Filha de Kim Jong-un é vista como possível sucessora
6 de abril de 2026
Serviço de inteligência da rival Coreia do Sul afirma que a filha "mais querida" do ditador norte-coreano pode estar sendo preparada para liderar regime comandado pela família Kim desde 1948.
O ditador Kim Jong-un e sua filha Kim Ju-aeFoto: KCNA/KNS/AFP
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O Serviço Nacional de Inteligência (NIS) da Coreia do Sul afirmou nesta segunda-feira (06/04) que considera a filha do ditador norte-coreano Kim Jong-un como uma provável sucessora política do regime.
O que a Coreia do Sul disse sobre a possível herdeira de Kim?
"Esta não é uma avaliação baseada em meras evidências circunstanciais, mas em informações de inteligência", afirmou o diretor do NIS, Lee Jong Seok, conforme noticiado pela agência oficial de notícias sul-coreana Yonhap. Lee teria feito essas declarações durante uma reunião no Parlamento da Coreia do Sul.
A avaliação marca uma postura mais conclusiva da agência, que vem acompanhando sinais de sucessão em Pyongyang.
No início de 2024, o NIS afirmou que considerava a filha do líder Kim Jong-un como uma provável herdeira, na primeira indicação de que ela poderia estar sendo preparada para a liderança. Em fevereiro deste ano, a agência afirmou que ela parecia estar perto de ser formalmente designada como sucessora.
Enquanto isso, a agência minimizou o poder político da irmã do ditador, Kim Yo-jong, apesar das especulações sobre sua influência no regime da Coreia do Norte.
A filha de Kim foi fotografada em vários contextos militares, incluindo esta foto, na qual dispara uma armaFoto: KCNA/REUTERS
Quem é a filha de Kim Jong-un?
A filha de Kim Jong-un – apelidada pela mídia estatal de filha "mais querida" ou "mais respeitada" de Kim – apareceu pela primeira vez em fotos da mídia estatal do regime em 2022. Desde então, ela tem acompanhado o pai em várias ocasiões oficiais, incluindo testes de mísseis e uma visita de Estado à China.
Oficialmente, porém, pouco se sabe sobre ela. Nem sua idade nem seu nome foram confirmados oficialmente pela mídia estatal norte-coreana. De acordo com o ex-jogador profissional de basquete Dennis Rodman, que conheceu Kim pessoalmente na Coreia do Norte em 2013, estima-se que ela tenha cerca de 13 ou 14 anos.
A jovem Kim tem aparecido com mais frequência recentemente durante visitas a topas do exército. Em meados de março, a agência de notícias estatal norte-coreana KCNA publicou fotos mostrando a jovem aparentemente dirigindo um tanque ao lado de seu pai em uma base de treinamento militar.
De acordo com a agência sul-coreana NIS, isso tem como objetivo dissipar questionamentos sobre a possibilidade de a ditadura vir a ser comandada por uma mulher.
A avaliação da sucessão política de Kim é apenas provisória. Alguns especialistas supõem que Kim Jong-un possa ter outros filhos, incluindo um filho que poderia ser apresentado ao público posteriormente.
Desde a sua fundação em 1948, a Coreia do Norte tem sido governada por membros masculinos da família Kim, configurando uma espécie de "monarquia comunista".
Kim Jong-un assumiu o poder após a morte de seu pai, Kim Jong-Il, em 2011, que por sua vez havia sucedido seu próprio pai e fundador do Estado, Kim Il-sung, após a morte deste em 1994.
jps (DW, OTS)
Apesar do destaque no noticiário internacional, nação asiática continua sendo uma das mais isoladas do mundo. Em várias visitas ao país, o instagrammer Pierre Depont tentou capturar a vida cotidiana dos norte-coreanos.
Foto: DW/P.Depont
Traços de normalidade
Apesar da imagem de reclusa, a Coreia do Norte convida estrangeiros a descobrirem suas atrações. Mas viajar como turista não significa passear livremente pelo país, pois guias especiais devem acompanhar cada passo do visitante. As restrições não desencorajaram o instagrammer britânico Pierre Depont, que visitou o país sete vezes, capturando traços de normalidade no cotidiano dos norte-coreanos.
Foto: DW/P. Depont
Capitalismo rastejante
Depont visitou a Coreia do Norte pela primeira vez em 2013 e, desde então, ele estuda as transformações no país autoritário. Nos últimos dois ou três anos, ele observou que “em Pyongyang, tornou-se aceitável exibir a própria riqueza”. Com uma classe média cada vez maior e um boom das construções, a capital norte-coreana parece estar desafiando sanções econômicas internacionais.
Foto: Pierre Depont
Estilo em Pyongyang
Estabelecer contato com pessoas comuns não é fácil na Coreia do Norte, segundo Depont. "Tive algumas conversas aleatórias com estranhos, sempre ouvidas por um dos guias.” De acordo com as experiências do instagrammer, a maioria dos norte-coreanos não gosta de ser fotografado. “As mulheres norte-coreanas estão definitivamente ficando mais estilosas. Mas só é possível notar isso nas cidades.”
Foto: DW/P. Depont
Urbano X rural
Esta estação de metrô em Pyongyang deslumbra passageiros com o que parecem ser paredes de mármore e candelabros. Para Depont, a Coreia do Norte é um lugar ideal para a fotografia. “Você não encontra nenhuma publicidade, nenhuma distração”, diz. Mas enquanto a capital, onde vive a elite, parece estar prosperando, outras partes do país permanecem assoladas pela pobreza.
Foto: Pierre Depont
Dificuldades ocultas
A Coreia do Norte continua sendo uma sociedade altamente militarizada e predominantemente agrícola. Turistas, no entanto, não conseguem ver muito das condições de vida da população rural. “Cada pedacinho de terra é cultivado, cada metro quadrado é usado”, conta Depont.
Foto: Pierre Depont
Abundância encenada?
Turistas interessados na vida fora das cidades norte-coreanas são levados em visitas guiadas a cooperativas agrícolas. Quando Depont visitou uma fazenda do tipo, próxima a Hamhung, segunda maior cidade do país, ela exibia uma pequena venda, com uma variedade de mercadorias ordenadamente expostas. Depont disse ter tido a impressão de que se tratava de um comércio de fachada, só para ser mostrado.
Foto: DW/P.Depont
Escolas de elite
Uma parada numa escola modelo é um ponto importante de muitos tours na Coreia do Norte. A colônia de férias internacional Songdowon foi reaberta em 2014 e recebeu a visita do atual líder do país, Kim Jong-un. “Há algo de irreal no lugar”, conta Depont. “As crianças brincam na sala de jogos, usando fliperamas e cerca de 20 computadores modernos.”
Foto: DW/P.Depont
Militarismo onipresente
O setor militar é fundamental para a identidade do país e para o sustento de sua sociedade. Cerca de um quarto da população trabalha como funcionário militar. Pyongyang tem um dos maiores orçamentos militares do mundo em relação à sua economia. Desde pequenos, os norte-coreanos crescem em meio a um imaginário militar. Depont se deparou com esse tanque em miniatura num playground perto de Hamhung.
Foto: Pierre Depont
Adoração ritualizada
Além do militarismo, o alto nível de controle político e o culto à personalidade de Kim Jong-un e seus predecessores são onipresentes. A adoração cotidiana ao líder supremo impressionou Depont. “Você vê a quantidade de dinheiro e esforço dedicados a sustentar a história dos grandes líderes e suas grandes estátuas.”