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Flávio Bolsonaro diz a jornal americano que fugiu sozinho do Brasil

5 de novembro de 2026

Candidato derrotado à Presidência afirma ao "NYT" que vai "levar para o túmulo" segredo sobre como chegou aos EUA: "Não houve ajuda de absolutamente ninguém, nenhum governo."

Flávio Bolsonaro ao desembarcar de jatinho nos EUA após fugir do Brasil
"Fui eu que fiz tudo", assegurou Flávio ao jornal "The New York Times" — a despeito de uma série de indícios de envolvimento de autoridades americanas e argentinas na fugaFoto: Ricardo Arduengo/AFP

Em sua primeira entrevista desde que fugiu do Brasil, o senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que a decisão de deixar o país foi espontânea, e negou ter sido ajudado por governos estrangeiros — a despeito de uma série de indícios que sugerem o contrário.

"Fui eu que fiz tudo", assegurou ao jornal The New York Times, que publicou trechos da conversa nesta quinta-feira (05/11). "Não houve ajuda de absolutamente ninguém, nenhum governo."

Segundo o próprio NYT, porém, foi a Casa Branca quem providenciou o jatinho que o levou de Puerto Iguazú, na Argentina, até Miami, nos EUA. E os carros com placa brasileira que chegaram ao aeroporto horas antes de a aeronave decolar tinham escolta da polícia argentina.

Ao aterrissar nos EUA, Flávio, a esposa e as duas filhas do casal receberam vistos normalmente concedidos por razões humanitárias.  

Além disso, a família deixou o aeroporto em Miami em um comboio, sob escolta de oficiais americanos. Uma quinta pessoa que desembarcou junto teve a identidade protegida.

Como mostrou o Fantástico, a operação para retirar Flávio do Brasil também teria contado com a ajuda de um ex-agente do Mossad, o serviço secreto israelense.

A colunista Bela Megale, do jornal O Globo, também apontou que a fuga do senador, longe de ter sido uma decisão espontânea, já estava traçada há semanas.

"Vou levar isso para o túmulo", diz Flávio ao ser indagado sobre como chegou aos EUA

Indagado pelo NYT sobre como chegou aos EUA, Flávio respondeu: "Isso eu vou levar para o túmulo comigo".

Segundo ele, a decisão de fugir foi tomada na manhã seguinte à derrota nas eleições, para evitar uma prisão que considerava inevitável.

Investigado no Brasil em casos relacionados a lavagem de dinheiro e corrupção, Flávio — que afirma ser inocente — deixou o país após a Justiça determinar a entrega de seus passaportes. 

Ao chegar nos EUA, ele divulgou uma carta golpista em que se apresentava como o "verdadeiro presidente" do Brasil, para depois substituir o termo por "líder" em uma segunda versão.

O documento traz uma série de argumentos infundados e incoerentes contestando o resultado das eleições.

A lisura do pleito, contudo, foi atestada por observadores internacionais e pelo Tribunal Superior Eleitoral, comandado por Kassio Nunes Marques, indicado do ex-presidente Jair Bolsonaro. E os resultados foram reconhecidos até mesmo por aliados de Flávio.

Na entrevista, o senador voltou a insistir que a eleição teria sido fraudada, sem apresentar provas.

"Sei que não vai dar em nada", afirmou, sobre sua tentativa de contestar a eleição. "Perdi para o sistema."

Flávio, porém, disse que pretende mobilizar aliados do exterior em favor de sua agenda, que inclui a redução da maioridade penal e a anistia para seu pai Jair, preso por tentativa de golpe de Estado, e demais condenados por atos golpistas. 

Ao mesmo tempo, o senador evitou responder à pergunta sobre se planeja trabalhar por sanções do governo de Donald Trump ao Brasil, e disse que pretende "seguir em frente" com a vida nos EUA.

"Pelo menos por enquanto", afirmou. "Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente."

Mesmo após Trump afirmar que não pretende se reunir com o brasileiro, aliados de Flávio esperam que os dois se encontrem durante a conferência conservadora CPAC, em Mar-a-Lago, que vai até o domingo.

ra (ots)

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