França e Espanha têm 166 mil desalojados por queimadas
Publicado 24 de julho de 2026Última atualização 24 de julho de 2026
Paris aciona mecanismo de proteção civil da União Europeia devido a queimadas sem precedentes. Madri declara estado de emergência na região de Madri. Na Itália, 6 mil bombeiros combatem o fogo no sul do país.
Lège-Cap-Ferret, no litoral francês, teve que retirar turistas devido à insegurança causada pelo fogoFoto: Julien De Rosa/AFP
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Mais de 166 mil pessoas foram evacuadas na França e na Espanha nos últimos dois dias devido a incêndios florestais de grandes proporções que avançam sobre áreas próximas a Madri e Bordeaux, cidade do sudoeste francês cercada por destinos turísticos e regiões vinícolas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu nesta sexta-feira (24/07) o apoio das Forças Armadas no combate ao que classificou como o pior incêndio já enfrentado pelo país. Após solicitar ajuda à União Europeia, o governo francês intensificou os esforços para conter as chamas, que, segundo autoridades locais, avançam em direção a Bordeaux.
Ao todo, mais de 141 mil foram instadas a deixar suas casas no sudoeste da França, segundo informou o Ministério do Interior do paí, onde o fogo se espalhou rapidamente e consumiu 12.500 hectares, quase o tamanho de Paris.
Na península de Cap Ferret, ao sul de Bordeaux, cerca de 44 mil pessoas deixaram a região, onde o único acesso rodoviário estava ameaçado pelo fogo. Vinte e sete embarcações foram mobilizadas para retirar centenas de moradores e turistas. Mais de 50 casas foram destruídas.
Queimadas também forçaram a evacuação de 25 mil moradores daEspanha, ao mesmo tempo em que a Europa se prepara para a chegada de uma nova onda de calor, com temperaturas previstas de até 40 ºC em algumas regiões.
Até o momento, em 2026, os incêndios florestais já teriam queimado mais área na Europa do que a média anual das últimas duas décadas.
Em números totais, no entanto, 2025 ainda vence. Desde o começo deste ano, foram queimados quase 255 mil hectares em território europeu, em cerca de 1.250 incêndios. No ano passado, respectivamente, foram mais de 270 mil hectares e mais de 1.300 focos.
O continente, por sinal, é o que mais tem sofrido com o aquecimento global em todo o mundo – algo que especialistas atribuem principalmente às mudanças climáticas, que estariam tornando eventos climáticos extremos, como ondas de calor e os incêndios florestais, mais frequentes e mais severos.
Chamas perto da capital Madri levaram a Espanha a decretar emergência nacionalFoto: Alberto Ortega/Europa Press/ABACA/picture alliance
Espanha: emergência nacional
A fim de enfrentar com mais precisão os incêndios florestais – com alguns deles totalmente fora de controle –, a Espanha declarou emergência nacional na região de Madri e na província de Ávila, próxima à capital.
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Cerca de 25 mil pessoas tiveram que deixar suas casas perto da capital espanhola.
A medida visa acelerar a mobilização de recursos para combater o fogo. A decisão também transfere a resposta à crise para a unidade de emergência militar das Forças Armadas espanholas, especializada em socorro durante catástrofes.
Nesta quinta, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, postou na rede social X que "o governo mobilizou todos os recursos disponíveis para conter os terríveis incêndios que atualmente afetam diversas regiões: Ávila, León, Toledo, Madri e outras partes da Espanha".
Sánchez também visitou uma área devastada pelo fogo em Guadalajara, a nordeste de Madri, onde mais de 30 povoados foram evacuados: "Ano após ano, vemos claramente como as mudanças climáticas matam e destroem a riqueza de nossas comunidades. Isso não é política. É ciência, são fatos", disse ele.
Lège-Cap-Ferret, ponto turístico do litoral francês, tem sido duratemente atingido pelo fogoFoto: Olivier Morin/AFP
França: proteção civil da UE
Na França, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o país acionou o mecanismo de proteção civil da União Europeia (UE) para solicitar ajuda no combate aos incêndios florestais.
"Em breve, contaremos com o apoio de duas aeronaves Canadair da Croácia, dois Air Tractors de Portugal e dois helicópteros Black Hawk de grande capacidade de carga, da República Tcheca e da Eslováquia", postou Macron na rede social X na madrugada desta sexta-feira.
Os incêndios devastaram cerca de 12 mil hectares e tiraram 140 mil pessoas de suas casas, segundo informações divulgadas pelas autoridades na sexta-feira.
Itália combate o fogo de centenas de incêndios com aviões em suas florestas no sulFoto: Andrea Carrubba/Anadolu/picture alliance
Itália: combate ao fogo no sul
Cerca de 6 mil bombeiros, guardas florestais e agentes da proteção civil foram mobilizados em toda a Sicília após incêndios que já duram dias.
O presidente regional Renato Schifani afirmou que cerca de 50 incêndios seguem ativos, apesar do uso de aeronaves no combate ao fogo.
Na Calábria, também no sul do país, já foram registrados mais de 160 incêndios, que autoridades locais classificaram como "criminosos", que teriam sido propagados por "indivíduos mal-intencionados" por meio de panos com material inflamável amarrados em gatos de rua.
A seca no Reno pode ser obervada em várias cidades da Alemanha, como em ColôniaFoto: Christoph Hardt/Panama Pictures/picture alliance
Seca em rios
O calor e a seca tem baixado também o nível de rios nas últimas semanas. Na Romênia, o Danúbio atingiu seu nível mais baixo desde 1996, o que levou à imposição de medidas para restringir a irrigação aos agricultores e tem prejudicado a navegação comercial e o turismo.
Na Alemanha, o Reno também voltou a baixar, o que segue dificultando a navegação e aumentando o custo do transporte de cargas.
Há uma semana, o baixo nível das águas já dificultava a navegação no Reno e o transporte de mercadorias principalmente rumo ao sul das cidades de Duisburg e Colônia, como no ponto de estreitamento na cidade de Kaub, no estado da Renânia-Palatinado.
Com isso, tem sido necessário distribuir a carga em mais navios, já que a pouca profundidade não permite que as embarcações naveguem com capacidade máxima, o que, consequentemente, aumenta os custos no setor.
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Água, vento, fogo ou gelo: grandes desastres naturais causam mortes por todo mundo, afetando a vida de milhões de pessoas. Confira algumas das catástrofes naturais registradas no último século.
Foto: Getty Images/AFP/J. Barret
Enchente na China em 1931 pode ter matado até 4 milhões de pessoas
Em 1931, a cheia dos rios Amarelo, Pérolas, Yangtzé e Huai devastou parte da China. A enchente, que durou de julho a novembro, inundou mais de 88 mil km² e deixou outros 21 mil km² parcialmente inundados. Não há registro exato do número de mortos, mas estima-se que de 1 milhão a 4 milhões de pessoas morreram em decorrência da tragédia e de seus efeitos secundários, como a fome.
Foto: picture-alliance/AP Images
Por falta de aviso à população, ciclone mata pelo menos 300 mil em Bangladesh
Em novembro de 1970, o Paquistão Oriental (atual Bangladesh) esteve no caminho do ciclone Bhola. Meteorologistas disseram ter previsto a tempestade, mas que não havia meios de comunicar o risco à população. Como resultado, ao menos 300 mil pessoas morreram – algumas estimativas chegam a meio milhão de mortes. Em 1991, Bangladesh foi atingido por outro ciclone, que deixou cerca de 138 mil mortos.
Foto: Getty Images
Terremoto acaba com cidade na China
A cidade industrial de Tangshan, na China, foi arrasada por um terremoto de magnitude 7,6 em 28 de julho de 1976. Em minutos, a cidade praticamente deixou de existir, com o colapso da maioria dos prédios. O abalo sísmico matou 242 mil pessoas, segundo o governo chinês – o recorde entre os terremotos ocorridos no século 20.
Foto: Imago/Xinhua
Erupção riscou cidade colombiana do mapa
O vulcão Nevado del Ruiz, na Cordilheira dos Andes, riscou do mapa a cidade de Armero, em 13 de novembro de 1985, na Colômbia. Uma erupção provocou um degelo, formando uma avalanche de lama e cinza vulcânica que atingiu um raio de 100 km, matando mais de 23 mil pessoas, entre elas, Omayra Sánchez, de 12 anos, que agonizou por 60 horas em frente às lentes do mundo todo sem possibilidade de resgate.
Foto: AP
Diretor de cinema e equipe soterrados por avalanche
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Foto: AP
Mais de 230 mil mortes um dia depois do Natal
Em 26 de dezembro de 2004, um maremoto no Oceano Índico com intensidade 9.1 na escala Richter causou ondas de até 30 metros de altura, que devastaram regiões de 13 países, deixando quase dois milhões de desabrigados e ao menos 230 mil mortos. Somente na província indonésia de Acé morreram 170 mil pessoas.
Foto: Pornchai Kittiwongsakul/AFP/Getty Images
Furacão rompe barragens e deixa cidade debaixo da água nos EUA
Um dos furacões mais conhecidos da história dos Estados Unidos teve efeitos devastadores em Nova Orleans, na Luisiana. Ocorrido em 2005, o Katrina matou cerca de 1.800 pessoas, fez com que 250 mil perdessem suas casas e provocou danos estimados em cerca de 108 bilhões de dólares. Barragens se romperam, deixando 80% da cidade debaixo da água e arrancando até mesmo caixões das sepulturas.
Foto: AP
Ciclone devasta Myanmar e deixa pelo menos 140 mil mortos
O ciclone Nargis afetou, entre outros países, Índia, Sri Lanka, Laos, Bangladesh e, principalmente, Myanmar com sua fúria de categoria 4, em 2 de maio de 2008. Estatísticas apontam que 140 mil pessoas morreram, mas o número real pode ser próximo de um milhão de vítimas.
Foto: IFRC/dpa/picture alliance
Um terço da população afetada por terremoto no Haiti
Não bastasse ser o país mais pobre da América, em 12 de janeiro de 2010 um terremoto de magnitude 7 na escala Richter destruiu a capital do Haiti, Porto Príncipe, deixando cerca de 220 mil mortos e 1 milhão de desabrigados. Entre as vítimas estava a fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns. Estima-se que 3 milhões de pessoas, quase um terço da população, tenham sido afetadas.
Foto: C. Somodevilla/Getty Images
Enxurrada e deslizamentos matam mais de 900 no Rio de Janeiro
O Brasil não costuma ser assolado por desastres naturais como terremotos e tsunamis. Porém, entre 11 e 12 de janeiro de 2011, uma sequência de chuvas fortes atingiu a região serrana do Rio de Janeiro, causando uma grande enxurrada e vários deslizamentos de terra, com soterramento de casas. O desastre provocou mais de 900 mortes em sete cidades e afetou mais de 300 mil pessoas.
Foto: AP
Tsunami provoca derretimento de reatores e acidente nuclear no Japão
Em 11 de março de 2011, um terremoto de magnitude 9 seguido de um tsunami causou danos devastadores no Japão. A catástrofe matou pelo menos 16 mil pessoas. Na usina nuclear de Fukushima, os núcleos de três dos seis reatores derreteram, causando o pior acidente atômico desde Chernobyl, em 1986. O tsunami fez com que quase 300 espécies marinhas viajassem através do Pacífico até o litoral dos EUA.
Foto: AP
Dezenas de mortos cercados pelo fogo em estrada de Portugal
Uma onda de calor causou vários incêndios em Portugal em junho de 2017. Ao menos 61 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em um deles, que atingiu a vila de Pedrógão Grande. Corpos de 30 pessoas foram encontrados dentro de veículos, em uma estrada que foi cercada pelo fogo. Mais de 800 bombeiros trabalharam para extinguir as chamas, com a ajuda de cinco aviões.
Foto: Reuters/R. Marchante
Onda de calor deixa 70 mil mortos na Europa
Embora os brasileiros estejam acostumas e preparados para temperaturas que frequentemente chegam a 40°C, a Europa não costumava, até alguns anos, enfrentar esse tipo de problema. Mas uma onda de calor atingiu o continente no verão de 2003, provocando a morte de cerca de 70 mil pessoas – na Alemanha foram 7 mil mortes. Na foto acima, o rio Reno em Düsseldorf.