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Fillon admite erro ao contratar familiares

6 de fevereiro de 2017

Candidato conservador à presidência da França pede perdão, mas nega irregularidades e diz que salário da esposa era justificado. Justiça amplia investigação para tráfico de influência e financiamento ilegal de campanha.

Em coletiva, Fillon pede perdão por contratações
Em coletiva, Fillon pede perdão por contrataçõesFoto: Reuters/B. Tessier

Envolvido num escândalo de corrupção que tem lhe custado votos, o candidato dos conservadores à presidência da França, François Fillon, admitiu nesta segunda-feira (06/02) que foi um erro ter nomeado sua esposa e filhos como assistentes parlamentares, mas negou ter cometido irregularidades e destacou que a prática é comum no país.

Numa entrevista coletiva, o ex-primeiro-ministro, de 62 anos, pediu ainda perdão pelo que chamou de erros e garantiu que é vítima de "uma campanha difamatória e caluniosa" para evitar que saia vitorioso da eleição presidencial.

"Dar trabalho à minha família foi um erro e apresento minhas desculpas aos franceses. Era uma prática habitual no passado que atualmente os franceses rejeitam. Tratava-se de uma relação de confiança que agora desperta desconfiança", afirmou o candidato. Sua esposa, Penelope Fillon, foi contratada como assistente parlamentar por mais de 15 anos.

O candidato justificou as contratações, alegando que seus parentes tinham a competência necessária para o cargo e, além disso, tratava-se de cargos de confiança. Fillon se comprometeu a publicar na internet detalhadamente as remunerações de sua esposa e de seus filhos Charles e Marie, que considerou "justas e transparentes". Ele disse que o salário da esposa era "plenamente justificado" por ela ser formada em letras e Direito.

Apesar de reconhecer que empregar a esposa levanta questões éticas, o ex-primeiro-ministro garantiu que não devolverá o dinheiro que ela ganhou "porque corresponde a um trabalho realizado" e rebateu as acusações de que o emprego era fictício por Penelope nunca ter ido ao Parlamento.

Segundo Fillon, ela cuidava de assuntos no distrito eleitoral de Sarthe, pelo qual ele se elegeu deputado, e por isso não ia ao Parlamento. "Cumpria ações modestas, na sombra, a sós, que parecem anódinas, mas que são indispensáveis", indicou.

Após se mostrar convencido de que será absolvido pela Justiça, Fillon negou que vá retirar sua candidatura e se apresentou como o único capaz de implementar seu programa, prevendo um "fracasso" da direita caso haja mudanças na liderança.

"Uma nova campanha começa hoje. Nada me fará renunciar à candidatura", afirmou, em referência à queda nas pesquisas. Antes do escândalo, Fillon era o candidato favorito para ganhar a eleição, mas, desde o início do escândalo, ele vem perdendo popularidade, e pesquisas indicam que ele não chegaria mais ao segundo turno.

Mais denúncias

A entrevista foi marcada depois de o jornal Le Monde ter noticiado que a justiça francesa avalia ampliar as acusações contra Fillon devido a suspeitas de financiamento ilegal de campanha eleitoral e tráfico de influência.

De acordo com o diário, o interrogatório de Fillon abriu novas linhas de investigação. O candidato teria declarado perante os investigadores que o seu filho Charles, contratado como seu assistente no Senado entre 2005 e 2007, trabalhou para a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2007. Isso pode abrir uma nova linha de investigação por um possível delito de financiamento ilegal de campanha eleitoral.

O candidato afirmou ainda que a sua filha Marie, também contratada como assistente parlamentar no Senado, o ajudou a escrever um livro, o que é uma função não adequada ao cargo. Na época dos contratos, os dois filhos de Fillon eram estudantes de Direito e, com esses trabalhos parlamentares, ganharam quase 85 mil euros. Já Penelope teria ganhado cerca de 900 mil euros como assistente parlamentar e como redatora numa revista de crítica literária.

Os investigadores analisam se houve tráfico de influência na atribuição da Grã Cruz da Ordem Nacional da Legião de Honra, em dezembro de 2010, ao empresário Marc Ladreit de Lacharrière, dono da publicação La revue des deux mondes, que contratou Penelope em 2012. Ela recebia 5 mil euros por mês e, em um ano e meio, fez apenas duas críticas literárias na publicação.

De acordo com o Le Monde, os agentes suspeitam que o trabalho de Penelope foi a moeda de troca da condecoração, que foi atribuída ao empresário por indicação expressa de Fillon, então primeiro-ministro.

CN/efe/lusa/rtr/ap

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