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ConflitosLíbano

Israel conduz ataques mais letais no Líbano desde trégua

15 de agosto de 2026

Ao menos 11 pessoas morreram em bombardeios perto da fronteira. Hezbollah promete responder, elevando a pressão sobre o cessar-fogo firmado há quase dois meses.

Morador observa residência destruída no sul do Líbano
Moradores observam destruição após ataque israelense à localidade de Ansar, no sul do Líbano, onde civis morreramFoto: Houssam Shbaro/Anadolu Agency/IMAGO

Pelo menos 11 pessoas morreram neste sábado (15/08) em novos ataques aéreos israelenses no sul do Líbano, os mais letais desde a trégua entre Israel e o Hezbollah, firmada há quase dois meses.

Segundo o Ministério da Saúde libanês, um dos bombardeios atingiu a periferia da vila de Ansar e matou sete pessoas, além de deixar dois feridos. Entre os mortos estavam três crianças e duas mulheres.

De acordo com a agência estatal libanesa NNA, o ataque ocorreu ao amanhecer e destruiu uma casa. Moradores citados pela agência de notícias alemã DPA afirmaram que o imóvel era utilizado como base pelo Hezbollah.

Outro ataque atingiu a localidade de Deir al-Zahrani, matando quatro pessoas e ferindo 17, informou o Ministério da Saúde do Líbano. 

A NNA também relatou bombardeios nas proximidades da colina de Ali Taher, que domina áreas da cidade de Nabatiyeh e importantes vias de acesso à região.

O Exército israelense confirmou os ataques contra estruturas do Hezbollah no sul do Líbano e afirmou que a ação foi uma retaliação a um ataque do grupo contra forças israelenses.

Hezbollah afirmou que responderá ataques isralensesFoto: Marwan Naamani/ZUMA/IMAGO

Hezbollah promete resposta

Mais tarde, o Hezbollah reagiu aos bombardeios e afirmou que responderá de forma "apropriada".

"Israel deve compreender claramente que seus ataques, violações e tentativas de impor um fato consumado não podem continuar e serão enfrentados com uma resposta apropriada", declarou o grupo apoiado pelo Irã.

O Hezbollah também advertiu as autoridades libanesas contra a continuidade das negociações de paz com Israel, classificadas pelo movimento como "humilhantes" e acusando o governo de oferecer "concessões gratuitas" ao adversário.

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, condenou os ataques e pediu que Israel interrompa a escalada.

"Os sete mártires do ataque israelense contra a cidade de Ansar não eram militares, e as crianças e mulheres mortas não eram alvos militares", escreveu Salam na rede social X.

Trégua segue sob pressão

O conflito entre Israel e Hezbollah voltou a se intensificar no início de março. Os confrontos evoluíram rapidamente para uma guerra em larga escala, com operações terrestres israelenses no sul do Líbano, deslocamento em massa de moradores e mais de 4.300 mortes.

Israel afirma ter estabelecido uma zona de segurança no sul do Líbano para impedir ataques do Hezbollah contra o norte do país. Segundo a imprensa libanesa, a área sob controle israelense corresponde a cerca de 620 quilômetros quadrados, aproximadamente 6% do território libanês.

Desde o anúncio de um acordo de paz no fim de junho, Israel e Hezbollah têm trocado acusações de violações do cessar-fogo.

O entendimento prevê a retirada gradual das tropas israelenses do sul do Líbano em troca do desarmamento do Hezbollah, além de abrir caminho para uma eventual normalização das relações entre as partes.

Israel e Líbano já realizaram sete rodadas de negociações. A mais recente ocorreu em Roma, neste mês.

O Hezbollah, porém, não participa diretamente das conversas e segue rejeitando o desarmamento.

gq (DW, AFP, AP, dpa, Reuters)

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