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ConflitosIsrael

Israel amplia ofensiva militar para "maior parte de Gaza"

12 de abril de 2025

País intensifica operação militar e ordena deslocamento da população de diversos municípios do território palestino. Negociações por cessar-fogo seguem sem acordo.

Soldados israelenses em Gaza
Soldados israelenses voltam a ocupar regiões em Gaza e bloquear ajuda humitáriaFoto: Ilia Yefimovich/picture alliance/dpa

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou neste sábado (12/04) que o exército israelense planeja expandir sua atual ofensiva na Faixa de Gaza para ocupar  a maior parte do território palestino. Ele também ordenou que os moradores se retirem das zonas de conflito. 

"Em breve, as operações do IDF [exército israelense] vão se intensificar e se expandir para outras áreas na maior parte de Gaza, e as zonas de combate devem ser evacuadas", disse ele em um comunicado.

No documento, o ministro também anunciou que as tropas israelenses haviam concluído a tomada de um corredor na parte sul do território.

"O exército completou a tomada do Eixo Morag, que corta Gaza entre Rafah e Khan Yunis, e incorporou toda a região entre Morag e o Corredor Philadelphi [fronteira com o Egito] na zona de segurança israelense", disse Katz.

Esta área, localizada entre o Corredor Philadelphi, ao sul, e o Eixo Morag, ao norte, abrigava mais de 200.000 palestinos antes do início do conflito, mas a população foi reduzida a algumas centenas após a destruição generalizada causada pelos ataques.

Katz acrescentou que o exército está expulsando a população do município de Beit Hanoun e de outros locais ao norte para ocupar a região e expandir a área militar do Corredor Netzarim, que atravessa a região central de Gaza. Na prática, o exército israelense divide o território palestino em três partes.

Em um anúncio separado, os militares ordenaram a evacuação dos residentes de Khan Yunis e áreas vizinhas depois que a força aérea israelense interceptou três mísseis disparados do sul de Gaza no início do dia.

"As tropas da IDF estão operando com força total na área e atacarão com intensidade qualquer local de onde os foguetes foram lançados", disseram os militares no X.

Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, diz que exército deve avançar sob a maior parte do território palestinoFoto: Attila Kisbenedek/AFP

Situação crítica

Desde o colapso do cessar-fogo entre Israel e o Hamas em meados de março, a nova ofensiva de Israel em Gaza deslocou 400 mil pessoas, enquanto os militares voltam a tomar áreas do território devastado pela guerra.

Mais de 1,5 mil pessoas foram mortas no mesmo período, segundo o Ministério da Saúde palestino, administrado pelo Hamas. Dezenas desses ataques mataram "apenas mulheres e crianças", segundo o escritório de direitos humanos da ONU afirmou na última sexta-feira.

Agências da ONU também alertaram para a situação crítica vivida pela população do território palestino, que não recebe ajuda humanitária desde a metade de março.

As principais autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, defendem que a nova operação militar tem como objetivo pressionar o Hamas a libertar os 58 reféns restantes mantidos em Gaza.

O Hamas disse que a ofensiva não apenas "mata civis indefesos, mas também torna incerto o destino dos prisioneiros [reféns]".

Nova rodada de negociações

Neste sábado, uma delegação do Hamas e mediadores egípcios se reúnem no Cairo para uma nova rodada de negociações por uma trégua.

"Esperamos que a reunião alcance um progresso real no sentido de chegar a um acordo para acabar com a guerra", disse um enviado do Hamas à agência de notícias AFP. 

De acordo com ele, o grupo palestino ainda não recebeu nenhuma nova proposta de cessar-fogo, apesar de relatos da mídia israelense sugerirem que Israel e o Egito haviam trocado documentos preliminares com demandas.

Segundo o jornal The Times of Israel, o Egito apresentou uma proposta para a transferência de oito reféns vivos e oito corpos, em troca de um cessar-fogo que duraria entre 40 e 70 dias e uma libertação substancial de prisioneiros palestinos.

A guerra em Gaza começou após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.218 pessoas.

"Marcha para Gaza" reúne 100 mil em BangladeshFoto: DW

Bangladesh reúne 100 mil contra ofensiva em Gaza

Cerca de 100 mil pessoas tomaram as ruas de Daca, capital de Bangladesh, neste sábado, em protesto contra a nova ofensiva israelense em Gaza.

Os manifestantes carregavam centenas de bandeiras palestinas e entoavam slogans como "Palestina livre". Muitos atacavam o presidente dos EUA, Donald Trump, e primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, acusando-os de apoiar Netanyahu. 

O Partido Nacionalista de Bangladesh, liderado pela ex-primeira-ministra Khaleda Zia, e grupos de partidos islâmicos expressaram sua solidariedade à manifestação.

Bangladesh, uma nação de maioria muçulmana com 170 milhões de habitantes, não mantém relações diplomáticas com Israel e apoia oficialmente o reconhecimento dos territórios palestinos como um Estado.

gq (dw, afp, dpa, ap)

 

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