Maior parte dos 10 milhões de ingressos para evento esportivo já foi vendida. Um desafio gigantesco para a capital francesa, em termos de infraestrutura e segurança. Participação de Rússia e Belarus é pomo da discórdia.
Acesa a chama olímpica em templo na cidade grega de Olímpia, de 2.600 anosFoto: Alkis Konstantinidis/REUTERS
Anúncio
A contagem regressiva começou: nas ruínas do Templo de Hera, na antiga cidade de Olímpia, no sudoeste da Grécia, com 2.600 anos de existência, foi acesa nesta terça-feira (16/04) a chama olímpica para os Jogos de Paris. De 26 de julho a 11 de agosto, apresentam-se na metrópole europeia 10.500 atletas de 32 categorias, vindos de 206 países.
Quais são as precauções de segurança?
Estarão diariamente de prontidão até 45 mil policiais e gendarmes, assim como 18 mil soldados e 20 mil seguranças particulares. Além disso, mais de 2 mil policiais estrangeiros observam os Jogos Olímpicos, entre os quais agentes da Polícia Federal da Alemanha. Após o atentado por terroristas islamistas em Moscou, em fins de março, com mais de 140 mortos, também na França vigora alerta máximo antiterrorismo.
A cerimônia de abertura já será um gigantesco empreendimento logístico para as forças de segurança: estima-se que mais de 300 mil espectadores vão assistir aos esportistas atravessarem seis quilômetros da metrópole sobre o rio Sena, em 160 barcos.
"Podemos fazê-lo e vamos fazê-lo", declarou o presidente Emmanuel Macron. Caso se anuncie uma ameaça terrorista aguda, há planos alternativos na gaveta, como realizar a festa de abertura num estádio esportivo.
Como os Jogos Olímpicos vão afetar o dia a dia parisiense?
A incerteza da situação mundial – sobretudo com a guerra de agressão russa na Ucrânia e a ameaça de escalada no Oriente Médio – compromete o entusiasmo em torno dos Jogos Olímpicos. Ainda assim, a capital francesa se prepara para receber mais de 15 milhões de visitantes. Já foram vendidos quase 8 milhões de ingressos para os diferentes eventos, dos 10 milhões disponíveis.
Capital francesa se prepara para receber cerca de 15 milhões de turistasFoto: Guillaume Baptiste/AFP/Getty Images
A infraestrutura parisiense será testada até o limite. Clément Beaune, até a reformulação do governo em janeiro de 2024 ministro dos Transportes, classificou como "hardcore" os planos para organizar a mobilidade. De fato, haverá diversas barricadas de segurança e desvios, sobretudo em torno da Torre Eiffel e da Praça da Concórdia, no centro da cidade. Algumas estações de metrô ficarão fechadas.
O fato de que os bilhetes de metrô custarão o dobro do preço normal durante o torneio não contribui para o entusiasmo dos moradores em relação aos Jogos. Numa enquete do instituto Odoxa, 44% dos parisienses classificaram o acolhimento do evento esportivo como "uma coisa ruim".
Anúncio
Rússia e Belarus participam dos Jogos Olímpicos 2024?
Em dezembro de 2023, o Comitê Olímpico Internacional (COI) liberou com restrições a participação de atletas individuais da Rússia e de Belarus, que deverão concorrer sob bandeira neutra. Times não são permitidos.
Os hinos nacionais de ambos os países não serão executados; bandeiras e outros símbolos nacionais estão proibidos; os participantes ativos estão excluídos da cerimônia de abertura. Além disso, não podem ter conexões com as Forças Armadas ou órgãos de segurança, nem ter manifestado apoio ativo à invasão da Ucrânia.
Segundo o COI, até agora só se qualificaram 12 russos e cinco belarussos – números que poderão chegar a até 36 e 22, respectivamente. Em Tóquio 2021, havia 330 russos e 104 belarussos. Na semana anterior ao acendimento da chama olímpica, a Ucrânia exigiu mais uma vez a total exclusão da Rússia e Belarus.
Jogos Olímpicos em 2021 foram um sucesso, apesar da pandemia de covid-19Foto: Dylan Martinez/Getty Images
Que pressões pesam sobre o COI devido à decisão sobre Rússia e Belarus?
"Sim, é possível competir duro e, ao mesmo tempo, conviver pacificamente sob o mesmo teto", comentou o presidente do COI, Thomas Bach, na antiga cidade grega, ao acender a chama olímpica para os Jogos de Paris.
Apesar de enfatizar sem cessar os efeitos do esporte para a amizade entre os povos, o próprio dirigente alemão está atravessando tempos turbulentos, pois as decisões do COI sobre Rússia e Belarus o expuseram a hostilidades de diversos lados.
Uma porta-voz do Ministério russo do Exterior o acusou de "racismo e nazismo"; enquanto o ministro ucraniano do Exterior, Dmytro Kuleba, alega que o Comitê teria dado ao Kremlin "luz verde para usar os Jogos Olímpicos como arma". E a ONG alemã Sociedade para os Povos Ameaçados tachou Bach de "dinossauro incapaz de aprender".
O COI dá total respaldo a seu presidente, rechaçando as críticas. Como o mandato de Bach se encerra em 2025, estes seriam seus últimos Jogos. Alguns membros da organização reivindicam uma alteração dos estatutos, para que o alemão de 70 anos possa continuar chefiando por mais quatro anos. Ele próprio disse que só decidirá depois do evento em Paris.
Os Jogos tiveram mascotes a partir de 1972, em Munique. Animais e figuras reais ou fantasiosas representam cada edição e motivam atletas e espectadores.
Foto: kyodo/dpa/picture alliance
Munique 1972: cão-salsicha Waldi
A primeira mascote da história dos Jogos Olímpicos foi o dachshund (cão-salsicha) Waldi. O famoso designer alemão Otl Aicher, que o concebeu para Munique 1972, escolheu esta raça canina porque ela se caracteriza pela resistência, tenacidade e agilidade, atributos importantes dos atletas.
Foto: picture-alliance/dpa/A. Weigel
Montreal 1976: o castor Amik
O castor preto Amik representa, para os canadenses, trabalho árduo. O nome significa castor na língua algonquin, a mais difundida entre os indígenas canadenses. A escolha pelo animal, nativo do Canadá, se deveu a características importantes para um atleta: paciência e trabalho duro para construir as barragens onde vive.
Foto: Sven Simon/imago
Moscou 1980: o urso Misha
Em 1980, os Jogos em Moscou tiveram o animal nacional da Rússia como mascote. Ele foi concebido pelo caricaturista e ilustrador de livros infantis russo Viktor Chizhikov, que alcançou fama internacional com Misha. A imagem da mascote chorando na cerimônia de encerramento emocionou o mundo.
Foto: Sven Simon/imago
Los Angeles 1984: a águia Sam
Outro animal símbolo nacional: a águia Sam. Idealizado pelo desenhista Robert Moore, dos estúdios Disney, o animal tinha um chapéu cartola e gravata borboleta nas cores da bandeira dos Estados Unidos.
Foto: Tony Duffy/Getty Images
Seul 1988: o tigre Hodori
Nos Jogos na capital da Coreia do Sul, o escolhido foi o tigre Hodori, um animal enraizado na cultura e mitologia coreanas, e que representa vigor e espírito de luta. Em sua cabeça, a mascote usa um sangmo, chapéu típico de músicos populares sul-coreanos. Seu criador foi Kim Hyun. O nome é uma mistura de horangi, que significa tigre, e dori, diminutivo de garoto.
Foto: Sven Simon/imago
Barcelona 1992: o cão pastor Cobi
A mascote espanhola idealizada pelo designer Javier Mariscal no estilo do cubismo foi uma homenagem ao pintor espanhol Pablo Picasso. O nome vem do comitê organizador dos Jogos de Barcelona.
Foto: Pressefoto Baumann/imago
Atlanta 1996: Izzy
Izzy foi a primeira mascote olímpica que não representava um animal típico do país. O designer americano John Ryan criou uma criatura puramente imaginária. O difícil era dizer do que se tratava, tanto que o nome é uma abreviação de "Whatizit", forma informal da pergunta "What’s it?" (O que é isso?, em inglês).
Foto: Michel Gangne/AFP/Getty Images
Sydney 2000: Olly, Syd e Millie
Pela primeira vez, os Jogos tiveram três mascotes numa edição. Criadas pelo designer Matthew Harton, elas representam animais nativos australianos. Olly, cujo nome vem de Olimpíada, é um pássaro kookaburra; Syd, versão reduzida de Sydney, é um ornitorrinco; e Millie, batizada em homenagem ao novo milênio, é um equidna, espécie de porco-espinho.
Foto: Arne Dedert/dpa/picture-alliance
Atenas 2004: Athena e Phevos
As mascotes dos Jogos Olímpicos de Atenas foram uma homenagem à mitologia grega. Athena e Phevos receberam os nomes de irmãos do Olimpo. Athena era a deusa da sabedoria e deu o nome à cidade onde se realizaram os Jogos. Phevos era o outro nome de Apolo, deus da luz e da música. A inspiração para o desenho, feito por S. Gogos, foi uma "aitala", boneca de terracota encontrada em escavações.
Foto: Alexander Hassenstein/Bongarts/Getty Image
Pequim 2008: Beibei, Jingjing, Huanhuan, Yingying e Nini
Os Jogos na capital chinesa tiveram cinco mascotes, cada um numa cor dos anéis olímpicos: Beibei, um peixe; Jingjing, um panda; Huanhuan, o fogo olímpico; Yingying, um antílope tibetano; e Nini, uma andorinha. Os nomes foram derivados de "Beijing huanying ni", que significa "Pequim lhe dá as boas-vindas".
Foto: Kazuhiro Nogi/AFP/Getty Images
Londres 2012: Wenlock e Mandeville
Wenlock e Madeville – esta última mascote dos Jogos Paralímpicos – lembram gotas de aço. Elas têm na cabeça um escudo laranja que lembra os sinais luminosos sobre os táxis ingleses. O olho, uma câmera, simboliza a era digital. Um nome vem de Much Wenlock, que teria inspirado o Barão de Coubertin a criar os Jogos da Era Moderna, e o outro vem de Stoke Mandeville, berço do Movimento Paralímpico.
Foto: Julian Finney/Getty Images
Rio 2016: Vinícius e Tom
A mascote Vinícius é uma mistura de macaco e gato selvagem e representa a fauna brasileira. Já a mascote paralímpica Tom combina várias plantas e representa a flora brasileira. Os nomes foram inspirados em Vinícius de Moraes e Tom Jobim.
Foto: Sebastiao Moreira/dpa/picture alliance
Tóquio 2020: Miraitowa e Someity
Miraitowa significa "futuro" (mirai) e "eternidade" (towa), em japonês. O projeto do artista Ryo Taniguchi foi escolhido por estudantes japoneses e combina futurismo com o tradicional estilo mangá. Já Someity, mascote dos Jogos Paralímpicos, mistura o termo "Someiyoshino", um tipo popular de flor de cerejeira, e a expressão "so mighty" (tão poderoso, em inglês).
Foto: picture-alliance/Kyodo/Maxppp
Paris 2024: os barretes Les Phryges
As mascotes dos Jogos de Paris também vêm em dupla: Les Phryges, em versão olímpica e paralímpica. Sua forma é inspirada no barrete frígio, "uma peça de vestuário que é um simbolo de liberdade, tem sido parte de nossa história há séculos e data a tempos remotos", "um símbolo de revoluções" e onipresente na França, explica o website do evento.