August Hanning é suspeito de ter repassado informações para um outro país. Acusação é inédita para funcionários de tão alto escalão nos serviços secretos da Alemanha.
Hanning teria elaborado, em pelo menos um caso, uma análise de segurança para um serviço de inteligência estrangeiroFoto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance
Anúncio
O ex-presidente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND), August Hanning, de 80 anos, foi preso nesta terça-feira sob suspeita de espionagem e traição, simultaneamente à prisão de seu antigo chefe de gabinete, Manfred D., comunicou a Procuradoria-Geral da Alemanha, em Karlsruhe.
Segundo as investigações, Manfred D. teria fornecido a Hanning informações altamente sigilosas durante vários anos. Ele é acusado de cumplicidade.
De acordo com informações das emissoras WDR e NDR e do jornal Süddeutsche Zeitung, as acusações não estão relacionadas à Rússia. A Procuradoria-Geral não quis dizer para qual serviço de inteligência estrangeiro ou para qual país Hanning teria trabalhado.
Cerca de 2 mil documentos secretos
Manfred D. trabalhou no BND até o primeiro semestre de 2026. Segundo a acusação, ele teria repassado documentos confidenciais a Hanning, mediante pagamento, pelo menos até 2022. Ao todo, seriam cerca de 2 mil documentos.
Entre eles estariam relatórios preparados para uma reunião na Chancelaria Federal na qual os principais dirigentes das agências de espionagem alemãs trocam regularmente informações. Os documentos conteriam, entre outros temas, informações sensíveis sobre o programa nuclear iraniano e as Forças Armadas russas.
Também estariam incluídos dados obtidos de serviços de inteligência de países aliados. Um vazamento dessa natureza poderia abalar a confiança de agências parceiras no BND e levar à redução do intercâmbio de informações.
Com base nesses documentos, Hanning teria elaborado, em pelo menos um caso, uma análise de segurança para um serviço de inteligência estrangeiro. Não foi divulgado qual seria esse serviço. Segundo WDR, NDR e Süddeutsche Zeitung, não se trata da Rússia.
Em outro episódio, Hanning teria utilizado informações provenientes de documentos internos do BND em sua comunicação com um agente estrangeiro.
Anúncio
Preso em casa, perto de Münster
Agentes da polícia criminal da Alemanha prenderam Hanning nas primeiras horas da manhã em sua residência em Nordwalde, próximo a Münster.
Segundo as reportagens, durante uma busca na casa os investigadores encontraram um dispositivo eletrônico contendo documentos ultrassecretos e relativamente recentes do BND. Hanning havia deixado o serviço de inteligência em novembro de 2005.
Os documentos foram descobertos inicialmente por investigadores do Departamento Estadual de Investigações Criminais (LKA) da Baixa Saxônia durante apurações relacionadas a um outro caso. Posteriormente, o material foi entregue às autoridades federais.
Em maio de 2026, a Procuradoria-Geral abriu uma investigação sigilosa contra Hanning e seu suposto informante. Os documentos mais recentes encontrados até agora teriam sido produzidos em junho de 2022.
Escândalo de proporções históricas
Caso as acusações se confirmem, o episódio poderá assumir dimensões históricas. Nunca houve na Alemanha uma suspeita comparável de traição envolvendo um ex-funcionário de tão alto escalão nos serviços secretos.
Além disso, para o BND, este seria o segundo caso grave de espionagem em poucos anos. Um ex-chefe de departamento do serviço de inteligência está sendo julgado no Tribunal Superior de Berlim. Segundo a acusação, ele teria espionado para a Rússia em 2022, junto com outro suspeito.
Hanning ocupou posições importantes na estrutura de segurança alemã durante décadas. Em 1998, assumiu a direção do BND. No fim de 2005, passou a exercer o cargo de secretário de Estado no Ministério Federal do Interior.
as/cn (ARD, DPA, AFP, Reuters)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Sergio Lima/AFP
Ucrânia acusa SpaceX de restringir acesso ao Starlink
Autoridades ucranianas acusaram a SpaceX de limitar alguns serviços do provedor de internet via satélite Starlink na Ucrânia, prejudicando missões de drones de combate para as quais a tecnologia é crucial. Os terminais de internet via satélite da empresa são essenciais para orientar os ataques de drones ucranianos de longo alcance nas regiões ocupadas pela Rússia do sul e do leste do país. (14/10)
Foto: Christoph Soeder/dpa/picture alliance
Papa Leão 14 é diagnosticado com câncer de pulmão
O Papa Leão 14 foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar – uma forma comum de câncer de pulmão – após passar por uma cirurgia na qual os médicos removeram o lobo inferior de seu pulmão direito onde estava localizado um tumor. O Vaticano informou que a cirurgia foi bem-sucedida. (13/10)
Ciberataque desativa congeladores de centenas de supermercados na França
Mais de 400 supermercados franceses foram forçados a descartar toneladas de alimentos congelados depois que hackers assumiram o controle de sistemas de refrigeração em unidades de todo o país, comprometendo estoques de grandes redes em um sofisticado ataque cibernético. Em alguns casos, refrigeradores totalmente abastecidos tiveram a temperatura elevada para 50º C por mais de seis horas. (12/10)
Foto: AFP
Papa Leão 14 fará cirurgia para retirar nódulo no pulmão
O Papa Leão 14 anunciou que será submetido a uma cirurgia para remover um nódulo localizado em seu pulmão, detectado em "um estágio muito inicial". O anuncio do pontífice de 71 anos foi feito durante a oração dominical na Praça de São Pedro, no Vaticano. "Agradeço pela proximidade espiritual de vocês e confio-me às suas orações", disse o papa. (11/10)
Autoridades da Índia detiveram milhares de manifestantes em Nova Délhi, que participavam de uma campanha nacional contra uma controversa revisão da lista de eleitores – medida que gerou indignação contra o governo de Narendra Modi por excluir milhões de votantes das próximas eleições. A polícia agiu para dispersar a manifestação, interceptando manifestantes a caminho do protesto. (10/10)
Foto: Indranil Mukherjee/AFP
Jurista sul-africana Navi Pillay ganha Nobel da Paz
De ascendência indiana, Pillay foi alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos e liderou uma comissão que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinos. Segundo o Comitê Nobel Norueguês, o compromisso com os princípios jurídicos universais e uma firme bússola moral são constantes na longa carreira da jurista. (09/10)
Foto: Frank Boxler/AFP
Anne Carson vence Nobel de Literatura de 2026 por reinventar tradição clássica
A canadense Anne Carson, de 76 anos, foi anunciada vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. A Academia Sueca destacou sua obra "ousada e criativa", que combina tradição clássica e experimentação para criar novas formas literárias. Poeta, ensaísta, tradutora e estudiosa da Antiguidade, Carson é conhecida por textos sobre amor, desejo e perda. Ela se torna a 19ª mulher a receber o prêmio. (08/10)
Foto: Pontus Lundahl/TT/IMAGO
Morre idosa que virou ícone da luta por moradia digna na Espanha
Maricarmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo em Madri em setembro desencadeou protestos contra a crise habitacional na Espanha, morreu após quinze dias hospitalizada. Sua luta para não ser despejada do imóvel alugado onde morou por 71 anos fortaleceu os protestos que resultaram em um acampamento de ativistas em Madri e aumentou a pressão sobre o governo espanhol. (07/10)
Foto: Matteo Secci/ZUMA/dpa/picture alliance
Ex-chefe de inteligência alemão é preso por suposta traição
Ex-chefe do BND August Hanning foi preso sob suspeita de espionagem e traição, após descobertas feitas durante investigações de um outro crime: sua suposta participação em um sequestro de crianças, segundo relatos na imprensa alemã. Ele tinha acesso a documentos ultrassecretos, como informes para reuniões de inteligência onde os chefes das agências de segurança trocam informações. (06/10)
Foto: Abdelhak Senna/AFP
Trio recebe Nobel de Medicina por pesquisa sobre atividade cerebral
O americano Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel venceram o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2026 "pelas suas descobertas relativas aos canais iónicos ativados pela luz e à optogenética", um método que permite demonstrar como as células nervosas moldam as memórias, as emoções e os comportamentos no cérebro. O anúncio foi feito pelo Comitê do Prêmio Nobel. (05/10)
Brasil caminha para 2° turno com bolsonarismo fortalecido
O desafiante Flávio Bolsonaro obteve no primeiro turno das eleições presidenciais pouco mais de 47% dos votos, terminando à frente do presidente Lula, que conseguiu 45,1%. Com nenhum superou a marca de 50% dos votos válidos, a eleição caminhou para um segundo turno. (04/10)
Foto: Alexandre Meneghini/Pilar Olivares/REUTERS
Lula defende soberania, Flávio ataca STF em últimos atos de campanha
Líderes nas pesquisas para a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) encerraram suas campanhas antes do primeiro turno. Em São Paulo, Lula participou de uma passeata ao lado de aliados, defendeu a democracia e soberania. Já Flávio liderou uma motocarreata no interior paulista, onde voltou a atacar o PT e o STF. (03/10)
Foto: Alexandre Meneghini/REUTERS
Protestos estudantis na França
Alunos dos liceus franceses bloqueiam escolas em protesto por melhores condições de ensino. Quase 2 mil pessoas foram detidas, a maioria acusada de atos violentos. Nesta sexta-feira, cerca de 400 escolas permaneciam fechadas. Desde o início dos protestos, 170 estudantes, 65 profissionais da educação e mais de 300 policiais ficaram feridos. (02/10)
Após polêmica, Alemanha vence pela 1ª vez sob o comando de Klopp
A Alemanha venceu a Sérvia por 2 a 0 em Munique, no 1º êxito da equipe em três partidas com o técnico Jürgen Klopp. Antes do jogo, ele rebateu comentários racistas que diziam que o time "não era alemão" ou "branco o suficiente". "O mundo deveria tomar o vestiário esportivo como exemplo. Lá, todos são respeitados, e não desacreditados por opiniões equivocadas. Ponto final." disse Klopp. (01/10)