1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
HistóriaEgito

Estudo reescreve a história do Templo de Karnak, no Egito

11 de outubro de 2025

Novas descobertas desafiam o que arqueólogos pensavam saber sobre um dos templos mais visitados do mundo. Quando o complexo realmente começou a ser usado?

Pessoas caminham por entre colunas do Templo de Karnak, no Egito.
Mito da criação egípcia coincide com a geografia real do templo dedicado ao deus Amom-RáFoto: Mohamed Shokry/TheMiddleFrame/picture alliance

Uma equipe internacional de cientistas recriou a paisagem ribeirinha do Templo de Karnak, no Egito, estabelecendo com maior precisão o tempo de ocupação do complexo, considerado Patrimônio Mundial da Humanidade e que atrai milhões de turistas todos os anos.

Considerado o estudo geoarqueológico mais abrangente até então sobre o templo, a pesquisa revela ligações sugestivas com a mitologia egípcia e novas descobertas sobre a interação entre o Rio Nilo e os povos que ocuparam o local durante seus quase 3 mil anos de uso.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Antiquity.

Estudo revela nova cronologia de Karnak

Participaram do estudo pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, e da Universidade de Uppsala, na Suécia. A equipe analisou 61 núcleos de sedimentos do interior e do entorno do templo e milhares de fragmentos de cerâmica encontrados no complexo, localizado 500 metros a leste do atual Rio Nilo, perto de Luxor, na antiga capital religiosa egípcia de Tebas.

A ilha emergente no Rio Nilo lançou as bases para a construção inicial do complexo de Amon-RáFoto: Frank Fell/robertharding/picture alliance

A partir dessas evidências, pesquisadores mapearam como a paisagem ao redor do local mudou ao longo de sua história e descobriram que, antes de 2520 a.C., o local não poderia ter sido adequado para ocupação permanente devido às inundações periódicas causadas pelas fortes correntes do Nilo. A ocupação mais antiga de Karnak, portanto, foi situada durante o Império Antigo (entre 2591 e 2152 a.C.).

Fragmentos de cerâmica confirmam datação do Império Antigo

A descoberta foi corroborada pelos fragmentos de cerâmica encontrados no sítio arqueológico, com o mais antigo datando entre 2305 e 1980 a.C. Dessa forma, as conclusões da equipe internacional de pesquisadores fornecem novas evidências sobre a "idade" de Karnak, um tópico há décadas debatido nos círculos de arqueólogos.

Segundo o estudo, algumas linhas de pesquisa acreditavam que o templo poderia ser ainda mais antigo, com ocupação predinástica, e outras sustentavam que egípicios utilizaram o local a partir do Primeiro Período Intermediário (2152 a.C. a 1980 a.C.).

O solo sobre o qual o templo foi fundado se formou quando os canais dos rios avançaram para oeste e leste, criando uma ilha de terreno elevado no que hoje é a região leste-sudeste do local. Essa ilha emergente lançou as bases para a ocupação e a construção inicial de Karnak.

Ao longo dos séculos e milênios seguintes, os canais dos rios em ambos os lados do local divergiram ainda mais, criando mais espaço para o desenvolvimento do complexo do templo, conforme puderam confirmar os pesquisadores.

Essa nova compreensão da paisagem do local apresenta semelhanças com um antigo mito da criação egípcia, levando a equipe a acreditar que a decisão de localizar o templo ali pode estar relacionada às visões religiosas de seus habitantes.

Evidências de enchentes periódicas indicam que templo de Karnak não poderia ter sido ocupado de forma permanente antes de 2520 a.CFoto: Mohamed Elshahed/Anadolu/picture alliance

Conexão entre mitologia e localização do templo

Textos egípcios do Império Antigo indicam que o "Deus Criador" se manifestou como um terreno elevado emergindo do lago. Segundo os pesquisadores, a única área conhecida de terreno elevado cercada por água na região é a ilha onde Karnak foi fundado.

A tese dos arqueólogos, portanto, é que as elites tebanas escolheram a localização de Karnak para ser a morada de uma nova forma de "Deus Criador", em alusão a Amon-Rá, o deus supremo do Egito Antigo, já que o local se encaixava perfeitamente no cenário mitológico das terras altas emergindo da água circundante como a origem da formação do Universo.

(Efe, ots)

 

Pular a seção Mais sobre este assunto
Pular a seção Manchete

Manchete

Pular a seção Outros temas em destaque