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Grupos extremistas de direita na Alemanha

Wolfgang Dick md
21 de outubro de 2016

A morte de um policial na Baviera trouxe a público o movimento de extrema direita Reichsbürger. No país há cerca de 30 entidades neonazistas, em parte pouco conhecidas e monitoradas pelos órgãos de segurança interna.

Berlin Aufmarsch rechter Gruppierungen
Foto: Reuters/H. Hanschke

A morte violenta de um policial na Baviera trouxe a público praticamente da noite para o dia o até então relativamente desconhecido movimento de extrema direita dos Reichsbürger (literalmente "Cidadãos do Império Alemão").

Nem mesmo o Departamento de Proteção à Constituição (BfV, serviço de inteligência interna da Alemanha) os considerava perigosos. Eles não reconhecem o atual Estado alemão, tacham a chanceler federal Angela Merkel de "maçom judia" e evocam, saudosos, as fronteiras alemãs de 1937.

Cerca de 30 clubes, associações, fraternidades, grupos e partidos organizados cultivam o mesmo tipo de ideologia antissemita, ultradireitista e xenófoba. No último relatório anual do BfV, o número de membros dessas organizações foi avaliado em 22.600, incluindo cerca de 8 mil integrantes potencialmente violentos. Após anos de declínio, desde 2014 esses grupos tendem novamente a crescer.

A seguir, uma breve seleção.

Bandas neonazistas também fazem trabalho de propaganda ideológicaFoto: picture-alliance/dpa/S. Kahnert

Identitäre Bewegung  (Movimento Identitário): O grupo com raízes nas redes sociais de internet da França, estando ativo na Alemanha desde 2012. Ele afirma lutar contra a "imigração descontrolada em massa" e a "perda da própria identidade devido à infiltração estrangeira". Em manifestações, folhetos e adesivos, seus seguidores divulgam o ódio contra estrangeiros e muçulmanos. Há laços com o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Seus membros, estimados em cerca de 400, são monitorados pelo Departamento de Proteção à Constituição.

Widerstand West  (Resistência Ocidente): Rede ativa de militantes de grupos neonazistas, que, entre outros meios, usam os shows de cerca de 200 bandas extremistas de rock para divulgar sua ideologia em todo o país.

Movimento Pro: Aliança de associações de eleitores da direita, clubes e pequenos partidos, especialmente ativa em Colônia, organizando grandes protestos contra os estrangeiros, a construção de mesquitas e a "islamização" da Alemanha. Representantes do movimento conseguiram até se eleger para o legislativo da cidade em 2004. Muitos dos seus cerca de 800 membros integravam antes partidos de direita como o NPD e a DVU.

Der III. Weg  (A Terceira Via): Fundado em 2013 em Heidelberg, o pequeno partido classificado pelas autoridades alemãs como extremista de direita possui cerca de 200 membros, considerados altamente propensos à violência. É outro exemplo das conexões estreitas entre as forças de extrema direita. Seus membros pregam "ideologias nacionalistas", protestam contra abrigos de refugiados e propagam uma suposta "terceira via", que suplantaria o comunismo e o capitalismo.

Anti-Antifa  (Anti-Antifascismo): O movimento conta cerca de 900 ativistas, atuando em todo o país contra os que tentam coibir os grupos de extrema direita. Nas manifestações, entram frequentemente em choque com grupos extremistas de esquerda. Entre os apoiadores do movimento está o Deutsches Rechtsbüro (Escritório Alemão de Direito), que fornece assistência jurídica a réus de extrema direita.

Ring Nationaler Frauen  (Círculo das Mulheres Nacionalistas): Serviços de segurança e sociólogos concluem que a maioria dos adeptos de ideologias de direita é do sexo feminino, embora em público os homens costumem ocupar o primeiro plano. A organização foi criada em 2006 pelo partido de extrema direita NPD, como "porta-voz" para "mulheres apartidárias com ideias nacionalistas".

Choque entre polícia e ativistas de extrema direita em Colônia, em outubro de 2015Foto: picture-alliance/dpa/M. Becker

Sinais de desgaste

Nationaldemokratische Partei Deutschlands  (Partido Nacional Democrático da Alemanha): O NPD é considerado o reduto clássico para extremistas de direita. Fundado em 1964, depois de alguns sucessos nas eleições estaduais da Alemanha Oriental ele atualmente sofre de evidente esvaziamento de seus quadros. Contando menos de 5 mil membros, só tem conseguido entre 0,1% e 1,2% dos votos nos pleitos. Atualmente enfrenta no Tribunal Constitucional Federal um segundo processo para sua proibição, cujo veredicto está sendo aguardado.

Die Republikaner  (Os Republicanos): De acordo com as autoridades alemãs, a legenda quase não tem mais significado na cena de extrema direita, desde que parte de seus cerca de 6 mil membros se distanciou claramente das posições extremas do NPD e de organizações similares. Fundado no início dos anos 1980 por ex-membros da conservadora União Democrata Cristã (CDU), ele defende ideias consideradas populistas de direita.

Segundo especialistas, tanto o NPD como Os Republicanos perderam muitos eleitores potenciais para o AfD.

Dissolvidos e proibidos

Deutsche Volksunion  (União Popular Alemã): A DVU é uma das muitas associações extremistas que se dissolveram após vários conflitos internos, sem qualquer interferência do Departamento de Proteção à Constituição. Defendendo programas neonazistas e xenófobos, ela ocupou diversos mandatos nos legislativos regionais, conseguindo resultados de dois dígitos no estado de Saxônia-Anhalt. Sua tentativa de se fundir com o NPD fracassou, e seus rastros se perdem em 2012.

Heimattreue Deutsche Jugend  (Juventude Alemã Fiel à Pátria): Proibida em 2009 por disseminar ideologia nazista, a associação da cidade de Kiel, já teve 400 membros. Ela procurava influenciar crianças e adolescentes promovendo acampamentos, exercícios de artes marciais e doutrinação ideológica. Sua meta era formar uma elite neonazista, a exemplo de organizações anteriores, igualmente proibidas.

 

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