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Hong Kong bane máscaras e eleva pressão sobre manifestantes

4 de outubro de 2019

Em meio ao acirramento dos confrontos, autoridades afrouxam regras para atuação das forças de segurança e banem máscaras nos protestos, o que poderia expor os manifestantes pró-democracia.

Máscaras, um dos símbolos dos protestos, foram banidas
Máscaras, um dos símbolos dos protestos, foram banidasFoto: picture-alliance/AP Photo/K. Cheung

As autoridades de Hong Kong planejam, com duas medidas, elevar a pressão sobre os manifestantes pró-democracia que há quase quatro meses vão às ruas da região semiautônoma governada pela China.

O governo afrouxou diretrizes sobre o uso da força pela polícia e decidiu nesta sexta-feira (04/10) banir máscaras – um dos símbolos dos protestos e um dos recursos dos manifestantes para se manterem anônimos – com base em uma lei de emergência da era colonial que não era usada há meio século.

"As pessoas estão se perguntando se Hong Kong pode voltar ao normal. Hong Kong ainda é um lugar onde podemos ter o nosso lar?", disse a governante Carrie Lam, na entrevista coletiva em que anunciou a proibição das máscaras. "Devemos conter a violência, que agora está por toda parte em Hong Kong."

Segundo a agência de notícias Reuters, o afrouxamento das restrições ao uso da força entrou em vigor pouco antes dos confrontos na terça-feira (01/10), os mais violentos desde o início dos protestos e que acabaram ofuscando as celebrações na China marcando o aniversário de 70 anos do regime do Partido Comunista.

Com maior poder, a polícia disparou cerca de 1.400 bombas de gás lacrimogêneo, 900 balas de borracha e seis tiros. Os manifestantes atiraram bombas de fabricação caseira e empunharam paus.

Mais de 100 pessoas ficaram feridas, incluindo um estudante do ensino secundário que foi alvejado no peito. Foi a primeira vez que um manifestante foi baleado por munição letal. O jovem foi processado por atacar um policial e pode pegar até dez anos de prisão.

Nos documentos aos quais a Reuters teve acesso, o manual da polícia muda algumas diretrizes sobre como os agentes poderiam usar a força. O texto removeu uma frase que eximia os policiais de culpa por suas ações.

A polícia da antiga colônia britânica era elogiada pelo seu profissionalismo em comparação com outras forças de segurança na Ásia. Mas a opinião pública tornou-se cada vez mais hostil em relação a ela nas últimas semanas.

Os protestos começaram há cerca de quatro meses em oposição a uma lei, já derrubada, que permitiria que a chefe de governo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como para a China continental. 

Os defensores da lei argumentavam que, caso se mantenha a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para países como a China, Hong Kong poderia se transformar num "refúgio para criminosos internacionais". 

Os manifestantes, por outro lado, dizem temer que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma Justiça politizada que não garante a salvaguarda dos direitos humanos. 

Mesmo com a retirada da lei, as manifestações não dão mostras de que vão cessar, em meio aos temores de que o território perca autonomia.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas". É exatamente isso que os opositores à nova lei garantem estar agora em xeque. 

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o governo central chinês responsável apenas pelas relações externas e defesa. 

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