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Religião

Justiça anula pena de ex-assessor do papa por abuso sexual

7 de abril de 2020

Ex-tesoureiro do Vaticano, o cardeal australiano George Pell foi acusado de cometer pedofilia nos anos 1990, quando era arcebispo de Melbourne. Tribunal alega que evidências contra Pell eram insuficientes.

George Pell
Pell descreveu anulação de sua sentença como um remédio para a "grave injustiça" que viveuFoto: picture-alliance/AP Photo/A. Brownbill

O Supremo Tribunal da Austrália anulou nesta terça-feira (07/03) a sentença de seis anos de prisão imposta ao cardeal George Pell, ex-tesoureiro do Vaticano, por abuso sexual de dois menores nos anos 1990, quando era arcebispo de Melbourne. Os juízes chegaram à conclusão de que não havia evidências suficientes para apoiar as alegações contra Pell. A decisão não é passível de recurso.

O processo por pedofilia contra o cardeal, que ocupou aquele que é considerado o terceiro cargo mais importante da Santa Sé, teve como base o depoimento de uma das duas supostas vítimas, que o denunciou em 2014, depois que a outra morreu de overdose.

A equipe de advogados de Pell, de 78 anos, argumentou que a decisão dos juízes do Supremo Tribunal do Estado de Victoria de confirmar a sentença proferida por um juiz de instância menor e atribuir ao cardeal a seis anos de prisão, deixava margem para dúvidas. Segundo a defesa, os dois juízes que confirmaram a condenação, enquanto outro optou por revogá, cometeram um erro ao exigir que Pell provasse sua inocência.

O cardeal foi condenado por crimes sexuais contra dois meninos de 13 anos que participavam de um coral, cometidos na sacristia dos padres da Catedral de São Patrício.

Em uma primeira reação, Pell descreveu a decisão desta terça-feira como um remédio para a "grave injustiça" que viveu, mas destacou que não guarda "ressentimento" pelos acusadores.

De acordo com o Vatican News, portal de notícias oficial do Vaticano, em nome da Conferência Episcopal Australiana, o arcebispo Mark Coleridge, "reconhece que a decisão da Suprema Corte será bem recebida por aqueles que acreditam na inocência do cardeal, mas devastadora para os outros, reiterando ao mesmo tempo o compromisso inquebrantável da Igreja com a segurança dos menores e com uma resposta eficaz aos sobreviventes e vítimas de abusos sexuais contra menores".

O cardeal, que sempre se declarou inocente, deixou a prisão de Barwon e seguiu para uma instituição religiosa em Melbourne, informou o Vatican News. Ao contrário de outros momentos do processo contra o religioso, dessa vez não houve manifestações a favor nem contra o cardeal, devido às restrições impostas pela pandemia de coronavírus.

Pell é o membro hierarquicamente mais alto da Igreja Católica a ser condenado por abuso sexual. Em 2016, ele deixou seu cargo de tesoureiro do Vaticano para enfrentar as acusações. Posteriormente, o Vaticano anunciou a remoção de Pell como um dos assessores do papa Francisco, sem comentar o julgamento.

LE/efe/lusa/ots

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