Eurovision 2026 começa sob sombra de boicote contra Israel
12 de maio de 2026
Pressão contra a participação israelense leva festival a boicote inédito de cinco emissoras públicas da Espanha, Irlanda, Eslovênia Holanda e Islândia, além de menor número de competidores em duas décadas.
Festival autorizou candidato israelense de participar do concurso apesar dos boicotesFoto: Georg Hochmuth/APA/dpa/picture alliance
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A 70ª edição do Festival Eurovisão da Canção (Eurovision Song Contest, ESC), que começa nesta terça-feira (12/05), em Viena, enfrentará o maior boicote desde sua criação, em 1956.
Nesta segunda-feira, as emissoras públicas da Espanha, Irlanda e Eslovênia juntaram-se à Holanda e Islândia e confirmaram que não participarão da competição de música pop, em protesto contra a presença de Israel no evento. Dessa forma, esses países não vão contar com músicos na disputa deste ano.
Já a Espanha, Irlanda e Eslovênia pretendem ir mais longe, e também pretendem não transmitir o festival para telespectadores dos seus países. A final da edição de 2026 está prevista para ocorrer no próximo sábado (16/05).
Extremamente popular no continente europeu, o festival cultural ganhou contornos políticos há décadase, cada vez mais, sofre pressão devido à presença israelense, em meio à guerra na Faixa de Gaza. A Rússia, por exemplo, foi suspensa após a invasão da Ucrânia em 2022. Nos últimos dois anos, protestos tomaram as ruas de Malmö, na Suécia, e depois de Basileia, na Suíça contra os competidores de Israel.
Em 2025, a polêmica cresceu após suspeitas de manipulação do sistema de votação para favorecer Israel. Na ocasião, Yuval Raphael, sobrevivente do ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro, recebeu uma enxurrada de votos online, apesar das notas baixas do júri. Contas oficiais do governo, incluindo a do premiê Benjamin Netanyahu, foram usadas para incentivar o público a votar até 20 vezes na cantora.
O festival é organizado anualmente pela União Europeia de Radiodifusão (EBU, na sigla em inglês) e ocorre no país vencedor do ano anterior.
A israelense Raphael chegou à final e terminou em segundo lugar, o que impediu o Eurovision 2026 de ser realizado em Tel Aviv. Na ocasião, ela obteve 83% de seus pontos do público com a música New Day Will Rise. A vencedora, Wasted Love, da Áustria, recebeu apenas 41% dos votos populares e precisou do apoio dos júris nacionais para chegar ao topo.
O Eurovision é uma competição não entre governos, mas que envolve emissoras filiadas à EBU — uma comunidade de emissoras de serviço público. Nas últimas décadas, a quantidade de membros ativos ou associados da EBU se expandiu para fora do continente europeu, passando a incluir emissoras da Austrália e de Israel. Os israelenses estrearam no Eurovision em 1973, e já ganharam a competição quatro vezes desde então.
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Países preparam programação alternativa
"Em vez do circo do Eurovision, a programação da televisão nacional será marcada pela série temática Vozes da Palestina", afirmou a emissora eslovena RTV.
Durante a segunda semifinal, na quinta-feira, a irlandesa RTÉ exibirá The End of theWorld with Beanz, com a vencedora do Eurovision de 1993, Niamh Kavanagh, na Noruega. Na final, transmitirá um episódio da popular sitcom irlandesa dos anos 1990 Father Ted.
A RTVE, da Espanha, apresentará seu próprio especial musical, The House of Music. Já as emissoras públicas da Holanda e da Islândia irão transmitir a competição, mas não participarão com representantes.
No ano passado, a Islândia já havia indicado que ficaria fora da disputa em 2026.
"A situação em Gaza, apesar do cessar-fogo e da aprovação do processo de paz, e a utilização do concurso para fins políticos por Israel tornam cada vez mais difícil manter o Eurovision como um evento cultural neutro", afirmou à época Alfonso Morales, secretário-geral da RTVE.
Com isso, apenas 35 países disputam o título este ano, o menor número desde a ampliação da competição em 2004. Algumas emissoras também manifestaram preocupação com a liberdade de imprensa, devido ao veto israelense à entrada de jornalistas em Gaza.
Protestos foram registrados em edições anterioresFoto: Sebastien Bozon/AFP
"Esperamos que eles voltem"
Diretor do programa, Martin Green afirmou que fará o possível para que as emissoras retornem ao projeto. "Temos cinco membros da nossa família ausentes neste ano. Sentimos falta deles, nós os amamos e esperamos que voltem", disse ele em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.
"Vamos continuar conversando. Estamos muito claros de que faremos tudo ao nosso alcance para encontrar um caminho de volta. Em última análise, cabe a eles, e eu respeito totalmente isso."
No sábado, Green já havia dito que pediu à emissora israelense KAN que cessasse a divulgação de vídeos incentivando os espectadores a votar repetidamente em Israel.
"Vimos no ano passado um tipo de ação que poderíamos classificar como marketing e promoção desproporcionais, algo que consideramos fora de sintonia com a natureza do evento. Por isso, estabelecemos algumas regras sobre esse tipo de prática", afirmou Green à agência Reuters, sem se referir diretamente às publicações. Cada pessoa poderá registrar apenas 10 votos neste ano, metade do permitido em 2025.
Ele também indicou que, neste ano, os júris profissionais estão de volta às semifinais como contrapeso ao voto popular. "Temos um dos sistemas de votação mais seguros e justos", disse aos repórteres.
Anistia denuncia "covardia"
A Anistia Internacional afirmou que a falha da EBU em suspender Israel da Eurovisão foi "um ato de covardia e uma demonstração de duplos padrões flagrantes".
A participação de Israel "oferece ao país uma plataforma para tentar desviar a atenção e normalizar seu genocídio em curso na Faixa de Gaza ocupada”, disse a secretária-geral da Anistia, Agnes Callamard, em comunicado. "Canções e lantejoulas não devem ser permitidas para abafar ou distrair das atrocidades de Israel ou do sofrimento palestino."
Israel afirma ser alvo de uma campanha global de difamação, especialmente desde o início da guerra em Gaza. Em resposta ao alerta sobre os vídeos de Bettan, a KAN afirmou que "segue todas as regras da EBU".
gq/jps (AFP, Reuters, OTS)
O mês de maio em imagens
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Valerio Rosati/Zoonar/picture alliance
Primeiro governador de origem turca toma posse na Alemanha
Cem Özdemir tomou posse como governador do estado de Baden-Württemberg, tornando-se o primeiro político de ascendência turca a comandar um executivo estadual da Alemanha. O político de 60 anos liderou o Partido Verde numa vitória apertada no pleito do estado do sudoeste alemão em março, derrotando os conservadores da União Democrata Cristã (CDU), do chanceler federal Friedrich Merz. (13/05)
Foto: Marijan Murat/dpa/picture alliance
UE dá luz verde para sanções contra colonos na Cisjordânia
Os ministros das Relações Exteriores da UE concordaram com sanções contra colonos israelenses na Cisjordânia. A medida responde à violência contra palestinos em meio à expansão de assentamentos. Em 2026, 45 palestinos foram mortos no território, segundo a ONU. Foram também aprovadas medidas contra líderes do Hamas, classificado como organização terroristas por vários países. (11/05)
Foto: Mohammed Nasser/APAimages/IMAGO
Sob pressão do próprio partido, Keir Starmer descarta renúncia
O premiê britânico, Keir Starmer, prometeu "continuar governando", apesar de vozes dentro do seu Partido Trabalhista pedirem sua renúncia, entre elas, cerca de 80 deputados, além de quatro membros de seu gabinete, que se demitiram. As vozes dissidentes no trabalhismo surgem como consequência do duro revés do governo nas eleições locais e regionais realizadas na quinta-feira passada. (12/05)
Foto: Jack Taylor/empics/picture alliance
EUA rejeitam resposta iraniana a plano de paz
Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as condições impostas pelo Irã para o fim da guerra são "totalmente inaceitáveis", colocando em risco o frágil cessar-fogo em vigor na região. Resposta de Teerã se concentrava em acabar com a guerra "em todas as frentes, especialmente no Líbano" bem como em "garantir a segurança da navegação" no Estreito de Ormuz. (09/05)
Foto: Morteza Nikoubazl/NurPhoto/picture alliance
Prefeitura de Munique volta a permitir surfe em onda de rio
A prática do surfe está novamente permitida na célebre onda de Munique, anunciou o novo prefeito da capital bávara, após uma suspensão imposta após um acidente."Surfar no Eisbach faz parte do estilo de vida de Munique", disse Dominik Krause, do Partido Verde. As novas regras permitem somente "surfistas de rio experientes” que se arrisquem nas ondas "por sua própria conta e risco”. (09/05)
Foto: Frank Hoermann/Sven Simon/IMAGO
Ucrânia e Rússia anunciam cessar-fogo de três dias
Líderes da Rússia e da Ucrânia confirmam trégua de três dias e troca de mil prisioneiros de cada lado. Segundo Donald Trump, este poderia ser o "começo do fim" da guerra entre os dois países, que já dura mais de quatro anos. Cessar-fogo ocorre em meio às comemorações do Dia da Vitória na Rússia, que lembra o êxito soviético sobre a Alemanha nazista. (08/05)
Foto: Alexander Nemenov/AFP
Trump e Lula relatam encontro "produtivo" em Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido na Casa Branca por seu homólogo americano, Donald Trump. Na reunião, que durou mais de três horas, ambos discutiram temas com o tarifaço, segurança pública, guerra no Irã e a exploração das terras raras. Trump descreveu Lula como "dinâmico" e disse que outras reuniões bilaterais serão agendadas para os próximos meses. (07/05)
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Israel volta a atacar subúrbios de Beirute, em meio a cessar-fogo
Moradores de Haret Hreik, no subúrbio de Beirute, capital do Líbano, se reuniram em volta dos escombros de um edifício bombardeado pelas forças israelenses. De acordo com o imprensa de Israel, o ataque matou Malek Balut, um dos comandantes do Hezbollah, entre outros membros do grupo xiita. A ofensiva foi a primeira nos arredores da capital libanesa desde o início do cessar-fogo. (06/05)
Foto: Ibrahim Amro/AFP
Destroços de monomotor são retirados em Belo Horizonte
Os destroços do monomotor que caiu em Belo Horizonte foram retirados nesta terça-feira. Três pessoas morreram, o piloto e dois empresários, e outras duas ficaram feridas após a aeronave atingir um prédio na capital mineira. O avião não tinha autorização para operar como táxi aéreo. O episódio se soma a uma série recente de incidentes mortais envolvendo a aviação privada no país. (05/05)
Foto: Washington Alves/REUTERS
Atropelamento em massa na Alemanha deixa 2 mortos
Duas pessoas morreram na cidade de Leipzig, no leste da Alemanha, após um homem avançar com um carro contra pedestres. Entre as vítimas estão uma mulher de 63 anos e um homem, de 77. Outras vinte pessoas ficaram feridas. O motorista, um homem de nacionalidade alemã de 33 anos, parou o carro por conta própria e estava dentro do veículo no momento em que foi detido. Motivação é investigada (04/05)
Foto: dts-Agentur/picture alliance
Erupção de vulcão nas Filipinas provoca evacuação de milhares de pessoas
Cerca de 1.500 famílias foram evacuadas nas Filipinas por causa da intensificação da atividade do vulcão Mayon, o mais ativo do arquipélago. O Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia (Phivolcs) apontou um "nível elevado de agitação magmática", com fluxos de lava que descendo por vários canais e alcançando vários quilômetros de extensão. (03/05)
Free Timmy: baleia que encalhou na Alemanha é solta em alto-mar
A baleia-jubarte que encalhou em março na costa marítima da Alemanha foi solta em alto-mar após uma ousada e polêmica operação de resgate que envolveu o transporte do enorme animal em uma espécie de balsa em formato de aquário. O animal, apelidado de "Timmy" deixou a balsa no Mar do Norte, após ser transportado ao longo de dois dias numa viagem que começou na costa alemã no Mar Báltico. (02/05)
Foto: Sebastian Peters/NEWS5/dpa/picture alliance
Acordo Mercosul-UE entra em vigor de forma provisória
Tarifas de importação de milhares de itens comercializados entre os 4 países do Mercosul e os 27 da União Europeia (UE) passaram a ser zeradas ou começarão a ser reduzidas com a entrada em vigor, de forma provisória, do acordo de parceria entre os dois blocos. Serão abrangidos pela redução ou extinção das tarifas 95% dos produtos vendidos pelo Mercosul e 91% dos itens vendidos pela UE. (01/05)