Israel completa retirada de corredor que divide Gaza
9 de fevereiro de 2025
Cumprindo termo do acordo de cessar-fogo com o Hamas, os militares israelenses saem completamente do chamado corredor Netzarim, permitindo a livre circulação entre o sul e o norte do território.
Medida permite que os palestinos que tiveram que deixar suas casas devido à guerra voltem para o nordeste de GazaFoto: Eyad Baba/AFP
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As Forças de Defesa de Israel deixaram completamente neste domingo (09/02) o chamado corredor Netzarim, uma estrada artificial leste-oeste que divide o norte e o sul da Faixa de Gaza.
"As forças israelitas desmantelaram as posições e postos militares", disse uma fonte do Ministério do Interior do Hamas à agência de notícias AFP.
A fonte informou que Israel procedeu à "retirada completa dos veículos blindados do corredor Netzarim, na estrada de Salaheddine, que liga o sul ao norte do território palestino, permitindo a livre circulação de veículos nos dois sentidos".
A retirada total dos soldados do corredor Netzarim já era esperada para este domingo, cumprindo o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas e ocorre um dia depois de uma quinta troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos detidos em Israel.
A medida permite que os palestinos que tiveram que deixar suas casas devido à guerra retornem para o nordeste do território.
As forças de Israel já tinham saído parcialmente do corredor há quase duas semanas, mas mantiveram algumas posições no lado leste da estrada (mais próximo do território israelense).
De agora em diante, elas ficarão posicionadas somente no corredor Filadélfia (ao longo da fronteira com o Egito) e na "zona tampão" de 500 a 700 metros de largura que separa Gaza de Israel.
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Famílias vasculham escombros de seus lares
Famílias foram vistas retornando ao norte da Faixa de Gaza nesta manhã, atravessando o corredor Netzarim, onde nenhuma estrutura permanece de pé, e as estradas estão muito danificadas.
Nenhum tanque ou equipamento israelense permanece na região, e todos os pontos de checagem pelos quais os palestinos tinham que passar quando foram expulsos do norte de Gaza foram desmontados.
Já às 6h da manhã (hora local), grupos de pessoas deslocadas retornavam ao lado leste do corredor Netzarim para inspecionar o estado de suas casas e vasculhar escombros em busca de roupas ou suprimentos.
Ao lado de uma das passagens desmontadas, um monte de areia exalava um cheiro forte. Algumas famílias encontraram corpos soterrados.
Delegação de Israel no Catar
Na noite de sábado, Israel enviou uma delegação a Doha, no Catar, para negociar "detalhes técnicos" do acordo de cessar-fogo, mas não para debater como implementar a segunda fase, informou a imprensa israelense neste domingo.
As conversas indiretas com os mediadores (EUA, Catar e Egito) sobre a segunda fase do acordo, na qual o restante dos reféns vivos será libertado, deveriam ter começado no 16º dia desde que o cessar-fogo entrou em vigor, ou seja, na segunda-feira passada.
Bassem Naim, membro do escritório político do Hamas, confirmou à agência de notícias EFE que as negociações ainda não começaram, o que coloca em risco um acordo que já permitiu a libertação de 21 reféns vivos em Gaza (16 israelenses e cinco tailandeses) em troca de mais de 700 prisioneiros e detentos palestinos.
md (EFE, AFP, Lusa)
O primeiro dia do cessar-fogo em Gaza
As armas silenciaram e as três primeiras reféns israelenses foram libertadas pelo Hamas, enquanto Israel deve libertar 95 palestinos. Uma multidão no enclave destroçado percorre ruínas de volta pra casa.
Foto: Omar Al-Qattaa/AFP
Após 15 meses de cativeiro, libertas
Apoiadores e parentes de reféns mantidos em cativeiro em Gaza desde os ataques de 7 de outubro de 2023 assistem em Tel Avov à transmissão ao vivo da libertação das três primeiras reféns - Romi Gonen, Doron Steinbrecher e Emily Damaria.
Foto: Menahem Kahana/AFP
Cruz Vermelha intermediou libertação
As reféns foram entregues por militantes do Hamas à Cruz Vermelha e depois encaminhadas aos cuidados do exército israelense. Após um exame médico inicial em um dos postos de recepção instalados no lado israelense, elas foram levadas para ver as mães e depois para um hospital, para mais exames.
Foto: Dawoud Abu Alkas/REUTERS
Reencontros
Doron Steinbrecher, à esquerda, e sua mãe Simona se abraçam perto do kibutz Reim, no sul de Israel, depois que Doron foi libertada do cativeiro. A enfermeira veterinária de 31 anos morava no kibutz de Kfar Aza e foi sequestrada de dentro do próprio apartamento por militantes do Hamas.
Foto: Israeli Army/AP/picture alliance
Capturada no festival Supernova
A ex-refém israelense Romi Gonen é abraçada por sua mãe, Meirav, depois de ser mantida em Gaza desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Romi foi capturada enquanto tentava deixar o festival Supernova de carro.
Foto: Israel Defense Forces/Handout/REUTERS
Após cuidados médicos iniciais, falar com a família
A britânico-israelense Emily Damari fala com parentes por telefone ao lado de sua mãe, Mandy, depois de ser libertada. Ela foi sequestrada no Kibutz Kfar Aza, no sul de Israel, em 7 de outubro de 2023.
Foto: Israel Defense Forces/Handout/REUTERS
Milhares acompanham emocionados em Tel Aviv
As três reféns são as primeiras dos 33 a serem libertados na primeira fase do acordo entre Israel e a organização terrorista Hamas. Em troca, é previsto que Israel libere 90 prisioneiros palestinos, a maioria mulheres e menores. Milhares de israelenses foram à chamada "Praça dos Reféns" para celebrar o início das trocas de prisioneiros.
Foto: Menahem Kahana/AFP
Palestinos reclamam de proibição para celebrar
Veículos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) esperam pela libertação dos primeiros 90 prisioneiros palestinos do lado de fora da prisão militar de Ofer, na Cisjordânia ocupada, em troca das três reféns israelenses soltas no domingo. Na lista, estão sobretudo mulheres e adolescentes. Famílias de prisioneiros palestinos afirmaram que não têm permissão para comemorar a libetação.
Foto: Jalaa Marey/AFP
Caminhos retomados sobre escombros
Logo após a reabertura de passagens e fronteiras, como parte do acordo de cessar-fogo, uma multidão de palestinos desalojados começou a caminhar ao longo de estradas abertas entre destroços. Um grande fluxo saía de áreas próximas à Cidade de Gaza, onde muitos se refugiaram, em direção à parte mais ao norte da Faixa de Gaza. A guerra forçou 90% da população palestina a deixar suas casas.
Foto: Omar Al-Qattaa/AFP/Getty Images
Previsão de 600 caminhões por dia com ajuda
Na trégua inicial de 42 dias entre Israel e o Hamas, é esperado um aumento da ajuda humanitária, extremamente necessária no território palestino após 15 meses de guerra, destruição e privação de recursos básicos. O acordo prevê a entrada de 600 caminhões por dia, e todas as passagens abertas. No domingo, filas de caminhões se formavam no lado egípcio da fonteira com Rafah.
Foto: AFP/Getty Images
Água, comida, combustível e remédio
Organizações de ajuda humanitária alertam que as principais necessidades da população de Gaza nesse momento de retorno às ruínas de suas casas são água, alimentos e itens de higiene, como sabão. Os hospitais do enclave carecem de tudo, de combustível a medicamentos. Há muitos pacientes precisando de anestésicos e equipamentos cirúrgicos para consertar braços e pernas quebrados.
Foto: Hatem Khaled/REUTERS
Uma esperança
Nas primeiras horas do dia, antes mesmo do início da trégua, crianças se alegravam em Nuseirat, na região central da Faixa de Gaza, com a perspectiva de voltarem a suas casas.