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ConflitosTerritório Ocupado da Palestina

Hamas diz aceitar plano de desarmamento anunciado por Trump

31 de julho de 2026

Grupo acatou proposta que prevê entrega gradual de armas, retirada das tropas israelenses e administração tecnocrática em Gaza, que vai supervisionar e armazenar armamento. Israel ainda não confirmou adesão ao acordo.

Militantes do Hamas segurando armas
Desarmamento do Hamas é principal entrave das negociaçõesFoto: Majdi Fathi/NurPhoto/picture alliance

O Hamas anunciou nesta sexta-feira (31/07) que aceitou um acordo divulgado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra em Gaza. A proposta prevê o desarmamento gradual do grupo, a retirada das tropas israelenses e a transferência da administração do territóriopara uma autoridade palestina tecnocrática sob supervisão internacional.

Segundo o presidente, o acordo foi mediado pelo Conselho de Paz, iniciativa do americano que conta com a adesão de 27 países. 

"Hoje, o Conselho da Paz chegou a um acordo histórico para o desarmamento completo do Hamas e de todos os outros grupos armados em Gaza. Este é um passo monumental rumo à paz e à segurança duradouras", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

"À medida que o desarmamento for concluído, as forças israelenses se retirarão, e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para garantir que Gaza seja segura para seus moradores e seus vizinhos", acrescentou ele.

Até o momento, porém, Israel não confirmou oficialmente o anúncio. O embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas (ONU),  Danny Danon, disse que o país estaria disposto a implementar o acordo, mas expressou ceticismo quanto ao desarmamento do Hamas.

Uma fonte ouvida pela agência AFP afirmou que o acordo proposto não atendia de forma satisfatória as exigências de Israel para a desmilitarização completa da Faixa de Gaza. 

Armas e tropas são principal entrave 

As armas do Hamas estão entre os principais impasses para a implementação do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e em vigor desde outubro. As negociações para a segunda fase do acordo permaneciam travadas justamente em torno deste tema.

O plano de cessar-fogo proposto por Trump prevê a entrega das armas do Hamas, a destruição da rede de túneis construída pelo grupo, a retirada das tropas israelenses, a instalação de um governo palestino tecnocrático, o envio de uma força internacional de segurança e a reconstrução do território palestino

Um comitê palestino de transição composto por tecnocratas criado pelo chamado Conselho de Paz para administrar Gaza supervisionará o armazenamento das armas da organização. O Hamas afirmou que os mediadores devem garantir que Israel cumpra os termos do acordo, incluindo a retirada das tropas do território.

Nesse plano, o Hamas entregaria suas armas a essa administração de transição e a mediadores internacionais, em vez de a Israel. "O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) gerenciará e executará a catalogação e o armazenamento de armas, em conformidade com o cronograma acordado", afirmou um membro do Hamas. "O Comitê Nacional será a única entidade autorizada a manter, armazenar ou controlar armas em Gaza", acrescentou.

Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do Hamas, afirmou que o grupo está fazendo "concessões em prol do povo da Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento". "Israel não interferirá na questão do desarmamento. O Comitê Nacional será o responsável por essa tarefa", disse ele, em referência ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).

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Implementação sem prazo definido

Em publicação na rede X, o Conselho de Paz confirmou que o Hamas aceitou um "roteiro detalhado para a implementação das próximas fases do cessar-fogo em Gaza". "Nosso foco agora se volta para a implementação", afirmou.

Nickolay Mladenov, representante do colegiado para Gaza, declarou que o acordo foi resultado de "meses de negociações muito difíceis". "O que acontece agora é ainda mais importante. A implementação e a verificação precisam ser reais", escreveu ele.

"A retirada das tropas deve avançar em paralelo ao desmantelamento das armas", acrescentou.

Segundo essas autoridades, a força policial de Gaza deverá transferir suas armas para a nova administração apoiada pelo Conselho de Paz nas próximas duas semanas. No entanto, essa etapa não inclui a maior parte dos combatentes do Hamas nem seu arsenal pesado.

A entrega de armamentos pesados e o desmantelamento de túneis e outras estruturas militares ocorreriam posteriormente, em um processo que poderá levar entre 200 e 350 dias.

Hamas dissolve governo

Neste mês, o Hamas anunciou a dissolução de seu governo em Gaza e informou que preparava a transferência da administração do território para um comitê técnico apoiado pela ONU, medida apresentada como parte da implementação do cessar-fogo.

A guerra começou após o ataque liderado pelo Hamas contra o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e resultou em 251 pessoas sequestradas. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar na Faixa de Gaza que, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, já matou mais de 73 mil pessoas. Atualmente, as forças israelenses controlam mais da metade de Gaza, enquanto grande parte da população vive deslocada em acampamentos improvisados e áreas urbanas devastadas.

gq (AFP, AP)

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