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Israel precisa agir com cautela

Rainer Sollich (sv)28 de junho de 2006

Ofensiva militar israelense em Gaza é iniciada após seqüestro de soldado israelense por militantes palestinos. Hamas e Fatah acertam acordo prevendo criação de Estado palestino ao lado de Israel. Rainer Sollich comenta:

Ofensiva israelense na Faixa de GazaFoto: picture-alliance / dpa

Israel reitera que a ofensiva militar na Faixa de Gaza só tem por meta a libertação do soldado de 19 anos seqüestrado por militantes palestinos. De forma alguma, afirma o governo, estaria sendo planejada uma nova ocupação de territórios palestinos. E de forma nenhuma estaria se pensando em aumentar ainda mais o sofrimento dos civis palestinos.

Propósitos

Como mera declaração de propósitos, as palavras são, em princípio, dignas de credibilidade. Afinal, Israel deixou espontaneamente a Faixa de Gaza no último ano, após quase quatro décadas de ocupação. E não deve querer tomar de volta esse território tão difícil de ser controlado.

Os ataques miltares, como se sabe até agora, parecem seguir uma estratégia que procura poupar a população civil, deixando o menor número de vítimas. Certamente também porque isso iria desencadear protestos na comunidade internacional, colocando Israel, mais uma vez, contra a parede.

Evitar novos derramamentos de sangue

Só há de se esperar que nenhum dos dois lados perca o controle da situação, deixando-se levar por uma nova espiral de violência. Em princípio, porém, não se pode tirar o direito de Israel de libertar o soldado seqüestrado, se necessário, também usando a violência.

Muitos palestinos parecem ver neste soldado o representante do poder de ocupação, que tanto sofrimento causou nas últimas décadas. Um ponto de vista plenamente compreensível. Mas seu seqüestro é, mesmo assim, inaceitável. Seus seqüestradores deveriam libertá-lo, enfim, o que iria certamente evitar outros derramamentos inúteis de sangue.

Não se sabe quem dá as cartas

A chave para contornar a crise está claramente na situação palestina. E é exatamente isto que faz com que seja tão difícil encontrar uma solução, pois não está claro quem dá as cartas do lado palestino. O Fatah, movimento considerado moderado, do presidente Mahmud Abbas? Ou o radical-islâmico Hamas, que ganhou recentemente as eleições?

Mesmo dentro dos quadros do Hamas, paira a pergunta sobre os donos reais do poder: são estes os representantes locais nos territórios palestinos? Ou o braço radical da organização, que reside em Damasco e recebe apoio ativo de Teerã?

Reconhecimento de Israel

A complexidade da situação pode ser percebida no acordo selado entre os grupos palestinos, pouco antes da ofensiva militar israelense: de fato, o documento é um primeiro passo em direção ao reconhecimento indireto do direito de existência de Israel por parte do Hamas. Embora isso seja revidado por vários porta-vozes da organização.

Esta postura é, por um lado, decepcionante, pois deixa os palestinos isolados internacionalmente. Ao mesmo tempo, isso significa também que há forças pragmáticas dentro do Hamas, dispostas a entrar em um acordo.

Rumo a um Estado soberano

O governo israelense deveria levar isso em consideração no caso de uma ofensiva militar: cada civil morto nos territórios palestinos diminui a possibilidade de um acordo de paz.

Uma região, cujos cidadãos sonham há décadas com a segurança e com o fim do terrorismo, tem que demonstrar interesse em fortalecer essas forças de paz. Pois são exatamente elas que serão necessárias para a construção de um Estado palestino soberano.

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