanto a basílica era gradualmente iluminada pelas velas dos fiéis, acesas pela chama do Círio Pascal.
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Leão 14 cumpriu todos os ritos
Na primeira Semana Santa de seu papado, Leão 14 presidiu até agora todos os ritos planejados, após anos de mudanças e ausências devido aos problemas de saúde de seu antecessor, o falecido papa Francisco.
A programação da Semana Santa culmina neste domingo com a Missa de Páscoa na Praça de São Pedro e a tradicional bênção 'Urbi et Orbi' (à cidade e ao mundo), que o papa concede tradicionalmente da varanda central da Basílica Vaticana.
Leão 14 já tinha aproveitado outras cerimônias da Semana Santa, como a Via Sacra da Sexta-Feira Santa no Coliseu de Roma, para exortar os católicos a não ficarem indiferentes perante os conflitos da atualidade.
md (Lusa, EFE, AFP)
Cada país tem tradições próprias para celebrar esta festa, e os costumes são espantosamente diferentes. Alguns acendem fogueiras, outros comemoram jogando água ou caminham encapuzados pelas ruas.
Foto: Lida Seifi
Por onde andam os coelhos?
Na Alemanha, o coelho traz os ovos coloridos de Páscoa e os esconde no jardim. No domingo, as crianças devem então procurá-los. Algum tempo antes, ovos vazios são pendurados em galhos de árvores para anunciar a temporada da Páscoa. Esse costume foi registrado primeiramente por escrito no ano de 1662. Provavelmente, o coelho está relacionado, assim como os ovos, com a fertilidade.
Foto: Kzenon/Fotolia
"Guerra" de água na Polônia
Os poloneses gostam de comemorar o feriado ensopados! Eles saem com baldes e até pistolas de água jogando água uns nos outros. Acredita-se que o costume conhecido como "Smingus-Dyngus" relembre o batismo do príncipe Mieskzo 1º no ano de 966. Ele foi o responsável por levar o cristianismo à Polônia.
Foto: picture-alliance/dpa/dpaweb
Perdão na Espanha
Na Semana Santa, em diversas cidades do país, acontecem procissões entre o Domingo de Ramos e o Domingo de Páscoa. Os penitentes caminham descalços, vestem capuzes pontudos, máscaras e hábitos. A cruz, muitas vezes também imagens de Jesus e Maria, são carregadas pelas ruelas à noite.
Foto: picture-alliance/dpa
Carícias inglesas
Na Sexta-feira Santa, os ingleses são comedidos nas refeições. Há os tradicionais pãezinhos de uva passa, conhecidos como "Hot Cross Buns" (bolinhos de cruz quentes). Além disso, galhos são enfeitados com ovos de Páscoa. Os ingleses gostam de tocar uns aos outros com os galhos porque acreditam que isso traz sorte.
Foto: picture-alliance/dpa/dpaweb
Silêncio e quietude
Na Itália, assim como na Espanha, não se procura os ovos de Páscoa. Para comemorar, as pessoas saem em procissão. Os fieis silenciam enquanto a cruz é carregada pelas ruas, relembrando o sofrimento de Jesus. No domingo, as pessoas escutam a bênção do Papa na Basílica de São Pedro, pronunciada em mais de 60 línguas.
Foto: picture-alliance/dpa
Tortas salgadas na Itália
Enquanto na Alemanha se come muito chocolate durante a Páscoa, os italianos preferem os pratos salgados. Tradicional é a torta à base de ovos e espinafre. Além desta clássica guloseima, conhecida como "Torta di Pasquett", costuma-se servir também um bolo em forma de pomba, a "colomba pascal".
Foto: picture-alliance/dpa
Sinos mudos
Na França, as crianças procuram por doces e ovos de Páscoa só na segunda-feira. Da quinta-feira até o sábado nenhum sino deve badalar. E quando os sinos finalmente tocam no domingo, há abraços e beijos para celebrar.
Foto: picture-alliance/dpa
Varas e fogueira
Na Finlândia, há surras com varinhas na Páscoa. Mas só de leve! Isso serve para relembrar que Jesus foi ovacionado com folhas de palmeiras em Jerusalém. No domingo, as crianças saem às ruas com tambores e cornetas e finalizam o período do luto. Assim como na Alemanha, acende-se também uma fogueira de Páscoa.
Foto: picture-alliance/dpa/dpaweb
Ovos mágicos na Rússia
Em muitos países ao leste e sudeste da Europa, comemora-se a Páscoa ortodoxa – como, por exemplo, na Romênia, Grécia e Rússia. Tradicionais por lá são os ovos pintados em vermelho. Acredita-se que eles tenham uma forca mágica: trazem felicidade e saúde.
Foto: picture-alliance/dpa
Doce cordeiro
O bolo que chega assado às mesas alemãs em forma de cordeiro remete ao ritual de tradição judaica, de saborear o animal durante a festividade. O cristianismo absorveu o simbolismo do sacrifício do cordeiro, comparando-o com o sofrimento de Jesus, que morreu na cruz pela humanidade. A vela de Páscoa é presente tanto na tradição cristã como na judaica e representa a vida.