Tremor de magnitude 7,2 gera alerta de tsunami na região. Abalo sísmico também foi sentido na República Dominicana, Cuba e Jamaica. Nação foi devastada por terremoto em 2010.
Hotel danificado pelo terremoto deste sábado em Les CayesFoto: Delot Jean/AP Photo/picture alliance
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Um forte terremoto atingiu o oeste do Haiti neste sábado (14/08). Segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o abalo atingiu magnitude 7,2 na escala Richter e chegou a gerar um alerta de tsunami.
Segundo as autoridades do Haiti, 227 mortes já haviam sido registradas até o fim da tarde.
O tremor, que ocorreu por volta de 8h30 no horário local (9h30 em Brasília) também foi sentido na República Dominicana, Cuba e Jamaica.
O epicentro do terremoto foi identificado a 8 quilômetros da cidade de Petit Trou de Nippes (no oeste do país), a cerca de 160 quilômetros da capital Porto Príncipe, e a uma profundidade de 10 km.
O Centro Sismológico Euro-Mediterrâneo (EMSC) também relatou um terremoto na região, apontando que uma magnitude de 7,6. Já o centro sismológico de Cuba disse que registrou magnitude de 7,4. Na escala Richter, terremotos de magnitude superior a 7,0 são considerando grandes e podem provocar devastação em grandes áreas.
O terremoto danificou escolas e casas na península sudoeste do Haiti. Moradores compartilharam imagens nas redes sociais que mostram ruínas de edifícios de concreto, incluindo uma igreja na cidade de Les Anglais.
O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, declarou estado de emergência no país válido por um mês, em uma das primeiras medidas tomadas após a catástrofe.
"A terra tremeu. Tremeu especialmente no sul e nos Nippes e deixou muitos danos. As primeiras informações nos fazem acreditar que haja muitos feridos, muitos mortos e casas derrubadas. Há muita gente debaixo dos escombros, principalmente em hotéis e locais de culto", explicou Henry.
O primeiro-ministro também classificou a situação do Haiti como "dramática". Henry recomendou que a população não entre em pânico e seja solidária. Além disso, garantiu que "toda a estrutura governamental e da Defesa Civil está mobilizada" nas regiões afetadas.
Naomi Verneus, uma moradora de 34 anos de Porto Príncipe, descreveu como sentiu o tremor. "Acordei e não tive tempo de calçar os sapatos. Nós vivemos o terremoto de 2010 e tudo o que consegui fazer foi correr", disse Verneus.
Um terremoto de magnitude 7,0 em janeiro de 2010 destruiu grande parte de Porto Príncipe e outras cidades, matando mais de 100.000 pessoas e ferindo cerca de 300.000.
Mais de um milhão e meio de haitianos ficaram desabrigados, deixando as autoridades da ilha e a comunidade humanitária internacional com um desafio colossal em um país que carece de um cadastro ou de códigos de construção.
jps (AP, dpa, EFE)
O devastador abalo sísmico de janeiro de 2010 atraiu solidariedade mundial e doações bilionárias para o Haiti. Dez anos depois, pobreza e corrupção dão o tom no pobre estado caribenho. Mas há esperança de mudanças.
Foto: picture-alliance/AP Images/D. N. Chery
Um país em ruínas
Pouco antes das 17 horas de 12 de janeiro de 2010: um abalo sísmico atinge o Haiti. A escala Richter atinge a marca de 7,0 – a destruição é devastadora, em alguns lugares 90% dos edifícios desabam. Pelo menos 200 mil pessoas morrem e mais de 1 milhão ficam desabrigadas. O dano econômico de 6,6 bilhões de dólares excede o PIB anual do país insular caribenho.
Foto: AP
Catástrofe na pobre ilha
Janeiro de 2011: cruzes demarcam uma vala comum perto da capital Porto Príncipe. O terremoto atingiu um país já problemático. Assim como hoje, em 2010 o Haiti era o mais pobre do hemisfério ocidental, e sofria de superpopulação e corrupção. Desastres naturais não eram incomuns. Uma epidemia de cólera que se sucedeu ao terremoto matou milhares.
Foto: A.Shelley/Getty Images
Solidariedade mundial
Um momento de relaxamento em março de 2010, num acampamento para vítimas do sismo. Nações Unidas, Os fundos para a reconstrução vieram de ONGs e indivíduos de todos os cantos do mundo – em parte com sucesso sustentável. Muitas organizações de ajuda humanitária realizaram um trabalho eficaz, por exemplo, na construção de casas.
Foto: AP
Ajuda problemática
Na emergência imediata após o terremoto, as doações de alimentos dos EUA ajudaram as pessoas afetadas, explicou o cientista político Bert Hoffmann, em entrevista à DW. "No longo prazo, porém, o arroz gratuito dos Estados Unidos levou os agricultores do Haiti à falência. Essa ajuda não criou estruturas sustentáveis para o país, mas as destruiu e aumentou a dependência."
Foto: AP
A crise depois da crise
À espera de trabalho: dez anos após o terremoto, a qualidade de vida da maioria dos haitianos não melhorou – pelo contrário. Mais da metade da população vive abaixo da linha de pobreza, de dois dólares por dia. Segundo a ONG Welthungerhilfe, 35% da população depende de doações de alimentos. E a organização Médicos sem Fronteiras reclama da falta de atendimento básico.
Foto: picture-alliance/AP Photo/R. Blackwell
Mortes em protestos
Há um ano e meio, desemprego, inflação, crime e nepotismo têm levado os haitianos a protestar nas ruas – como nesta imagem de novembro de 2019. Dezenas morreram em confrontos entre polícia e manifestantes. "O risco de uma guerra civil está aumentando no Haiti", alerta Pirmin Spiegel, chefe da organização de ajuda humanitária Misereor.
Foto: imago images/Agencia EFE/J. M. Herve
Moïse não quer deixar a presidência
A ira das ruas é direcionada a este homem: Jovenel Moïse, presidente do Haiti desde 2017. Entre outras coisas, a oposição o acusa de ter desviado verbas de um fundo de solidariedade. Moïse rejeita a acusação e se recusa a renunciar. Quando o parlamento voltar a se reunir em 13 de janeiro, a maioria dos mandatos terá expirado, e teoricamente Moïse poderia então governar por decreto.
A oposição está fragmentada, mas os ativistas querem continuar a luta por mudanças. "Precisamos de um governo que responda às nossas necessidades", diz Rese Domini (foto), da organização haitiana de direitos civis Monegaf. Ativistas exigem a renúncia de Moïse, um processo anticorrupção e a mudança radical no sistema.
Foto: Reuters/V. Baeriswyl
"Silêncio da Europa"
Enquanto isso, organizações humanitárias pedem ação da comunidade internacional. Quando se trata de ajuda alimentar, os produtos locais devem ter prioridade "para impulsionar a economia doméstica", indicou a Welthungerhilfe em novembro. E a Alemanha e a União Europeia também deveriam fazer campanha por uma mudança política no Haiti, aconselha a Misereor.
Dezembro de 2019, em Porto Príncipe: duas amigas assistem a um filme na praia. A crise contínua não deve ofuscar o fato de que "existem muitas estruturas familiares e locais no Haiti que funcionam", frisa o cientista político Hoffmann. O Estado caribenho "não é um inferno na Terra, mas um país muito pobre, geralmente pacífico e com uma grande cultura".