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Holanda libera shows de Kanye West, apesar de protestos

Darko Janjevic AFP, dpa
29 de maio de 2026

Rapper americano causou polêmica com declarações antissemitas e venda de produtos com suástica no próprio site. Artista foi barrado em outros países europeus.

Kanye West de óculos escuros
Kanye tem dois shows marcados na Holanda, próximo à fronteira com a AlemanhaFoto: Ian West/empics/picture alliance

O governo da Holanda deu sinal verde, nesta sexta-feira (29/05), para que o polêmico rapper americano Kanye West se apresente no país, rompendo com a decisão de outros países da União Europeia – e do próprio parlamento holandês – que o barraram por causa de declarações antissemitas.

No entanto, o ministro de Migração da Holanda afirmou que as falas de West não foram o suficiente para negar a entrada dele no país. "É preciso ter razões claras", disse o ministro de Asilo e Migração, Bart van den Brink.  "Não encontramos essas razões nas análises realizadas", complementou.

O músico deve realizar dois concertos na cidade de Arnhem, perto da fronteira com a Alemanha, nos dias 6 e 8 de junho. A segunda apresentação está marcada para coincidir com o 49.º aniversário de Kanye.

Da negação do Holocausto a produtos com suásticas

O rapper, que também usa o nome Ye, provocou indignação repetidamente nos últimos anos ao declarar o amor pelos nazistas e por Adolf Hitler, questionar o registro histórico do Holocausto e difundir estereótipos antissemitas. No ano passado, West começou a vender produtos com suásticas e lançou uma faixa musical dedicada ao líder nazista.

Em janeiro deste ano, no entanto, o músico publicou um anúncio de página inteira no The Wall Street Journal pedindo desculpas pelo comportamento, dizendo "não sou nazista nem antissemita" e "amo o povo judeu".

O rapper atribuiu as falas anteriores a uma antiga lesão cerebral e a problemas de saúde mental, incluindo o transtorno bipolar.

Kanye barrado no Reino Unido e na Polônia

A aparente mudança de postura, no entanto, não foi suficiente para deixar o escândalo para trás. Em abril, Kanye foi proibido de entrar no Reino Unido, onde estava escalado para ser a principal atração de um festival. Dias depois, o rapper americano adiou um concerto na França após relatos de que o ministro do Interior francês tentava impedir a apresentação. Um show na Polônia, marcado para 19 de junho, também foi cancelado devido ao que o local descreveu como "razões formais e legais".

No início deste ano, um grupo de defesa judaica na Holanda requisitou o cancelamento do concerto de West, argumento que as ações do americano tinham "significado histórico" e que "expressar arrependimento depois não as apaga".

O Centro de Informação e Documentação sobre Israel (CIDI) reafirmou a oposição ao artista após o anúncio de que West será autorizado a se apresentar em território holandês.

"É difícil entender como a Holanda não consegue traçar uma linha moral sobre quem pode subir no palco e quem não pode", disse a diretora do CIDI, Naomi Mestrum.

 

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