Em vigor há dois anos em Berlim, novas regras para cachorros e seus donos estão longe de serem totalmente cumpridas. Obrigatoriedade da guia e de juntar fezes de calçadas fracassa por falta de controle.
Sem guia, cachorro mergulha em fonte na Alexanderplatz para aliviar o calorFoto: picture-alliance/dpa/B. Pedersen
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Para quase tudo na Alemanha há regras. Porém, em Berlim, os cachorros e seus donos desfrutavam de certa liberdade até 2016, quando entrou em vigor a chamada legislação canina. As regras deveriam evitar conflitos na convivência entre humanos e cães na capital alemã. Duas das medidas prometiam trazer grandes benefícios para a cidade.
A primeira é a obrigatoriedade, para quem sair na rua com um cachorro, de usar sempre uma sacola para juntar o cocô do animal. Caminhar por Berlim exige atenção, afinal, boa parte dos donos de cachorro parece não se importar em andar em meio a excrementos. Com a nova lei, aqueles que infringirem essa regra correm o risco de pagar uma multa e enfrentar um processo por contravenção.
A jornalista Clarissa Neher vive em Berlim desde 2008Foto: DW/G. Fischer
A segunda proposta, que prometia ser revolucionária, é a obrigatoriedade do uso da guia, independentemente da raça, para evitar ataques de cães que andam soltos. Esta medida entrou em vigor no início deste ano.
Justamente essas duas propostas são aquelas que praticamente só existem na teoria. Dois anos após a nova legislação, as calçadas de Berlim continuam repletas de excrementos de cachorro. São poucos os donos de animais que não juntavam o cocô do melhor amigo e mudaram depois da lei.
O principal problema é a falta de controle. Cada distrito é responsável por aplicar e garantir a nova legislação, mas apenas dois dos 12 realizaram algum tipo de controle no ano passado.
A obrigatoriedade da guia em todas regiões públicas da cidade entrou em vigor no início deste ano, mas ainda é possível ver diversos cachorros andando soltos em ruas e parques. A regra também parece fadada a fracassar no controle.
A ideia é diminuir o número de ataques de cães a humanos na cidade. Em 2017, 584 casos foram registrados, ou seja, mais de um por dia. Mas as autoridades acreditam que esse número pode ser bem maior, pois grande parte dos casos, principalmente quando não há feridos, não é reportada.
Além das duas medidas mencionadas, a nova legislação proibiu a venda de filhotes em mercados de pulgas e a presença de cachorros em determinados lagos e áreas verdes, além de criar uma carteira para pessoas que trabalham como dog walker.
Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.
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As principais raças alemãs de cães
Cachorros são muito populares entre os alemães e costumam poder acompanhar o dono por toda parte. Veja as raças alemãs mais queridas no país.
Foto: Eva-Maria Krämer
Pastor-alemão
Em primeiro lugar no ranking do Kennel Club Alemão está a raça pastor-alemão (Deutscher Schäferhund ). Ela se desenvolveu a partir de cães de pastoreio. O pastor-alemão é um cão de grande porte, muito inteligente e forte. Ele é muito leal à família, mas também um excelente cão policial, de guarda e como guia para cegos.
Foto: Eva-Maria Krämer
Dachshund ou teckel
Pelo tamanho, o Dachshund ou teckel (Dackel) é classificado em standard, miniatura e "kaninchen". Como já diz o nome (Dachs = texugo), é um caçador de toca. O olfato apurado e o tamanho o tornam ágil para afugentar as presas nas tocas. A raça já é conhecida desde a Idade Média. Apesar de ter sido criado para a caça, é amigável por natureza, inteligente, companheiro e muito afetuoso.
Foto: Eva-Maria Krämer
Hovawart
O nome desta antiga raça de trabalho vem do alemão medieval: Hova = pátio e Wart = guarda, portanto, guarda do pátio. É um animal muito atento e companheiro. Seu pelo e a constituição física frequentemente o levam a ser confundido com o golden retriever.
Foto: Eva-Maria Krämer
Schnauzer miniatura
O schnauzer miniatura (Zwergschnauzer) é uma raça originária da região de Württemberg e o nome vem da palavra alemã Schnauze, que significa focinho. Antigamente era usado no sul da Alemanha na proteção de estábulos. Suas características são os pelos espessos e longos em volta do focinho e dos olhos.
Foto: Eva-Maria Krämer
Münsterländer
Natural da região em volta da cidade alemã de Münster, o Münsterländer é um cão inteligente e espirituoso, muito atento e obediente. Hoje, esta raça é encontrada especialmente na França, na Suécia e na Noruega, onde os cães são usados principalmente para a caça na floresta.
Foto: Eva-Maria Krämer
Weimeraner
Ele surgiu na corte do grão-duque Karl August de Saxe-Weimar-Eisenach, em Weimar, no leste da Alemanha, no início do século 19. Há duas classificações: pelo curto e longo. O Weimaraner é um cachorro versátil e carinhoso, usado especialmente na caça, devido ao ótimo olfato. Ele também pode ser adestrado para uso em terapias.
Foto: picture-alliance/Mary Evans Picture Library
Dogue alemão
O dogue alemão (Deutsche Dogge) é calmo, dócil quando em família, mas reservado com estranhos. Sua história pode ser rastreada até o século 16. Naquele tempo, foram trazidos do Reino Unido à Alemanha cães fortes e de pernas longas, resultantes do cruzamento entre Mastiff inglês e Wolfhound irlandês. É um dos maiores cães do mundo. Um exemplar famoso é o personagem de desenho animado Scooby-Doo.
Foto: Eva-Maria Krämer
Boxer
O boxer (Deutscher Boxer) é descendente direto do brabant bullenbeisser. No passado, a tarefa dele era ajudar os caçadores segurando a presa. O cachorro desta raça é sociável, corajoso e leal, ao longo da história desempenhou funções como cão militar, de guarda, para detectar drogas e doenças e até mesmo no resgate de pessoas.
Foto: Eva-Maria Krämer
Deutsche Pinscher
Desde o início da criação da raça na Alemanha há 100 anos, o Pinscher quase não mudou. Já desde o século 19 se discute se Pinscher e Schnauzer descendem de Terriers ingleses ou vice-versa. Os cães Pinscher eram criados para acabar com ratos e camundongos. No final do século 19, se tornaram comuns tanto em estábulos como no acompanhamento de carruagens, para abrir caminho.
Foto: picture-alliance/Okapia/R. Köpfle
Braco alemão de pelo curto
A história desta raça (Deutsch Kurzhaar) começa entre os séculos 15 e 17, com os cães de caça de aves na região do Mediterrâneo. Mais tarde, adeptos da caça esportiva na Alemanha cruzaram estes bracos com pointer e foxhound ingleses. Este cão de raça nobre e elegante tem resistência, força física e velocidade, mas ao mesmo tempo é dócil, obediente e ótimo amigo da família.
Foto: Eva-Maria Krämer
Rottweiler
Esta é uma raça que remonta aos cães de guarda e pastoreio trazidos pelas legiões romanas aos territórios ocupados ao norte dos Alpes. Em Rottweil, na Alemanha, que no século 19 era centro de comércio de gado, ocorreu a miscigenação com cães da região. Em 1910, ele foi reconhecido na Alemanha como cão para uso policial e militar. Mas ele também é um cão de companhia, que serve à família.
Foto: Eva-Maria Krämer
Dobermann
Esta raça foi criada no século 19 em Apolda, perto de Weimar, por Friedrich Louis Dobermann. O cobrador de impostos queria uma raça especial par sua proteção pessoal. E, mesclando exemplares de diferentes raças, acabou conseguindo o que buscava, um animal para impor respeito: o Dobermann.