Espanha vai regularizar situação legal de 500 mil migrantes
14 de abril de 2026
Governo de Pedro Sánchez aprova medida para conceder autorizações de residência e trabalho a milhares de pessoas que já estão no país e não têm antecedentes criminais. Iniciativa conta com apoio da Igreja.
Medida beneficiará quem já está no país desde antes de 1º de janeiro, além de outras exigênciasFoto: Emilio Morenatti/AP Photo/picture alliance
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O governo da Espanha aprovou nesta terça-feira (14/04) uma regulamentação extraordinária para conceder autorizações de residência e trabalho a cerca de meio milhão de migrantes em situação irregular que já se encontram no país.
Muitos são imigrantes latino-americanos que trabalham nos setores agrícola, turístico ou de serviços, pilares da economia espanhola em expansão.
A regularização reconhece os direitos de pessoas que já vivem na Espanha e que já "contribuem para a prosperidade e coesão" do país, afirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, em uma coletiva de imprensa em Pequim, onde se encontra em visita oficial.
Sánchez defendeu a decisão de seu governo, que vai na contramão de outros países que vem limitando a migração, como um ato de justiça e de necessidade, uma vez que servirá para aliviar a escassez de mão de obra no país.
A reforma deverá ser legalizada através de um decreto real, uma vez que não requer votação no Parlamento, já que se trata de uma alteração da lei existente.
A iniciativa foi solicitada por um grande número de organizações humanitárias e conta com o apoio da Igreja Católica e de líderes empresariais.
Regularização por justiça e necessidade
Em carta à população assinada nesta terça-feira, Sánchez afirma que esta medida é um ato de "normalização" ao reconhecer a realidade de quase meio milhão de pessoas que já fazem parte do cotidiano dos espanhóis, cuidando de idosos, trabalhando para garantir o sustento de suas famílias e abrindo negócios.
Segundo o premiê, é também um ato de justiça para com os antepassados dos espanhóis que emigraram para a América e a Europa em busca de uma vida melhor, e para com os muitos jovens que foram forçados a partir após a crise de 2008.
"Reconhecemos os direitos, mas também exigimos obrigações", disse o premiê espanhol, Pedro SánchezFoto: Cristina Quicler/AFP/Getty Images
Essas pessoas, segundo escreveu, ajudaram a construir as sociedades que os acolheram e contribuíram para a modernização da Espanha.
Sánchez disse se tratar ainda de uma necessidade, já que a Espanha, "como outros países europeus, está envelhecendo", e sem mais pessoas trabalhando e contribuindo para o sistema, sua prosperidade diminui, sua capacidade de inovação enfraquece e seus serviços públicos – como saúde, previdência, educação – sofrem as consequências.
Ele reiterou a posição de seu governo de que as pessoas que já vivem e trabalham no país de 49 milhões de habitantes devem "fazê-lo em igualdade de condições" e pagar impostos. "Reconhecemos os direitos, mas também exigimos obrigações", escreveu Sánchez nas redes sociais.
Na Espanha, milhares de pessoas que entraram no país irregularmente trabalham em setores com alta demanda de mão de obra, como agricultura e cuidados.
Quem poderá se beneficiar com a nova regra
Serão beneficiados pela medida os migrantes que já estão na Espanha desde antes de 1º de janeiro e que já tenham acumulado cinco meses de residência ininterrupta no país, além de não possuírem antecedentes criminais, entre outras condições.
Quem desejar regularizar sua situação migratória poderá se inscrever em um portal de internet a partir de 16 de abril e, no mesmo dia, agendar um atendimento presencial. A ministra espanhola da Inclusão, Segurança Social e Migração, Elma Saiz, disse que formalização presencial da solicitação só poderá ser feita a partir de 20 de abril.
Segundo a ministra, até 30 de junho serão instalados postos de atendimento da Segurança Social e dos Correios em todo o país para receber as solicitações. O governo pretende responder a todos os pedidos em até dois meses e meio, independentemente da origem.
Contudo, uma greve por tempo indeterminado anunciada nos escritórios de imigração a partir de 21 de abril, em protesto contra a falta de participação dos trabalhadores no processo, poderá prejudicar os planos do governo.
Além disso, os principais sindicatos policiais criticam o fato de o processo de regularização ter sido aprovado sem a participação dos profissionais de segurança, com um procedimento terceirizado que, segundo alertam, aumenta os riscos de fraude, erros ou deficiências na verificação da identidade e dos antecedentes dos solicitantes.
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Oposição critica medida
O Partido Popular (PP), a principal legenda de oposição na Espanha, rejeitou o novo processo de regularização por considerá-lo "desumano" e "injusto": O líder da legenda, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que a medida "alimenta o crime organizado".
Ministra espanhola da Inclusão, Segurança Social e Migração, Elma SaizFoto: Alejandro Martínez Vélez/Europa Press/IMAGO
Ele disse ainda que a regularização é insegura devido a uma insuficiência de controle de e de exigências. Feijóo também considerou a medida vai contra o Pacto Europeu para Migração e Asilo, apoiado pela maioria no Parlamento Europeu.
O partido Vox, de extrema-direita, lançou na terça-feira uma campanha de conscientização sobre as consequências da imigração "em massa" e contra o decreto de regularização, anunciando que recorrerá ao Supremo Tribunal para solicitar sua suspensão provisória.
Apoio da Igreja
Ao mesmo tempo, organizações da Igreja Católica, como a Cáritas, pediram nesta terça-feira que o governo assegure que o processo de regularização possa alcançar todos os estrangeiros potencialmente elegíveis.
Segundo as entidades, a situação migratória irregular coloca as pessoas em uma situação de "alta vulnerabilidade", pois "limita severamente seu acesso a direitos básicos e as expõe a múltiplas formas de discriminação", enquanto a regularização lhes permite "escapar das incertezas".
A economia espanhola é uma das que mais crescem na União Europeia (UE), e o governo Sánchez considera que os migrantes contribuem significativamente para isso.
rc (EFE, dpa)
O mês de abril em imagens
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Brendan McDermid/REUTERS
Guerra no Sudão entra no quarto ano
A guerra no Sudão completou três anos com ao menos 59 mil mortos. Cerca de 34 milhões precisam de ajuda humanitária. Uma conferência internacional em Berlim levantou 1,5 bilhão de dólares (R$7,49 bilhões) para ajudar civis. Um plano das Nações Unidas pretende prestar assistência a 14 milhões de pessoas, mas requer 2,2 bilhões de dólares (R$11 bilhões) em financiamento. (15/04)
Foto: Lino Ginaba/Anadolu/picture alliance
Espanha aprova regularização em massa de migrantes
O governo espanhol vai conceder autorizações de residência e trabalho a cerca de meio milhão de migrantes em situação irregular que já se encontrem no país e acumulem cinco meses de residência, além de não possuírem antecedentes criminais, entre outras condições. Trata-se de uma questão de justiça e necessidade, disse o premiê Pedro Sánchez em Pequim, durante uma visita oficial. (14/04)
Foto: Andres Martinez Casares/REUTERS
Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos EUA
Ex-chefe da Abin no governo Bolsonaro foi detido por questões migratórias. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira, depois de fugir para os EUA. O deputado cassado havia sido condenado a 16 anos de prisão pela 1ª Turma do STF no processo da trama golpista. Segundo a PF, a prisão é "fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado". (13/04)
Foto: EVARISTO SA/AFP/Getty Images
Hungria vota para saída de Órban, depois de 16 anos no poder
Apoiadores do partido pró-europeu Tisza comemoraram em Budapeste a vitória nas urnas naquelas que foram consideradas as eleições mais importantes da era pós-soviética. O Tisza, do conservador Péter Magyar, conseguiu mais de dois terços dos assentos no Legislativo, impondo uma derrota expressiva para o primeiro-ministro ultranacionalista Viktor Orbán, que governava a Hungria havia 16 anos. (12/04)
Foto: Marton Monus/REUTERS
Primeira missão a ir à Lua em mais de meio século retorna à Terra
Os quatro astronautas a bordo da Artemis 2, da Nasa, retornaram à Terra depois de sobrevoarem a Lua na primeira missão tripulada a se aproximar do satélite em mais de 50 anos. A imagem acima mostra o momento em que a cápsula Órion é separada do módulo, antes de entrar na atmosfera terrestre e atingir temperaturas extremas. A Órion aterrissou no Pacífico, e os astronautas foram resgatados. (11/04)
Foto: NASA/AP Photo/dpa/picture alliance
Mais de 250 cães são resgatados em casa no Reino Unido
Uma foto mostrando mais de 250 cães mestiços de poodles vivendo em uma única casa no Reino Unidos foi divulgada pela Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA). Os animais, que viviam em condições precárias, foram resgatados no início do ano pela organização, que acolheu 87 deles e encaminhou os restantes para a instituição de bem-estar canino Dogs Trust. (10/04)
Foto: RSPCA (Royal Society for the Prevention of Cruelty ton Animals)
Igreja Ortodoxa dá início às comemorações da Páscoa
Fiéis compareceram à liturgia na Catedral Apóstolo Barnabé, em Nicósia, capital do Chipre, para celebrar a Quinta-Feira Santa, que marca o início da Páscoa segundo o calendário da Igreja Ortodoxa. As comemorações da ressurreição de Jesus vão até o domingo, em data distinta da Igreja Católica Apostólica Romana. (09/04)
Foto: Yiannis Kourtoglou/REUTERS
Bombardeios de Israel no Líbano põem cessar-fogo no Irã em dúvida
País viveu seu pior dia desde o início do conflito entre Israel e a milícia libanesa Hezbollah, aliada do Irã. Ataques deixaram mais de 200 mortos e 1,1 mil feridos, segundo autoridades locais. Teerã ameaçou desistir de cessar-fogo caso bombardeios não cessem, e apertou controle sobre o Estreito de Ormuz. (08/04)
Foto: REUTERS
EUA e Irã confirmam cessar-fogo de duas semanas
Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão dos ataques condicionada à abertura do Estreito de Ormuz e disse que Irã apresentou plano de paz "viável". Teerã confirmou negociações em Islamabad e disse que reabrirá a rota marítima, mas sob controle militar. Anúncio ocorre horas antes de vencer "ultimato" de Trump e fez despencar os preços do petróleo. (07/04)
Foto: Mandel Ngan/AFP
Artemis 2 quebra recorde histórico de distância da Terra
A tripulação da missão lunar Artemis 2 viajou mais longe da Terra do que qualquer outro ser humano jamais viajou, anunciou a agência espacial americana Nasa. Os quatro astronautas quebraram o recorde da tripulação da Apollo 13, cruzando a marca de cerca de 400.171 quilômetros estabelecida pela missão de 1970. (06/04).
Foto: NASA/UPI Photo/Newscom/picture alliance
Em sua 1º missa de Domingo de Páscoa, papa Leão 14 faz apelo por paz
O papa Leão 14 fez um apelo por esperança diante da violência da guerra "que mata e destrói" e da "idolatria ao lucro" que saqueia os recursos da terra, em sua primeira missa de Domingo de Páscoa, que reuniu uma multidão na Praça de São Pedro, no Vaticano. (05/04)
Foto: Simone Risoluti/Vatican Media/REUTERS
Missão Artemis 2 supera metade da rota até a Lua
A a tripulação da nave Orion, da Nasa, ultrapassou a metade do caminho entre a Terra e a Lua, um marco que transforma os quatro astronautas da missão Artemis 2 nos primeiros humanos a saírem da órbita do nosso planeta desde que a tripulação da Apollo 17 viajou à Lua, em 1972. (04/04)
Foto: NASA TV/Handout/REUTERS
Irã abate dois aviões militares dos EUA
Forças iranianas abateram dois aviões militares dos Estados Unidos. Primeiro, um caça F-15 foi abatido sobre os céus do Irã, levando os americanos a montar uma missão para resgatar a tripulação. Pouco depois, um avião A-10, que participava da ação, foi abatido e o piloto se ejetou. Um helicóptero que tomou parte da ação também foi alvejado. (03/04)
Foto: Ben Walker/CATERS/SIPA/picture alliance
Ucrânia inaugura escolas subterrâneas em meio à guerra
Uma nova escola subterrânea foi inagurada em Balakliia, cidade próxima à zona de combate e à fronteira com a Rússia, na região de Kharkiv. Cerca de 600 crianças de duas escolas vão estudar no local, que fica totalmente abaixo do solo. Um policial estará presente durante todo o dia, enquanto os professores de plantão serão responsáveis por receber e acompanhar as crianças na saída. (02/04)
Expectativa para o lançamento de missão que levará astronautas à Lua
O sol raiou durante grande parte do dia na base de lançamento da Nasa em Cabo Canaveral, na Flórida (EUA). O foguete SLS e a cápsula Orion esperavam os últimos ajustes para dar enfim o pontapé inicial da missão Artemis 2, a primeira tripulada à Lua, mais de 53 anos após a Apolo 17, em 1972. A viagem deve durar 10 dias e servir como teste para próximas missões ao satélite terrestre. (01/04)