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Irã passa a enriquecer urânio acima de limite permitido

8 de julho de 2019

Agência atômica da ONU confirma que país ultrapassou limite de 3,67% estabelecido no acordo nuclear. Governo iraniano ameaça quebrar mais termos do tratado nos próximos 60 dias e faz advertência aos países europeus.

Bandeira nacional do Irã
Irã e G5+1 chegaram a acordo histórico em 2015, que Trump abandonou três anos mais tardeFoto: Reuters/L. Foeger

O Irã alcançou um nível de enriquecimento de urânio de 4,5%, quebrando o limite de 3,67% imposto pelo Acordo Nuclear assinado em 2015, segundo informou nesta segunda-feira (08/07) o porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã, Behruz Kamalvandi. A informação foi confirmada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada às Nações Unidas.

A divulgação ocorre uma semana depois de o Irã reconhecer a quebra do limite de 300 quilos em seu estoque de urânio de baixo enriquecimento, que também constava no acordo. O país ainda ameaçou romper mais cláusulas nos próximos 60 dias, caso os países europeus que continuam como signatários não façam esforços efetivos para salvar o tratado, abandonado pelos Estados Unidos em 2018.

Kamalvandi disse que "o nível do enriquecimento de urânio alcançou atualmente 4,5%" e esclareceu que, por enquanto, este nível satisfaz a necessidade de produção de combustível para os reatores do país, segundo a agência oficial iraniana de notícias Irna.

Com relação à possibilidade de aumentar o nível de enriquecimento, Kamalvandi explicou que "existe a opção de 20% e, inclusive, há opções mais altas, mas cada coisa em seu próprio lugar", informou a emissora de televisão estatal PressTV. Kamalvandi acrescentou que, "se as necessidades de nosso país são uma coisa hoje, não buscaremos outra só para assustar um pouco mais o outro lado".

A possibilidade de enriquecer ainda mais o urânio é considerada perigosa, porque pode recolocar o Irã no caminho para construir armas nucleares. Uma bomba utiliza urânio com enriquecimento acima de 90%. Especialistas alertam que um maior percentual de enriquecimento e um estoque crescente podem estreitar a janela de um ano que o Irã precisaria para ter suficiente material para uma arma atômica.

"Agora não é necessário [o enriquecimento em] 20%, mas se quisermos, o produziremos". "Não temos nenhum obstáculo ou problema" para alcançar os 20%, ressaltou o porta-voz. Kamalvandi informou que uma opção para a terceira rodada de redução dos compromissos do Irã, em 7 de setembro, é a de aumentar a quantidade de centrífugas.

Além de confirmar o enriquecimento do urânio, membros do governo iraniano fizeram ainda advertências aos países europeus que continuam no acordo. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, o país deve romper novos termos do acordo caso os europeus não encontrem formas de aliviar as sanções impostas ao país pelos EUA.

"Se os demais países envolvidos no acordo, especialmente os europeus, não cumprirem seus compromissos com seriedade e não fizerem nada além de conversar, o terceiro passo do Irã será mais duro, mais firme e de certa forma mais impressionante."

O Irã e o G5+1 (França, Reino Unido, Alemanha, China, Rússia e Estados Unidos) chegaram em 2015 a um acordo histórico, no qual Teerã se comprometia a limitar seu programa nuclear, impedindo-se de desenvolver uma bomba atômica em curto prazo, em troca de facilidades econômicas e comerciais.

Mas, em maio de 2018, o presidente Donald Trump ordenou a saída dos EUA do acordo nuclear e voltou a impor sobre a economia iraniana todas as sanções que tinham sido suspensas após o pacto, incluídas as sobre o setor petrolífero.

Teerã concordou em permanecer no acordo com a condição de que os outros signatários apoiassem seu desejo de ter acesso aos mercados internacionais.

O governo do país asiático, no entanto, começou a reduzir seus compromissos depois de um ano, ao constatar que não compensava seguir no acordo por causa da pressão americana, Neste domingo implementou a segunda fase da retirada, de superar o limite do nível de enriquecimento de urânio, estipulado em 3,67% no acordo.

Há receios de que um erro de cálculo na crise possa explodir em conflito aberto. Trump, que retirou os EUA do acordo nuclear há mais de um ano e impôs novas sanções econômicas aos iranianos, quase bombardeou o Irã em junho, depois que o país derrubou um drone dos EUA. Mesmo a China, engajada em delicadas negociações comerciais com a Casa Branca, criticou abertamente a política dos EUA em relação ao Irã.

"O que eu quero enfatizar é que a pressão máxima que os EUA impõem ao Irã é a causa da crise na questão nuclear iraniana", disse Geng Shuang, porta-voz da Chancelaria chinesa. "Ficou provado que o assédio moral unilateral está criando mais problemas e maiores crises em escala global."

Por enquanto, os países europeus que ajudaram o costurar as negociações em 2015 ainda fazem esforços para salvar o acordo. O principal assessor diplomático do presidente da França, Emmanuel Macron, deve voar para Teerã, numa tentativa de "desescalar" a situação, declarou o gabinete da Presidência francesa nesta segunda-feira.

JPS/ap/efe

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