Atividades sísmicas perto de Santorini já forçaram operação de evacuação para a Grécia continental. Prognósticos vão de "enxame sísmico" passageiro até tsunami com alto poder destruidor.
Ilha grega de Santorini tem sido palco de terremotos cada vez mais severos no início de fevereiro de 2025Foto: ARIS MESSINIS/AFP via Getty Images
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Centenas de terremotos abalaram a ilha grega de Santorini na última semana de janeiro. O popular destino turístico no coração do Mediterrâneo também é uma das áreas mais vulcânicas da região.
Os tremores forçaram a evacuação temporária da ilhade 11 mil indivíduos, entre moradores, trabalhadores sazonais e visitantes, suscitando especulações sobre uma erupção vulcânica iminente, ou mesmo um tsunami, no caso de um terremoto maior.
Para o chefe do Serviço Sismológico Grego, Efthimis Lekkas, "a peculiaridade da atual atividade sísmica é que até agora não foi observado nenhum terremoto que pudesse ser descrito como o terremoto principal", disse ele a jornalistas na terça-feira (04/02).
Onde ocorrem os terremotos perto de Santorini?
Tremores foram registrados nas Cíclades, um grupo de ilhas que inclui Santorini, Amorgos, Ios e Anafi. Eles parte de uma área perto da pequena ilha de Anydros, a nordeste de Santorini.
As ilhas ficam no topo da placa do Mar Egeu (parte da placa tectônica eurasiana), que está se afastando da vizinha placa africana. Devido às interações entre ambas, o arquipélago grego é uma das áreas da Europa de maior atividade sísmica.
Tremores sísmicos provocaram operações de evacuação em SantoriniFoto: Aris Messinis/AFP/Getty Images
Qual tem sido a intensidade dos tremores?
Centenas de tremores individuais foram registrados na região. Os de menor magnitude passam muitas vezes despercebidos pela população em terra. Segundo George Kaviris, diretor do laboratório sismológico da Universidade de Atenas, tremores contínuos de baixa intensidade vêm ocorrendo desde junho de 2024.
Segundo Kaviris, esse conjunto de atividades parou em 25 de janeiro, e no dia seguinte começou uma nova série de tremores: "Vimos mais de 2.300 terremotos, e mais de 45 têm magnitude acima de 4, o que é um fenômeno muito raro."
Terremotos "moderados" como esses podem ser sentidos em terra e causar danos estruturais menores a edifícios. A eles se deveu a retirada de milhares de habitantes, nos últimos dias.
Quais são os riscos dos tremores?
Os cientistas têm como medir tremores em andamento, mas não como prever onde e quando ocorrerão os próximos. Kaviris, no entanto, aventou dois cenários prováveis: O primeiro é que se trate de um "enxame sísmico".
Estes são eventos sísmicos agrupados – sequências de tremores contínuos perceptíveis, mas que não são particularmente destrutivos para edifícios e infraestrutura em geral. "Esse cenário é otimista, e torcemos que seja o caso."
O segundo é um terremoto maior, com magnitude acima de 5, acarretando um risco maior de impacto destrutivo. Na manhã desta quinta-feira, uma nova série de terremotos atingiu a ilha, com sete tremores sucessivos acima de 4 graus de magnitude, segundo o Instituto Geodinâmico de Atenas, a principal autoridade grega em análise de terremotos. Na véspera também foi registrado um de 5,2 graus na escala Richter, o mais forte desde o fim de semana.
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Quais são as chances de tsunami, erupção vulcânica ou deslizamentos de terra?
De acordo com Kaviris, a atividade que atualmente ocorre no Mar Egeu é de natureza tectônica, sendo portanto improvável que provoque atividade vulcânica.
Especialistas também estão monitorando a atividade vulcânica perto das Cíclades, como a do vulcão submarino Kolumbo, que fica a cerca de 8 quilômetros a nordeste de Santorini.
"O magma se espalhou lateralmente a partir de Santorini ou Kolumbo, mas são necessários dados mais precisos para confirmar ou descartar essa hipótese", disse Eleonora Rivalta, especialista em propagação de magma do Centro de Geociências Helmholtz (GFZ) de Potsdam, Alemanha.
"A distinção é crucial, pois os tremores tectônicos geralmente ocorrem como liberações de estresse isoladas. Os processos magmáticos, por outro lado, podem ser associados a uma maior ascensão do magma e a um risco maior de erupção."
No caso de um grande terremoto, diz Kaviris, o risco de tsunami é baixo. E embora um tsunami seja improvável, um terremoto em 1956 resultou justamente num deles.
Ele aconselha os moradores da região a procurarem terras mais altas durante a atual rodada de tremores, em vez de pegar barco para o continente: "Eles devem deixar a praia e ir para um lugar mais alto."
Outro risco segurança são os deslizamentos de terra e quedas de rochas, alguns já relatados em algumas partes do arquipélago. "Nos últimos dois dias, quando a atividade sísmica aumentou, provocando fortes terremotos na área, vimos deslizamentos de terra em alguns lugares em Santorini", confirma o sismólogo estrutural Basil Margaris, do Instituto de Engenharia Sismológica e Sísmica da Grécia.
Deslizamentos de terra têm ocorrido em Santorini desde o início de uma série de atividades sísmicasFoto: ARIS MESSINIS/AFP via Getty Images
Embora as construções mais modernas das ilhas gregas obedeçam a normas de segurança rigorosas, alguns edifícios mais antigos podem ser vulneráveis a terremotos severos.
"A gente de Santorini só quer viver na orla de um local com vista panorâmica, mas, por outro lado, essas áreas são muito perigosas", adverte Margaris. "Em alguns casos, emitimos alertas para que as autoridades locais deem atenção especial a esses lugares específicos."
Os terremotos mais fortes dos últimos 100 anos
Sismo de 6 graus de magnitude no Afeganistão causou morte de mais de 800 pessoas em agosto de 2025. No último século foram registrados tremores ainda mais fortes.
Foto: Toru Hanai/REUTERS
Chile teve o terremoto mais forte
O terremoto mais forte já registrado, de magnitude 9,5 graus na escala Richter, atingiu Valdívia, na costa sul do Chile, por 10 minutos, em maio de 1960. Foram destruídas cidades inteiras e a geografia da região foi alterada. Quase 6 mil pessoas morreram. E o tsunami gerado pelo sismo causou a morte de 130 pessoas no Japão e de 61 no Havaí. Na foto, ruínas do porto de Corral.
Foto: Getty Images/AFP
Grande Terremoto do Alasca
O terremoto que abalou o Alasca em 27 de março de 1964 também é conhecido como "o grande terremoto do Alasca". Ele segue sendo o mais forte já registrado nos Estados Unidos, com magnitude de 9,2. O movimento sísmico e o posterior tsunami mataram 139 pessoas. Na foto, a destruição causada no pequeno povoado de pescadores na ilha de Kodiak.
Foto: Getty Images/Central Press
Megaterremoto submarino no Oceano Índico
O megaterremoto submarino de 26 de dezembro de 2004 no Oceano Índico teve magnitude de 9,1. Ele desencadeou uma série de tsunamis devastadores, que causaram a morte de 280 mil pessoas em 14 países e inundaram cidades costeiras com ondas de até 30 metros de altura. Foi um dos desastres naturais mais mortíferos de que se tem registro. Na foto, a destruição em Sumatra, na Indonésia.
Foto: Getty Images/P.M. Bonafede/U.S. Navy
Terremoto seguido de tsunami no Japão
Um membro da equipe canina de resgate busca vítimas após o terremoto que causou destruição no noroeste do Japão em 11 de março de 2011, que atingiu 9,1 na escala Richter e foi seguido de um terrível tsunami. Eles causaram a morte de cerca de 18,5 mil pessoas e afetaram a planta nuclear de Fukushima.
Foto: Getty Images/AFP/Y. Chiba
O terremoto de Kamchatka
Em 4 de novembro de 1952, foi registrado um tremor de magnitude 9 na costa da península de Kamchatka, no leste da Rússia. O tsunami que se seguiu causou destruição e mortes nas ilhas Kurilas. Mais de 2,3 mil pessoas morreram.
Mais uma vez no Chile
O tremor de magnitude 8,8 que afetou a costa do Chile em 27 de fevereiro de 2010 também está entre os mais fortes do século. Ele não causou tantas mortes como o tsunami posterior, que varreu várias localidades costeiras, elevando a cifra de mortos para 530. O sismo danificou o porto de Talcahuano e provocou perdas milionárias aos pescadores e à indústria local.
Foto: Getty Images/AFP/M. Bernetti
Sismo de 1906 atingiu Equador e Colômbia
Em 31 de janeiro de 1906, um terremoto também de magnitude 8,8 na escala Richter causou destruição e cerca de mil mortes no Equador e na Colômbia. O terremoto se deu devido ao choque das placas de Nazca e a Sul-Americana, causando um tsunami de vários metros de altura. O epicentro localizou-se no Oceano Pacífico diante da fronteira entre os dois países.
De novo o Alasca
O sismo de 4 de fevereiro de 1965 atingiu 8,7 de magnitude e teve seu epicentro nas Ilhas Rat, muito propícias a sismos porque se localizam entre as placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte. Elas são um grupo vulcânico de ilhas integradas nas ilhas Aleutas, no sudoeste do Alasca. Na foto, a destruição causada pelo terremoto em Anchorage, maior cidade do Alasca.
Foto: U.S. Army
Em 1950, entre Índia e China
O terremoto de Assam-Tibete, entre Índia e China em 15 de agosto de 1950, atingiu a magnitude de 8,6 graus na escala Richter. O sismo causou destruição tanto na região de Assam, na Índia, quanto no Tibete, e foi fatal para cerca de 4,8 mil pessoas.
Alasca é área propícia a terremotos
O sul do Alasca fica na fronteira entre a Placa Tectônica Norte-Americana e a Placa do Pacífico. Em 9 de março de 1957, aconteceu nas ilhas Aleutas um terremoto de magnitude 8,6 na escala Richter.
Turquia e Síria: luto e indignação
Milhares de pessoas morreram no terremoto que atingiu a Turquia e a Síria em 6 de fevereiro de 2023, com uma magnitude de 7,8 na escala Richter. As cifras assustam: pelo menos 50 mil mortos, 214 mil prédios desabados ou em estado precário, milhões perderam suas moradias. Ao luto dos sobreviventes, juntou-se a indignação de constatar que, em muitos casos, não foram cumpridas normas de construção.
Foto: Diego Cupolo/NurPhoto/picture alliance
Terremoto deixa quase 3 mil mortos no Marrocos
O sismo de magnitude 6,8 teve epicentro próximo à cidade turística de Marrakech e foi o mais forte em 120 anos da história do país. O abalo também foi sentido na vizinha Argélia e até em Portugal. Mais de 2.900 pessoas ficaram feridas. Pessoas que foram deslocadas para abrigos nos arredores de Marrakech se diziam indignadas com a falta de planos de curto e longo prazo para realocá-las.
Foto: Mosa'ab Elshamy/AP
Mais de 800 morrem após tremor no Afeganistão
Mais de 800 pessoas morreram e pelo menos 2.800 mil ficaram feridas depois que um forte terremoto de 6 graus de magnitude e várias réplicas atingiram o leste do Afeganistão no final de agosto de 2025, segundo autoridades locais. O país governado pelo Talibã é propenso a terremotos mortais, especialmente na cordilheira Hindu Kush, onde as placas tectônicas da Índia e da Eurásia se encontram.