Hamas devolve mais dois corpos de reféns mortos em Gaza
19 de outubro de 2025
No total, grupo militante palestino devolveu os corpos de 12 dos 28 reféns mortos e mantidos em Gaza. Israel anunciou que manteria a passagem de Rafah fechada para pressionar por restituição.
Homens carregam corpo de prisioneiro palestino morto devolvido por Israel após acordo de cessar-fogo em GazaFoto: Omar Al-Qattaa/AFP
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O Exército de Israel informou que o grupo militante palestino Hamas entregou "dois caixões com reféns falecidos" ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Gaza na noite deste sábado (18/10).
Com isso, sobe para 12 o total de reféns mortos já devolvidos pelo Hamas desde o início do cessar-fogo. Outros 16, contudo, seguem em Gaza, e Israel anunciou que manteria fechada a passagem de Rafah, que conecta o território palestino ao Egito, como forma de pressionar pela restituição de todos os mortos às suas famílias.
A passagem de Rafah é considerada estratégica por ser o único ponto de acesso de Gaza com o mundo exterior que não faz fronteira com Israel, e sim com o Egito. Antes, a previsão era de que ela fosse reaberta no domingo.
A devolução de todos os reféns, vivos ou mortos, é um ponto fundamental do acordo de cessar-fogo, que está em vigor há uma semana e visa encerrar de vez a guerra iniciada em 7 de outubro de 2023.
O presidente dos EUA, Donald Trump, já alertou que autorizaria Israel a retomar a guerra caso o Hamas não devolva os restos mortais de todos os reféns mortos.
Em troca, Israel também se comprometeu a devolver corpos de palestinos de Gaza mortos desde o início do conflito. Neste sábado, mais 15 corpos foram restituídos, somando um total de 135 até então – 15 corpos de palestinos mortos para cada refém israelense morto.
Os últimos 20 reféns israelenses que seguiam com vida no território foram libertados na última segunda-feira (13/10). Em contrapartida, Israel devolveu quase 2 mil presos palestinos que mantinha em suas prisões.
O Hamas, que é considerado uma entidade terrorista por Estados Unidos, União Europeia e outros países, afirma que a destruição e o controle militar israelense de certas áreas de Gaza têm dificultado a localização dos restos mortais dos reféns no lado israelense.
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Hamas protesta contra bloqueio da passagem de Rafah
O anúncio do gabinete do primeiro-ministro isralense Benjamin Netanyahu sobre o bloqueio da passagem de Rafah foi divulgado pouco depois de a embaixada palestina no Egito informar que ela seria reaberta na segunda-feira para o retorno de pessoas a Gaza. O Hamas protestou, classificando a decisão de Netanyahu como uma violação do acordo de cessar-fogo.
A passagem de Rafah está fechada desde maio de 2024, quando Israel assumiu o controle do lado de Gaza. A reabertura total facilitaria a busca por tratamento médico, viagens ou visita a familiares no Egito.
Desde o início do cessar-fogo, Gaza recebeu em média cerca de 560 toneladas de comida por dia, mas a quantidade seguia bem abaixo da escala necessária, segundo o Programa de Alimentos das Nações Unidas.
Ansiedade de ambos os lados com os restos mortais
Israel tem devolvido corpos de palestinos sem nomes, apenas com números. O Ministério da Saúde de Gaza publica fotos online, na esperança de que famílias possam identificá-los.
"Assim como eles levaram seus cativos, nós queremos os nossos. Tragam meu filho, tragam todas as nossas crianças de volta", disse, em lágrimas, Iman Sakani, cujo filho desapareceu durante a guerra e que aguardava por notícias no hospital Nasser.
Enquanto isso, os escombros de Gaza continuam a ser vasculhados em busca de mortos. Corpos recém-recuperados elevaram o número de mortos palestinos para mais de 68 mil, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Milhares de pessoas continuam desaparecidas, de acordo com a Cruz Vermelha.
O ministério, parte do governo controlado pelo Hamas, não distingue entre civis e combatentes em sua contagem. No entanto, mantém registros detalhados de vítimas, considerados geralmente confiáveis por agências da ONU e especialistas independentes.
A guerra em Gaza foi deflagrada em 7 de outubro de 2023, quando militantes liderados pelo Hamas invadiram Israel e mataram cerca de 1,2 mil pessoas — em sua maioria civis — e sequestraram outras 251.
ra (AP, dpa, Reuters)
As declarações polêmicas de Lula na política externa
As declarações polêmicas de Lula na política externa
Foto: REUTERS
Comparação com o Holocausto
Em fevereiro de 2024, Lula irritou Israel. Ele foi declarado "persona non grata" pelo governo israelense após fazer uma analogia entre o Holocausto e mortes de civis palestinos em ataques israelenses na Faixa de Gaza. "O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus."
Foto: REUTERS
"É um genocídio"
Não foi a primeira vez em que Lula provocou polêmica ao se posicionar sobre o conflito entre Israel e o Hamas. Em outubro de 2023, ele chamou de "genocídio" os ataques em Gaza. "Não se trata de discutir quem está certo e errado, quem deu o primeiro tiro, quem deu o segundo, o problema é que não é uma guerra, é um genocídio que já matou quase 2.000 crianças que não têm nada a ver com essa guerra"
Foto: Ton Molina/NurPhoto/picture alliance
"Israel também está cometendo terrorismo"
Em novembro de 2023, Lula reiterou sua condenação aos atos terroristas do Hamas, mas disse que os ataques israelenses em Gaza também são terroristas. "Nunca vi uma violência tão brutal, tão desumana contra inocentes. Se o Hamas cometeu um ato de terrorismo, o Estado de Israel também está cometendo um ato de terrorismo", afirmou.
Foto: Michele Tantussi/AFP
"Zelenski tão responsável quanto Putin pela guerra"
Quando ainda era pré-candidato à Presidência, Lula irritou o governo de Kiev e incomodou parceiros ocidentais ao dizer que o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, é "tão responsável quanto Putin" pela invasão lançada por Moscou contra seu país. Foi durante uma entrevista à revista americana "Time" publicada em maio de 2022.
Foto: Ricardo Stuckert/DW
"Rei da cocada"
Na mesma entrevista, o brasileiro insinuou que o ucraniano aproveita o conflito para buscar destaque pessoal. "Você fica estimulando o cara [Zelenski] e ele fica se achando o máximo. Ele fica se achando o rei da cocada, quando na verdade deveriam ter tido conversa mais séria com ele: 'Ô, cara, você é um bom artista, você é um bom comediante, mas não vamos fazer uma guerra para você aparecer'."
Foto: president.gov.ua/en
"A Rússia está errada"
Em janeiro de 2023, durante visita ao Brasil do chanceler alemão, Olaf Scholz, Lula se retratou sobre o que disse à "Time". "Naquela época eu disse uma coisa que eu ouvi a vida inteira. Quando um não quer, dois não brigam", declarou. "Hoje eu tenho mais clareza da razão da guerra; e eu acho que a Rússia cometeu o erro clássico de invadir o território de outro país; portanto, a Rússia está errada."
Foto: Kay Nietfeld/dpa/picture alliance
"Decisão por conflito foi dos dois países"
Em abril de 2023, Lula voltou culpar tanto Kiev como Moscou, em visita a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. "Putin não toma a iniciativa de parar. Zelenski não toma a iniciativa de parar. A Europa e os EUA continuam contribuindo para a continuação desta guerra. Temos que sentar à mesa e dizer para eles: 'Basta'", disse, acrescentando que a "decisão pelo conflito foi tomada por dois países".
Foto: Ryan Carter/UAE Presidential Court/Handout/REUTERS
"Putin não vai ser preso se vier ao Brasil"
Durante a cúpula do G20 em Nova Déli, em setembro de 2023, Lula disse que ignoraria o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o líder russo, Vladimir Putin. "Se eu for presidente do Brasil, e se ele [Putin] vier para o Brasil, não tem como ele ser preso. Não, ele não será preso. Ninguém vai desrespeitar o Brasil." Dias depois, ele recuou: "Quem toma a decisão é a Justiça".
Foto: Alexander Zemlianichenko/REUTERS
"Venezuela tem mais eleições do que o Brasil"
Em junho de 2023, durante entrevista à Rádio Gaúcha, Lula afirmou que "a Venezuela tem mais eleições do que o Brasil", ao responder uma pergunta de um repórter sobre a resistência da esquerda em se reconhecer que o presidente daquele país, Nicolás Maduro, é um ditador. E acrescentou: "O conceito de democracia é relativo para você e para mim."