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Ampliação

Mareike Aden (sv)26 de junho de 2007

Enquanto seguem os trâmites oficiais para o ingresso da Turquia na UE, questões relacionadas à união monetária ficam de fora. A pedido de Nicolas Sarkozy, que se opõe abertamente à entrada do país no bloco.

Nicolas Sarkozy: ceticismo frente ao ingresso da TurquiaFoto: picture alliance/dpa

O difícil acordo para o estabelecimento de um novo contrato entre os países da União Européia mal acaba de ser selado e Bruxelas já se confronta com as próximas negociações para a entrada de novos países no bloco. No início da segunda rodada de negociações com a Turquia e a Croácia, nesta terça-feira (26/06), o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, na função de representante da presidência da UE que se despede, pretendia discutir com a Turquia três dos 35 capítulos que constituem o processo de entrada de um país no bloco.

De última hora, Bruxelas anunciou a decisão de que apenas o quesito "estatística e controle financeiro" será debatido, enquanto questões de muito mais peso, como união monetária e econômica, ficarão de fora. Isso num contexto em que Joaquín Almunia, comissário da UE para assuntos monetários, havia anunciado, em meados de junho, que não vê qualquer razão para que as negociações com a Turquia fossem interrompidas neste sentido.

Diferente de Chirac

Joaquín Almunia, comissário da UEFoto: AP

O recuo da UE é uma conseqüência imediata da pressão exercida pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, que, segundo consta, vê as negociações com a Turquia a respeito de uma união monetária como um passo muito definitivo rumo à entrada do país no bloco. Se Jacques Chirac foi um dos principais defensores da entrada da Turquia na UE, seu sucessor Sarkozy já havia declarado sua oposição ao ingresso do país até mesmo antes de sua posse, durante a campanha eleitoral.

Segundo Sarkozy em entrevista ao diário Le Figaro, a Turquia é um país "muçulmano demais", que não teria "lugar na Europa". Logo, a postura da França deverá ser a de defender uma "parceria estratégica" com Ancara, sem, no entanto, amolecer no "não" ao ingresso do país no bloco.

"Sarkozy se comporta de forma estrategicamente errada. Ele gostaria mesmo é de interromper por completo as negociações com a Turquia, mas isso significaria que a UE passaria a não exercer mais influências sobre o país, isolando-o", diz Cornelius Ochmann, especialista em questões relativas à ampliação da UE da Fundação Bertelsmann. Diante disso, o consenso é o de que as conversações sejam, como planejado, levadas adiante, analisa Ochmann.

De acordo com as regras atuais, os 35 capítulos que regulamentam a entrada de um novo país no bloco são discutidos no decorrer de 10 a 15 anos. No fim destas conversas, não será apenas avaliado se a Turquia supre todos os critérios para seu ingresso na união, mas também se o bloco de 27 países ainda está apto a receber um novo membro.

Rejeição clara

Turquia na União Européia: viabilidade em risco?Foto: BilderBox

O fato de que a discussão planejada anteriormente sobre a união monetária tenha sido cancelada por parte da UE é, para o especialista Ochmann, um "sinal negativo, uma clara rejeição" ao país. Além disso, a postura da Polônia durante o último encontro de cúpula do bloco afetou sensivelmente a abertura da UE para a entrada de novos membros.

Ochmann acredita que outros chefes de Estado apóiam nos bastidores do bloco a rejeição de Sarkozy a Ancara. "Até mesmo alguns defensores da ampliação vão se perguntar: Se até a Polônia demonstra tão pouca maturidade e causa tantas dificuldades à UE, como será com a Turquia?", observa Ochmann.

Ninguém se ilude

"A cúpula da UE foi, para os candidatos, a longo prazo, um passo inacreditável à frente", acredita Gerald Knaus, co-fundador do Instituto de Pesquisa e Consultoria Iniciativa Européia de Estabilidade e especialista em política do Sudeste Europeu.

Mesmo que o tom de Sarkozy seja um tanto quanto "estranho" em relação à Turquia, o especialista acredita que "ninguém nutre ilusões de que os debates entre a UE e o país serão leves. A questão do Chipre vai pesar sobre o processo de negociação como uma espada de Dâmocles. Se as negociações para o ingresso fracassarem, isso vai acontecer porque a Turquia não terá respeitado os critérios de Copenhague, em função, por exemplo, de um câmbio interno de poder".

Apesar de todas as dificuldades, é pouco provável que a UE venha a interromper as negociações. "Há resistências, mas a máquina da união continua funcionando. E é melhor negociar a respeito de dois capítulos do que não negociar nada", conclui Knaus.

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