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Extremista confessa assassinato de político alemão

26 de junho de 2019

Ministro afirma que militante ultradireitista ligado à cena neonazista admitiu ter matado o político Walter Lübcke, da CDU, com um tiro na cabeça no início do mês. Motivação teria sido a posição pró-refugiados da vítima.

Enterro de Lübcke recebeu 1.300 pessoas e uma guarda de honra composta por policiais e militares das Forças Armadas
Enterro de Lübcke recebeu 1.300 pessoas e uma guarda de honra composta por policiais e militares das Forças ArmadasFoto: picture-alliance/dpa/S. Pförtner

Um homem suspeito de assassinar o político alemão Walter Lübcke confessou o crime, informou nesta quarta-feira (26/06) o ministro do Interior do país, Horst Seehofer, em uma reunião de um comitê de deputados no Bundestag (Parlamento alemão). 

De acordo com o ministro, o suspeito disse que resolveu matar Lübcke, que era chefe do conselho administrativo do distrito de Kassel, porque o político era conhecido por suas posições simpáticas a imigrantes e refugiados.

Ainda segundo Seehofer, o suspeito, que foi preso duas semanas após o assassinato com base em evidências de DNA encontradas no local do crime, foi identificado como Stephan Ernst, de 45 anos. O cidadão alemão tem longa ficha policial por crimes contra imigrantes, furtos e posse ilegal de armas.

Investigadores acreditam que ele já teve ligação com grupos de extrema direita e neonazistas como Partido Nacional-Democrático (NPD), Combat 18 e Autonome Nationalisten (Nacionalistas Autônomos).

O ministro Seehofer, durante encontro com deputados no Bundestag nesta quarta-feiraFoto: picture-alliance/dpa/M. Skolimowska

De acordo com Seehofer, Ernst afirmou que agiu sozinho no assassinato de Lübcke e que não participava ativamente de nenhuma rede terrorista de direita.

Lübcke, de 65 anos e filiado à União Democrata Cristã (CDU) – o partido da chanceler federal Angela Merkel –, foi encontrado morto por seus parentes em 2 de junho no terraço de sua residência com um tiro na cabeça. A polícia rapidamente descartou a hipótese de suicídio ou disparo acidental. Nenhuma arma foi encontrada no local. A autópsia revelou que o disparo ocorreu à curta distância.

Apesar das alegações do suspeito de que ele agiu sozinho, o procurador-geral da Alemanha, Peter Frank – que também participou da reunião no Bundestag – disse que investigações sobre a possível participação de cúmplices ainda estão em andamento.

Frank disse que o apartamento do suspeito foi revistado, e mais provas foram coletadas. Mas a arma do crime, provavelmente uma pistola 9 mm, ainda não foi encontrada.

"É claro que estamos assumindo que ele quer proteger outros [ao dizer que agiu sozinho]", disse à DW a deputada Ulla Jelpke, do partido A Esquerda. Segundo informou o jornal Taz na semana passada, um vizinho disse à polícia que viu dois carros deixando a casa de Lübcke após o crime.

A deputada Irene Mihalic, do Partido Verde, afirmou a repórteres depois da audiência que as autoridades agora precisam "olhar embaixo de cada pedra" para investigar o assassinato e descobrir se o suspeito agiu como parte de alguma rede terrorista.

Segundo a revista Der Spiegel, Ernst disse à polícia que o assassinato foi desencadeado por observações feitas por Lübcke durante uma audiência municipal em outubro de 2015, que teve como tema a criação de um novo centro de acolhimento para refugiados na região de Kassel.

À época, durante uma audiência pública, Lübcke bateu boca com militantes de extrema direita que criticavam a instalação de abrigos provisórios no distrito.

Na ocasião, o político da CDU afirmou: "Vale a pena viver no nosso país. Aqui você deve defender os valores, e aqueles que não se posicionarem a favor desses valores podem deixar este país a qualquer momento se não concordarem com eles."

Depois disso, um vídeo do bate-boca se espalhou em sites de extrema direita da Alemanha, tendo sido até mesmo mencionado em discursos de membros do grupo anti-imigração Pegida em 2015 e 2016. Lübcke recebeu em seguida uma série de ameaças de morte.

Desde a prisão do suspeito, há mais de uma semana, várias veículos da imprensa alemã revelaram mais conexões de Ernst com a cena neonazista.

Ele já havia sido condenado por ataques violentos contra migrantes e simpatizantes de esquerda, incluindo pelo esfaqueamento de um imigrante em 1992 e a tentativa de incendiar um abrigo de refugiados em Hessen em 1993. Ele também foi detido por envolvimento em um ataque neonazista a uma manifestação sindical em 2009.

JPS/dpa/ots

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