Hamas entrega corpos de 4 reféns israelenses à Cruz Vermelha
20 de fevereiro de 2025
Reféns teriam sido mortos em bombardeio de Israel. As vítimas são um bebê de 9 meses, seu irmão de 4 anos, a mãe deles, de 32 anos, e um idoso de 83 anos.
Carros da Cruz Vermelha na ocasião da entrega dos quatro caixões pelo HamasFoto: Hatem Khaled/REUTERS
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Integrantes do grupo islâmico Hamas entregaram nesta quinta-feira (20/02) à Cruz Vermelha os corpos de quatro reféns israelenses, como parte do acordo de cessar-fogo em Gaza, entre Israel e o Hamas, alcançado no mês passado com o apoio dos Estados Unidos e a mediação do Catar e do Egito.
O primeiro-ministro da Israel, Benjamin Netanyahu, disse em um breve vídeo que a quinta-feira seria "um dia muito difícil para o Estado de Israel. Um dia perturbador, um dia de luto".
Centenas de habitantes de Gaza se reuniram para assistir à entrega, alguns do alto dos prédios em ruínas que a cercavam, enquanto outros se sentaram em cadeiras colocadas pelo grupo palestino.
O Hamas colocou os caixões pretos em um palco com os nomes de Shiri Bibas, uma mulher de 32 anos de ascendência peruana e argentina capturada em 7 de outubro de 2023 com seus dois filhos em um kibutz. Ariel tinha 4 anos e Kfir, tinha 9 meses, assim como Oded Lifshitz, que tinha 83 anos quando foi sequestrado. O Hamas afirmou que os quatro foram mortos, juntamente com seus guardas, em um ataque aéreo israelense.
O marido de Shiri, Yarden Bibas, foi levado separadamente e libertado este mês, após 16 meses em cativeiro.
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Foto de Netanyahu como vampiro
Uma faixa com a mensagem "O criminoso de guerra Netanyahu e seu exército nazista os mataram com mísseis de aviões sionistas" foi exibida no palco, ao lado de uma imagem do primeiro-ministro israelense, alterada com presas de vampiro e manchas de sangue, sobre os rostos dos quatro mortos.
Também foram exibidos os invólucros de dois mísseis com as palavras "They killed us with American bombs" (eles nos mataram com bombas americanas), dispostos em frente a uma mesa na qual um funcionário da Cruz Vermelha assinou os documentos de entrega ao lado de um integrante do Hamas, de acordo com uma transmissão ao vivo pela emissora Al Jazeera.
As equipes da Cruz Vermelha prepararam telas e suportes de madeira para tentar colocar os caixões em suas vans com privacidade. O primeiro caixão que receberam trazia a foto de Shiri, seguido por um segundo com a foto de Kfir, um terceiro com a foto de seu irmão Ariel e, finalmente, o quarto com a foto de Liftshitz.
Antes do carregamento, cada caixão foi coberto com um lençol branco. Após serem entregues pela Cruz Vermelha às forças israelenses, será realizada uma pequena cerimônia fúnebre, a pedido das famílias, antes de os restos mortais serem transferidos para um laboratório para identificação formal por meio de um teste de DNA, um processo que pode levar até dois dias. Só então as famílias receberão a notificação final.
md/cn (EFE, Reuters, AP)
As armas silenciaram e as três primeiras reféns israelenses foram libertadas pelo Hamas, enquanto Israel deve libertar 95 palestinos. Uma multidão no enclave destroçado percorre ruínas de volta pra casa.
Foto: Omar Al-Qattaa/AFP
Após 15 meses de cativeiro, libertas
Apoiadores e parentes de reféns mantidos em cativeiro em Gaza desde os ataques de 7 de outubro de 2023 assistem em Tel Avov à transmissão ao vivo da libertação das três primeiras reféns - Romi Gonen, Doron Steinbrecher e Emily Damaria.
Foto: Menahem Kahana/AFP
Cruz Vermelha intermediou libertação
As reféns foram entregues por militantes do Hamas à Cruz Vermelha e depois encaminhadas aos cuidados do exército israelense. Após um exame médico inicial em um dos postos de recepção instalados no lado israelense, elas foram levadas para ver as mães e depois para um hospital, para mais exames.
Foto: Dawoud Abu Alkas/REUTERS
Reencontros
Doron Steinbrecher, à esquerda, e sua mãe Simona se abraçam perto do kibutz Reim, no sul de Israel, depois que Doron foi libertada do cativeiro. A enfermeira veterinária de 31 anos morava no kibutz de Kfar Aza e foi sequestrada de dentro do próprio apartamento por militantes do Hamas.
Foto: Israeli Army/AP/picture alliance
Capturada no festival Supernova
A ex-refém israelense Romi Gonen é abraçada por sua mãe, Meirav, depois de ser mantida em Gaza desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Romi foi capturada enquanto tentava deixar o festival Supernova de carro.
Foto: Israel Defense Forces/Handout/REUTERS
Após cuidados médicos iniciais, falar com a família
A britânico-israelense Emily Damari fala com parentes por telefone ao lado de sua mãe, Mandy, depois de ser libertada. Ela foi sequestrada no Kibutz Kfar Aza, no sul de Israel, em 7 de outubro de 2023.
Foto: Israel Defense Forces/Handout/REUTERS
Milhares acompanham emocionados em Tel Aviv
As três reféns são as primeiras dos 33 a serem libertados na primeira fase do acordo entre Israel e a organização terrorista Hamas. Em troca, é previsto que Israel libere 90 prisioneiros palestinos, a maioria mulheres e menores. Milhares de israelenses foram à chamada "Praça dos Reféns" para celebrar o início das trocas de prisioneiros.
Foto: Menahem Kahana/AFP
Palestinos reclamam de proibição para celebrar
Veículos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) esperam pela libertação dos primeiros 90 prisioneiros palestinos do lado de fora da prisão militar de Ofer, na Cisjordânia ocupada, em troca das três reféns israelenses soltas no domingo. Na lista, estão sobretudo mulheres e adolescentes. Famílias de prisioneiros palestinos afirmaram que não têm permissão para comemorar a libetação.
Foto: Jalaa Marey/AFP
Caminhos retomados sobre escombros
Logo após a reabertura de passagens e fronteiras, como parte do acordo de cessar-fogo, uma multidão de palestinos desalojados começou a caminhar ao longo de estradas abertas entre destroços. Um grande fluxo saía de áreas próximas à Cidade de Gaza, onde muitos se refugiaram, em direção à parte mais ao norte da Faixa de Gaza. A guerra forçou 90% da população palestina a deixar suas casas.
Foto: Omar Al-Qattaa/AFP/Getty Images
Previsão de 600 caminhões por dia com ajuda
Na trégua inicial de 42 dias entre Israel e o Hamas, é esperado um aumento da ajuda humanitária, extremamente necessária no território palestino após 15 meses de guerra, destruição e privação de recursos básicos. O acordo prevê a entrada de 600 caminhões por dia, e todas as passagens abertas. No domingo, filas de caminhões se formavam no lado egípcio da fonteira com Rafah.
Foto: AFP/Getty Images
Água, comida, combustível e remédio
Organizações de ajuda humanitária alertam que as principais necessidades da população de Gaza nesse momento de retorno às ruínas de suas casas são água, alimentos e itens de higiene, como sabão. Os hospitais do enclave carecem de tudo, de combustível a medicamentos. Há muitos pacientes precisando de anestésicos e equipamentos cirúrgicos para consertar braços e pernas quebrados.
Foto: Hatem Khaled/REUTERS
Uma esperança
Nas primeiras horas do dia, antes mesmo do início da trégua, crianças se alegravam em Nuseirat, na região central da Faixa de Gaza, com a perspectiva de voltarem a suas casas.