Fala de Trump reacende disputa sobre Ilhas Malvinas
Felix Tamsut
4 de setembro de 2026
Argentina anuncia sanções a empresas que explorarem recursos naturais nas ilhas e construção de base naval, após Trump declarar que EUA podem rever posição de neutralidade sobre o embate entre o país e o Reino Unido.
As Ilhas Malvinas são alvo de uma longa disputa entre Reino Unido e ArgentinaFoto: Dreamstime/IMAGO
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O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta quinta-feira (03/09) que vai sancionar as empresas que explorarem recursos naturais nas ilhas Malvinas, sob ocupação britânica e cuja soberania é reivindicada pelo país sul-americano, e que construirá uma base militar em um dos pontos continentais mais próximos do arquipélago do Atlântico Sul.
"Vamos inabilitar para atuarem em território argentino as empresas envolvidas, direta ou indiretamente, em projetos nas ilhas Malvinas sem autorização argentina", disse Milei em uma mensagem transmitida em rede nacional.
A medida pode ampliar ainda mais a histórica disputa com o Reino Unido pela soberania das ilhas. Milei anunciou que assinará um decreto para dar celeridade às sanções a empresas que operem nas Malvinas, a seus acionistas, diretores e fornecedores e que enviará ao Parlamento um projeto de lei para endurecer as penas contra essas companhias, as quais não poderão operar em território continental argentino e poderão ser submetidas a julgamentos à revelia.
O mandatário se referiu em particular ao projeto de extração de petróleo nas ilhas da israelense Navitas e da britânica Rockhopper, que pode marcar o início da exploração petrolífera no arquipélago ocupado pelo Reino Unido desde 1833. "Se hoje não atuarmos com firmeza e celeridade, em poucos meses eles terão a capacidade material de se apropriar das reservas de petróleo que jazem sob nosso mar, algo que nunca tinha ocorrido", disse Milei.
A Argentina já sancionou a Rockhopper em 2013 e a Navitas em 2022. Nas ilhas também têm licenças exploratórias a petrolífera britânica Borders & Southern e a canadense JHI. Milei antecipou que buscará que as sanções sejam aplicadas a outras atividades nas Malvinas, que vive da pesca, do turismo de cruzeiros e da pecuária ovina.
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Base militar
O presidente anunciou também a assinatura de um decreto para ampliar os recursos do Ministério da Defesa com o "fim prioritário" de construir uma base naval integrada na província da Terra do Fogo, dentro de cujo território a Argentina considera que estão as Malvinas.
"A Argentina não ficará de braços cruzados", afirmou Milei, acrescentando que qualquer novo avanço sobre as ilhas será visto como uma "violação da nossa segurança nacional".
O presidente argentino Javier Milei (à direita) destacou sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Foto: Jonathan Ernst/REUTERS
Milei reiterou ainda a posição argentina de que as Ilhas Malvinas fazem parte de seu território. O líder argentino também elogiou comentários de Trump sobre a possibilidade de o país rever sua posição amplamente neutra em relação às Malvinas. Segundo Milei, essa eventual mudança é resultado de sua relação próxima com o presidente americano.
De acordo com o argentino, os Estados Unidos consideram rever sua postura porque a Argentina é um "parceiro confiável, alinhado aos valores ocidentais", que pode ser "um aliado valioso nas próximas décadas".
A questão das Malvinas é um dos raros pontos de consenso em uma sociedade argentina dividida politicamente em diversas outras áreas.
Posição do Reino Unido permanece "inalterada e firme"
O governo do Reino Unido respondeu nesta sexta-feira às declarações de Milei. O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, escreveu em sua conta na rede social X que as palavras de Milei "dizem mais sobre a política interna argentina do que sobre as Malvinas".
Streeting também lembrou a linha oficial clássica britânica: "As Malvinas são britânicas porque os ilhéus de lá escolheram ser britânicos. Nosso compromisso com as Malvinas é absoluto e inabalável". Com essas palavras, o ministro se refere ao referendo realizado nas ilhas em 2013, no qual a permanência no Reino Unido venceu com 99,8% dos votos, com apenas três pessoas votando contra.
Após as falas de Trump, o porta-voz do primeiro-ministro britânico também afirmara que a posição do governo do Reino Unido é "histórica e inabalável". "A soberania pertence ao Reino Unido, e o direito dos habitantes das ilhas à autodeterminação é fundamental", declarou.
Uma eventual mudança na política de neutralidade dos Estados Unidos em relação à disputa entre Reino Unido e Argentina representaria uma alteração significativa e poderia contribuir para um agravamento das já tensas relações transatlânticas. Questionado sobre a possibilidade de seu governo mudar de posição em relação às Ilhas Malvinas, Trump afirmou que "sempre" revisa posições. "Essa é apenas uma entre muitas", acrescentou.
Em outra entrevista, Trump foi questionado sobre se os Estados Unidos ajudariam o Reino Unido caso o país se envolvesse em um conflito armado pelas ilhas. "Seu país não esteve lá para me ajudar", respondeu ele, referindo-se à recusa britânica de participar ativamente da campanha conjunta entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
ip/cn (AP, Reuters)
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Governo Trump diz que Brasil falhou no combate ao PCC e CV
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Com placar parcial de 4 votos a 3 sobre a possibilidade de analisar conjuntamente casos de dois ministros, o julgamento no STF de Alexandre de Moraes foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino. A suspensão ocorreu depois de um bate-boca entre André Mendonça e Gilmar Mendes durante a discussão do caso Master. Com isso, não há previsão para a retomada da análise. (15/09)
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Houthis ampliam controle no Mar Vermelho e pressionam rota do petróleo
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Foto: Thomas Samson/AFP/dpa/picture alliance
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Drones enviados por Moscou causaram novos ataques à Ucrânia, principalmente na região de Odessa, próxima o Mar Vermelho. A fotografia mostra veículos destruídos na cidade portuária de Chornomorski, na mesma região. Por lá, as ofensivas destruíram navios cargueiros no porto local. Em outras cidades de Odessa, os ataques deixaram um total de nove mortos e dezenas de feridos. (12/09)
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Fachin derruba decisões sobre PF e tira Fake News de Moraes
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Enterro do "açougueiro da Bósnia" atrai milhares na Sérvia
Multidão acompanhou funeral de Ratko Mladic, criminoso de guerra condenado em 2017 por genocídio durante a guerra da Bósnia (1992-1995). Ele morreu aos 84 anos, enquanto cumpria pena de prisão perpétua. Cerimônia em Belgrado, criticada pela União Europeia, foi prestigiada por ministros do governo sérvio. (07/09)
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O partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve uma votação recorde de 44% dos votos na eleição do estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país. Foi a maior votação proporcional já recebida num estado alemão por uma legenda tão à direita como a AfD desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). (06/09)
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Forças dos EUA dizem ter atacado três petroleiros iranianos
As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram ter atacado três petroleiros iranianos, apontando que a ação foi executado após o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) ter lançado mísseis balísticos contra dois navios da Marinha americana que patrulhavam as águas da região (05/09)
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Dois orangotangos, uma mãe e o filhote, foram resgatados da fumaça dos incêndios que assolam a ilha de Bornéu, na Indonésia. O arquipélago luta há semanas contra incêndios que deixaram grandes partes cobertas pela fumaça. O orangotango de Bornéu (Pongo pygmaeus) corre risco de extinção e sua população diminuiu drasticamente nas últimas décadas devido à pressão humana sobre o habitat. (04/09)
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Morreu, aos 92 anos, a escritora e jornalista americana Gloria Steinem, ícone do ativismo pelos direitos das mulheres. Líder da segunda onda do feminismo nos EUA, ela teve uma trajetória marcada pela luta por direitos civis, igualdade salarial e autonomia reprodutiva e defendia que o feminismo acolhesse mulheres de todas as raças e minorias. Steinem morreu em sua casa, em Nova York. (03/09)
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Aquecimento global vai superar limite de 1,5 °C, diz ONU
O aumento das temperaturas globais deverá ultrapassar o limite crucial de 1,5 °C nos próximos anos, afirmou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Esse limite visava conter as mudanças climáticas e reduzir seus impactos. O novo cenário resultará em eventos climáticos mais extremos e intensificará a pressão sobre os ecossistemas, as geleiras e as cidades costeiras. (02/09)