Projéteis atingem Zona Verde, região que abriga missões diplomáticas na capital iraquiana, horas depois de Teerã lançar mísseis contra bases usadas pelos EUA no Iraque. Na ONU, EUA e Irã invocam direito à autodefesa.
Um dos foguetes caiu a cerca de 100 metros da embaixada dos EUA em BagdáFoto: Getty Images/AFP/A. Al-Rubaye
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Ao menos dois foguetes atingiram nesta quarta-feira (08/01) a chamada Zona Verde, região fortemente protegida de Bagdá, capital do Iraque, onde ficam vários edifícios governamentais e missões diplomáticas, entre elas a embaixada dos Estados Unidos.
Uma fonte do Ministério do Interior iraquiano, que pediu anonimato, confirmou à agência de notícias Efe a queda de dois projéteis provavelmente disparados por um sistema de lançadores múltiplos Katyusha. Um dos foguetes caiu a cerca de 100 metros da embaixada dos EUA. Até o momento não há, porém, relatos de vítimas ou danos materiais.
Este foi o terceiro ataque do tipo nos últimos cinco dias no centro de Bagdá, alvo de foguetes nos últimos sábado e domingo. Um dos que foram lançados no fim de semana deixou feridos cinco civis que estavam em uma casa perto da Zona Verde.
Trump sinalizou que não pretende aprofundar os confrontos militares com o Irã e disse que o país persa "parece estar baixando o tom, o que é uma coisa boa para todas as partes envolvidas e uma coisa muito boa para o mundo".
O presidente voltou a afirmar que não pretende deixar o Irã obter armas nucleares, e advertiu o regime de Teerã a não lançar mais operações militares nem patrocinar ações terroristas na região, mas não fez nenhuma ameaça direta de uso da força militar para punir os iranianos pelo ataque contra as bases iraquianas usadas por forças americanas.
No fim de semana anterior, o presidente chegou a afirmar que poderia bombardear 52 alvos no Irã, incluindo bens culturais, caso Teerã respondesse militarmente à operação americana que matou o general iraniano Qassim Soleimani.
Na ONU, EUA e Irã argumentam autodefesa
A embaixadora dos EUA na ONU, Kelly Craft, afirmou nesta quarta-feira numa carta enviada ao Conselho de Segurança da ONU que Washington agiu em autodefesa ao matar o general Soleimani.
Craft citou o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que descreve "o direito inerente à autodefesa individual ou coletiva se ocorrer um ataque armado contra um membro das Nações Unidas".
Craft afirmou que os EUA estavam agindo "em resposta a uma série crescente de ataques armados nos últimos meses pelo Irã e milícias apoiadas por Teerã contra forças e interesses dos EUA no Oriente Médio".
A diplomata, porém, também sublinhou que os EUA também estão "prontos para se engajar sem condições prévias em negociações sérias com o Irã, com o objetivo de evitar mais ameaças à paz e à segurança internacional ou uma escalada provocada pelo regime iraniano".
O embaixador do Irã na ONU, Majid Takht-Ravanchi, também enviou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU invocando o direito do país à autodefesa. O Irã deu "uma resposta militar ponderada e proporcional" à presença dos EUA no Iraque e à morte de Soleimani, afirmou.
"A operação foi precisa e direcionada contra alvos militares, não deixando, portanto, qualquer dano colateral a bens civis na área", adicionou Ravanchi. "O Irã declara que está determinado a continuar vigorosamente defendendo sua população, soberania, unidade e integridade territorial contra qualquer agressão."
Após o discurso de Trump, Ravanchi afirmou que os apelos de Washington por cooperação foram "inacreditáveis" à luz das sanções dos EUA contra Teerã. Ele também disse que os EUA haviam "iniciado uma nova série de escalada [das tensões] e animosidade com o Irã" após a morte de Soleimani.
No início de 1979, o xá Reza Pahlavi era derrubado no Irã. A Revolução Islâmica transformou a monarquia de até então num Estado religioso liderado por um sacerdote muçulmano. O clímax da revolução em imagens.
Foto: akairan.com
Retorno a Teerã
1º de fevereiro de 1979: O aiatolá Ruhollah Khomeini retorna do exílio em Paris para Teerã. Ele é recebido com júbilo pela população no aeroporto. Durante anos, criticara o xá e sua elite política, pela repressão dos dissidentes; pela "ocidentalização" do Irã – aos olhos de Khomeini, excessiva; e, acima de tudo, por seu estilo de vida dissoluto, de luxo decadente.
Foto: akairan.com
À espera do salvador
Cerca de 4 milhões de iranianos aguardaram para saudar a procissão de veículos que levou Khomeini nesse dia até o cemitério central Behesht-e Zahra, onde ele faria seu discurso de chegada. Há quase um ano ocorriam manifestações de massa quase diárias contra o regime do xá. Desde agosto de 1978, greves gerais organizadas pela oposição paralisavam repetidamente a economia do país.
Foto: Getty Images/Afp/Gabriel Duval
Fora com o xá
O xá Reza Pahlavi já havia deixado o Irã em 16 de janeiro de 1979. Pouco antes, na Conferência de Guadalupe, ele perdera o apoio dos mais importantes governantes ocidentais, que preferiram procurar o diálogo com Khomeini. O então presidente americano, Jimmy Carter, aproveitou a ocasião para convidar o xá aos Estados Unidos, por tempo indeterminado. Ele aceitou.
Foto: fanous.com
Premiê isolado
Antes, o xá nomeara, como primeiro-ministro interino, Shapur Bakhtiar, figura de liderança da oposicionista Frente Nacional. O governante pretendia assim abrandar seus inimigos, mas sem sucesso. Bakhtiar ficou isolado dentro de seu partido por ter sido nomeado pelo xá, enquanto seus correligionários já haviam concordado em só colaborar com Khomeini.
Foto: akairan.com
Declaração de combate no cemitério
Já ao desembarcar em Teerã, o aiatolá declarou que não reconhecia o governo de Shapur Bakhtiar. Ele partiu direto do aeroporto para o cemitério central, onde fez um discurso beligerante, negando a legitimidade da monarquia e do Parlamento: ele próprio definiria o novo governo do Irã, prometeu Khomeini.
Foto: atraknews.com
Tumultos em todo o país
Em Teerã e outras cidades iranianas, os enfrentamentos violentos entre os revolucionários e os adeptos do xá prosseguiram, mesmo depois da chegada de Khomeini a Teerã. Durante dias permaneceu indefinido quem venceria os combates. Os militares decretaram toque de recolher, que praticamente nenhum iraniano respeitou.
Foto: akairan.com
Premiê interino
Em 5 de fevereiro de 1979, Khomeini entregou a chefia de governo interina a Mehdi Bazargan, da Frente Nacional. De início, parecia que o clero iria colaborar como a oposição liberal. No entanto, logo emergiram conflitos entre os dois grupos. Em 5 de novembro, Bazargan renunciou, em reação à tomada de reféns na embaixada americana em Teerã, ato tolerado por Khomeini.
Foto: akairan.com
Festejando a queda
Após a nomeação de Bazargan, numerosos cidadãos foram às ruas com a intenção de derrubar o governo interino. As Forças Armadas declararam não querer se envolver na luta de poder, privando Shapur Bakhtiar de qualquer tipo de cobertura. Ele teve que fugir da própria casa diante dos partidários armados de Khomeini. Em abril de 1979 exilou-se na França.
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Saudação militar
Honras militares para o líder religioso: uma tropa de elite da Força Aérea iraniana saúda o aiatolá Khomeini. Os oficiais da aeronáutica, os homafaran, tiveram participação decisiva na revolução, permitindo à população o acesso a seus arsenais de munição, para a derrubada do regime de Pahlavi. Em 9 de fevereiro, a guarda imperial ainda tentou uma última reação, ao atacar uma base dos homafaran.
Foto: Mehr
Queda de monarquia
A partir daí, alastraram-se as lutas armadas entre a guarda imperial e a população. Em 11 de fevereiro de 1979 o colapso da ordem foi total: revolucionários ocuparam o Parlamento, o senado, a TV e outros órgãos estatais. Pouco mais tarde anunciava-se a derrubada da monarquia. Até hoje, o 11 de fevereiro é dia da "Revolução Islâmica" no Irã.