Governo alemão homenageia autores de atentado contra Hitler
20 de julho de 2025
Em cerimônia em Berlim, ministros e filho do ex-chanceler federal Willy Brandt relembram papel de militares que tentaram assassinar o ditador nazista em 20 de julho de 1944.
O prefeito de Berlim, Kai Wegner, durante cerimônia em homenagem aos membros da resistência alemã contra o nazismoFoto: Christophe Gateau/dpa/picture alliance
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Membros da classe política alemã e das Forças Armadas do país participaram de uma cerimônia neste domingo (20/07) para assinalar o 81º aniversário da tentativa de assassinato de Adolf Hitler por oficiais do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial.
Um dos principais eventos ocorreu no memorial de Plötzensee, em Berlim, junto a uma prisão onde os nazistas assassinaram pelo menos 2.800 pessoas, incluindo muitos opositores e resistentes.
O principal orador do evento foi o ator Matthias Brandt, filho do antigo chanceler federal alemão Willy Brandt, que fugiu do regime nazista e se exilou na Noruega em 1933, anos antes de entrar para a política no pós-guerra, tendo sido posteriormente prefeito de Berlim ocidental e líder do governo da Alemanha Ocidental entre 1969 e 1974.
Matthias Brandt recordou como, após a guerra, foi necessário muito tempo para que o papel dos opositores de Hitler fosse reconhecido e como muitos tiveram de sofrer insultos por parte daqueles que ainda os consideravam "traidores da pátria".
"No início do pós-guerra, os homens e as mulheres da resistência foram apresentados como tendo demonstrado que era possível comportar-se de forma diferente da maioria. Para muitos, lidar com a resistência era também lidar com a sua própria passividade" perante a ditadura nazista, acrescentou.
"Estavam confortáveis com a ideia de que tinham feito parte de um povo seduzido que tinha sido entregue aos nazistas sem saber o que se passava", salientou Brandt, que evocou a história do seu pai como membro da resistência contra Hitler e procurou fazer a ponte para o presente.
Matthias Brandt também advertiu que os males do nazismo ainda persistem. "Hoje, estamos novamente vendo [...] como o veneno do ódio, do racismo e da exclusão está penetrando e se mostra no embrutecimento social, não
menos na linguagem, por meio da violência e do uso consciente de imagens da propaganda nazista", disse Matthias Brandt.
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Atentado
Em 20 de julho de 1944, o coronel Claus Schenk von Stauffenberg, membro de um núcleo de oficiais e aristocratas que havia se voltado contra Hitler, plantou uma bomba no quartel-general conhecido como "Toca de Lobo", na antiga Prússia Oriental, hoje dentro das fronteiras da Polônia.
Mas a bomba que Stauffenberg escondeu numa mala deixada na sala na qual o ditador nazista participava de uma conferência não alcançou seu objetivo. Hitler sofreu apenas alguns ferimentos. No mesmo dia, fracassou uma tentativa de golpe de Estado para remover os nazistas do poder que ficou conhecida pelo nome "Operação Valquíria". O coronel e centenas de membros da resistência, entre militares, aristocratas, religiosos e políticos conservadores, acabaram sendo executados um a um nos dias e semanas que se seguiram.
O coronel Stauffenberg, que plantou a bomba na sala de conferências no QG de Hitler em 1944Foto: picture-alliance/akg-images
Responsabilidade histórica
Participando da cerimônia neste domingo, a ministra da Justiça, Stefanie Hubig, disse que a Alemanha não pode ser novamente uma fonte do mesmo tipo de horror que surgiu na década de 1930. "Essa é a responsabilidade de todos nós resultante dessa dívida", disse ela. "Devemos e precisamos dizer com mais firmeza e mais alto que não permitiremos que o estado de direito ou a democracia sejam destruídos novamente", disse ela
Já o ministro da Cultura, Wolfram Weimer, também prestou homenagem aos conspiradores do 20 de julho, mas acrescentou que a resistência deve ser vista num sentido mais amplo.
"No dia 20 de julho de 1944, pessoas corajosas enfrentaram a injustiça. Mas quando falamos de resistência, não devemos falar apenas dos conspiradores. As suas famílias também deram provas de coragem e muitas pagaram um preço elevado. Parentes que esconderam cartas e esposas que ficaram na prisão, mães que foram sujeitas a longos interrogatórios", afirmou.
"Não existem monumentos nem letras douradas para eles, os heróis silenciosos que, no entanto, marcaram a nossa história", acrescentou o ministro.
Já o prefeito de Berlim, Kai Wegner, mencionou a "grande coragem" dos membros da resistência contra a tirania nazista. "Eles enfrentaram a ameaça de privação de direitos, campos de concentração, punição coletiva ou assassinato", disse.
Hitler e o ditador Benito Mussolini inspecionam danos após atentado em 1944Foto: brandstaetter images/Votava/picture alliance
Ambivalência alemã
O legado de Stauffenberg na Alemanha do pós-Guerra desperta sentimentos mistos no país. Inicialmente, após a guerra, muitos alemães ainda influenciados pelos nazistas o viam como um traidor. Posteriormente, diferentes governos da Alemanha Ocidental começaram lentamente a exaltar a figura do coronel e outros membros do complô. No entanto, com o passar do tempo, mesmo a exaltação começou a ser vista de maneira mais crítica, com alguns historiadores sugerindo que Stauffenberg era um oportunista que só se voltou contra o ditador nazista quando a derrota da Alemanha passou a ser inevitável.
O historiador Wolfgang Benz disse ao jornal Augsburger Allgemeine em 2019, na ocasião do aniversário dos 75 anos do atentado, que é importante que os alemães se recordem do movimento de resistência mais amplo ao nazismo, e não apenas dos oficiais militares envolvidos no complô de 20 de julho.
jps (DPA, Lusa, DW, ots)
Em 1° de setembro de 1939, as Forças Armadas alemãs atacaram a Polônia, sob ordens de Hitler. A guerra que então começava duraria até 8 de maio de 1945, deixando um saldo até hoje sem paralelo de morte e destruição.
Foto: U.S. Army Air Forces/AP/picture alliance
1939
No dia 1° de setembro de 1939, as Forças Armadas alemãs atacaram a Polônia sob ordens de Adolf Hitler – supostamente em represália a atentados poloneses, embora isso tenha sido uma mentira de guerra. No dia 3 de setembro, França e Reino Unido, que eram aliadas da Polônia, declararam guerra à Alemanha, mas não intervieram logo no conflito.
1939
A Polônia mal pôde oferecer resistência às bem equipadas tropas alemãs – em cinco semanas, os soldados poloneses foram derrotados. No dia 17 de setembro, o Exército Vermelho ocupou o leste da Polônia – em conformidade com um acordo secreto fechado entre o Império Alemão e a União Soviética apenas uma semana antes da invasão.
Foto: AP
1940
Em abril de 1940, a Alemanha invadiu a Dinamarca e usou o país como base até a Noruega. De lá vinham as matérias-primas vitais para a indústria bélica alemã. No intuito de interromper o fornecimento desses produtos, o Reino Unido enviou soldados ao território norueguês. Porém, em junho, os aliados capitularam na Noruega. Nesse meio tempo, a Campanha Ocidental já havia começado.
1940
Durante oito meses, soldados alemães e franceses se enfrentaram no oeste, protegidos por trincheiras. Até que, em 10 de maio, a Alemanha atacou Holanda, Luxemburgo e Bélgica, que estavam neutros. Esses territórios foram ocupados em poucos dias e, assim, os alemães contornaram a defesa francesa.
Foto: picture alliance/akg-images
1940
Os alemães pegaram as tropas francesas de surpresa e avançaram rapidamente até Paris, que foi ocupada em meados de junho. No dia 22, a França se rendeu e foi dividida: uma parte ocupada pela Alemanha de Hitler e a outra, a "França de Vichy", administrada por um governo fantoche de influência nazista e sob a liderança do general Pétain.
Foto: ullstein bild/SZ Photo
1940
Hitler decide voltar suas ambições para o Reino Unido. Seus bombardeios transformaram cidades como Coventry em cinzas e ruínas. Ao mesmo tempo, aviões de caça travavam uma batalha aérea sobre o Canal da Mancha, entre o norte da França e o sul da Inglaterra. Os britânicos venceram e, na primavera europeia de 1941, a ofensiva alemã estava consideravelmente enfraquecida.
Foto: Getty Images
1941
Após a derrota na "Batalha aérea pela Inglaterra", Hitler se voltou para o sul e posteriormente para o leste. Ele mandou invadir o norte da África, os Bálcãs e a União Soviética. Enquanto isso, outros Estados entravam na liga das Potências do Eixo, formada por Alemanha, Itália e Japão.
1941
Na primavera europeia, depois de ter abandonado novamente o Pacto Tripartite, Hitler mandou invadir a Iugoslávia. Nem a Grécia, onde unidades inglesas estavam estacionadas, foi poupada pelas Forças Armadas alemãs. Até então, uma das maiores operações aeroterrestres tinha sido o ataque de paraquedistas alemães a Creta em maio de 1941.
Foto: picture-alliance/akg-images
1941
O ataque dos alemães à União Soviética no dia 22 de junho de 1941 ficou conhecido como Operação Barbarossa. Nas palavras da propaganda alemã, o objetivo da campanha de invasão da União Soviética era uma "ampliação do espaço vital no Oriente". Na verdade, tratava-se de uma campanha de extermínio, na qual os soldados alemães cometeram uma série de crimes de guerra.
Foto: Getty Images
1942
No começo, o Exército Vermelho apresentou pouca resistência. Aos poucos, no entanto, o avanço das tropas alemãs chegou a um impasse na Rússia. Fortes perdas e rotas inseguras de abastecimento enfraqueceram o ataque alemão. Hitler dominava quase toda a Europa, parte do norte da África e da União Soviética. Mas no ano de 1942 houve uma virada.
1942
A Itália havia entrado na guerra em junho de 1940, como aliada da Alemanha, e atacado tropas britânicas no norte da África. Na primavera de 1941, Hitler enviou o Afrikakorps como reforço. Por muito tempo, os britânicos recuaram – até a segunda Batalha de El Alamein, no outono de 1942. Ali a situação mudou, e os alemães bateram em retirada. O Afrikakorps se rendeu no dia 13 de maio de 1943.
Foto: Getty Images
1942
Atrás do fronte leste, o regime de Hitler construiu campos de extermínio, como Auschwitz-Birkenau. Mais de seis milhões de pessoas foram vítimas do fanatismo racial dos nazistas. Elas foram fuziladas, mortas com gás, morreram de fome ou de doenças. Milhares de soldados alemães e da SS estiveram envolvidos nestes crimes contra a humanidade.
Foto: Yad Vashem Photo Archives
1943
Já em seu quarto ano, a guerra sofreu uma virada. No leste, o Exército Vermelho partiu para o contra-ataque. Vindos do sul, os aliados desembarcaram na Itália. A Alemanha e seus parceiros do Eixo começaram a perder terreno.
1943
Stalingrado virou o símbolo da virada. Desde julho de 1942, o Sexto Exército alemão tentava capturar a cidade russa. Em fevereiro, quando os comandantes desistiram da luta inútil, cerca de 700 mil pessoas já haviam morrido nesta única batalha – na maioria soldados do Exército Vermelho. Essa derrota abalou a moral de muitos alemães.
Foto: picture-alliance/dpa
1943
Após a rendição das tropas alemãs e italianas na África, o caminho ficou livre para que os Aliados lutassem contra as potências do Eixo no continente europeu. No dia 10 de julho, aconteceu o desembarque na Sicília. No grupo dos Aliados estavam também os Estados Unidos, a quem Hitler havia declarado guerra em 1941.
Foto: picture alliance/akg
1943
Em setembro, os Aliados desembarcaram na Península Itálica. O governo em Roma acertou um armistício com os Aliados, o que levou Hitler a ocupar a Itália. Enquanto os Aliados travavam uma lenta batalha no sul, as tropas de Hitler espalhavam medo pelo resto do país.
No leste, o Exército Vermelho expulsou os invasores cada vez mais para longe da Alemanha. Iugoslávia, Romênia, Bulgária, Polônia... uma nação após a outra caía nas mãos dos soviéticos. Os Aliados ocidentais intensificaram a ofensiva e desembarcaram na França, primeiramente no norte e logo em seguida no sul.
1944
Nas primeiras horas da manhã do dia 6 de junho, as tropas de Estados Unidos,Reino Unido, Canadá e outros países desembarcaram nas praias da Normandia, no norte da França. A liderança militar alemã tinha previsto que haveria um desembarque – mas um pouco mais a leste. Os Aliados ocidentais puderam expandir a penetração nas fileiras inimigas e forçar a rendição de Hitler a partir do oeste.
Foto: Getty Images
1944
No dia 15 de agosto, os Aliados deram início a mais um contra-ataque no sul da França e desembarcaram na Provença. As tropas no norte e no sul avançaram rapidamente e, no dia 25 de agosto, Paris foi libertada da ocupação alemã. No final de outubro, Aachen se tornou a primeira grande cidade alemã a ser ocupada pelos Aliados.
Foto: Getty Images
1944
No inverno europeu de 1944/45, as Forças Armadas alemãs reuniram suas tropas no oeste e passaram para a contra-ofensiva em Ardenne. Mas, após contratempos no oeste, os Aliados puderam vencer a resistência e avançar inexoravelmente até o "Grande Império Alemão" – a partir do leste e do oeste.
Foto: imago/United Archives
1945
No dia 8 de maio de 1945, os nazistas se renderam incondicionalmente. Para escapar da captura, Hitler se suicidou com um tiro no dia 30 de abril. Após seis anos de guerra, grande parte da Europa estava sob entulhos. Quase 50 milhões de pessoas morreram no continente durante a Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1945, o marechal de campo Wilhelm Keitel assinava a ratificação da rendição em Berlim.