Grécia vai pagar 5 euros por kg de perigoso baiacu invasor
1 de julho de 2026
A Grécia anunciou que pagará até 5,33 euros (R$ 31,50) por quilo aos pescadores que capturarem exemplares de Lagocephalus sceleratus, um tipo de peixe-balão ou baiacu invasor e venenoso que danifica equipamentos de pesca e ameaça ecossistemas do Mar Mediterrâneo.
A espécie, natural dos Oceanos índico e Pacífico, teria chegado às águas do Mediterrâneo oriental após atravessar o Canal de Suez a partir do Mar Vermelho e foi identificada pela primeira vez na costa da Grécia em 2005. Desde então, sua população se multiplicou sem controle, especialmente no sul do Mar Egeu, onde não possui predadores naturais.
Um peixe invasor, agressivo e venenoso
O Lagocephalus pode atingir até 13 quilos, tem uma grande cabeça triangular e dentes frontais que lembram os de uma lebre – motivo pelo qual seu nome em grego é "cabeça de lebre". A espécie também é conhecida pelo seu nome japonês Sennin-fugu.
Sua pele e seus órgãos contêm tetrodotoxina, uma substância altamente venenosa capaz de causar a morte em seres humanos. Também já foram registrados casos de banhistas mordidos por esses peixes.
O animal é motivo de preocupação entre os pescadores porque devora outros peixes explorados comercialmente e destrói redes e equipamentos de pesca.
"É uma espécie particularmente agressiva, com mandíbulas e dentes muito fortes", afirma Paraskevi Karajlé, ictióloga e diretora de pesquisas do Centro Helênico de Investigação Marinha (ELKETHE), em entrevista à emissora pública ERT.
Segundo a especialista, esse tipo de baiacu causa danos aos equipamentos porque tenta se alimentar dentro das redes e espinhéis, destruindo o material utilizado pelos pescadores.
Proposta do governo grego
Em comunicado oficial, o ministro grego da Agricultura e da Pesca, Margaritis Schinás, destacou que a pesca no país vem enfrentando uma situação difícil nos últimos anos. "Ela é ameaçada pelas mudanças climáticas, pelas espécies invasoras e pelos Lagocephalus, que já representam uma ameaça real para nossos mares", declarou.
Schinás exlicou que os peixes recolhidos serão congelados e, posteriormente, incinerados em instalações administradas pelas autoridades locais.
O governo da nação mediterrânea de Chipre já opera um programa semelhante que paga cerca de 4,73 euros (R$ 28) por quilograma do baiacu invasor.
Desde o lançamento do programa cipriota em junho de 2024, pescadores capturaram quase 103.000 kg (103 toneladas) da espécie invasora.
O programa cipriota conta com financiamento conjunto do Fundo Europeu da Pesca e do governo do Chipre e está previsto para durar até o final de 2029. Segundo o fundo, as autoridades já pagaram aproximadamente 487.000 euros (R$ 2,9 milhões) aos pescadores participantes.
Reação dos pescadores gregos
Stathis Evanguelu, um pescador que atua nas águas próximas à ilha grega de Astypalaia, afirmou ao jornal Kathimerini que captura diariamente entre 100 e 200 exemplares.
"Existem dezenas de milhares deles. Eles rasgam nossas redes, destroem nossos equipamentos e comem os peixes que precisamos vender", lamenta.
Giorgos Kyriakakis, integrante de uma associação de pescadores de Creta, afirma que a situação chegou a um ponto crítico:
"Passamos um dia pescando e os três dias seguintes consertando nossas redes. Isso é muito caro".
Por iniciativa própria, outro pescador, Michalis Karpodinis, da ilha de Rodes, organizou uma espécie de "caçada" ao peixe-balão com o objetivo de reduzir sua população e contribuir para mares mais limpos.
Espécie não preocupa o turismo
Apesar de nas últimas semanas a espécie ter causado grandes prejuízos aos pescadores na costa de Creta e de outras ilhas do país, as autoridades gregas afirmam que o peixe não foi avistado em áreas de banho frequentadas por turistas nos principais destinos das ilhas gregas.
Em nota conjunta, 16 associações médicas e turísticas de Creta destacaram que a presença desses peixes no Mediterrâneo é conhecida há anos.
"Não existe, porém, um perigo invisível ou iminente para os banhistas. Os predadores marinhos não ameaçam a segurança dos visitantes nem dos moradores. O exagero costuma ser uma característica do debate público", afirmaram.
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