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"Lobby das armas não pode manter EUA como refém"

5 de janeiro de 2016

Presidente Obama vai às lágrimas ao lembrar as crianças mortas em Newton e afirma que os EUA precisam agir contra a violência armada. Ele garante que novas regras não ferem o direito constitucional de possuir uma arma.

Foto: Reuters/C. Barria

Em um apelo emocionado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu, nesta terça-feira (05/01), o plano de seu governo de expandir a verificação de antecedentes de compradores de armas de fogo no país.

Em discurso na Casa Branca, Obama não segurou as lágrimas ao lembrar as crianças mortas na escola de ensino fundamental Sandy Hook, em Newton, Connecticut, em 2012 – uma das várias tragédias causadas pela violência armada ao longo de seus dois mandatos.

No início da cerimônia, na qual estiveram presentes familiares de diversas vítimas, Obama passou pelo nome das várias cidades que sofreram com ataques e tiroteios , entre elas Fort Hood (Texas), Aurora (Colorado), Oak Creek (Wisconsin), Newton (Connecticut) e, mais recentemente, San Bernardino (Califórnia).

"Criamos um sistema em que pessoas perigosas estão autorizadas a seguir um conjunto diferentes de regras", disse o presidente americano, acrescentando que a nova orientação "não é uma trama para tirar as armas de todos os cidadãos", ou seja, não interfere na Constituição do país.

"Acredito que nós podemos reduzir a violência armada de maneira compatível com a Segunda Emenda", afirmou Obama, referindo-se ao direito constitucional de cada cidadão americano de portar armas, lembrando a todos que ele deu aulas de Direito Constitucional. "Eu sei um pouco sobre isso."

Lágrimas pelas crianças de Sandy Hook

Obama estava acompanhado dos familiares de diversas vítimas de tiroteios e violência armada nos EUAFoto: Reuters/K. Lamarque

O presidente dos EUA chorou abertamente ao pedir que a população americana acorde para a necessidade de combater a violência armada que mata milhares de pessoas a cada ano no país. Lágrimas escorriam pelo rosto de Obama quando ele convocou a memória das 20 crianças da escola de ensino fundamental Sandy Hook, mortas há três anos.

"Toda vez que penso nessas crianças, isso me deixa louco", afirmou. "Todos nós precisamos exigir um Congresso corajoso o suficiente para enfrentar as mentiras do lobby armamentista." No início da cerimônia desta terça-feira, Obama foi apresentado pelo pai de uma das crianças mortas na escola Sandy Hook.

Novas regras

O ponto central do plano de Obama exige uma definição legal mais abrangente para vendedores de armas. Pela lei atual, apenas vendedores de armas com licenças federais precisam realizar verificações de antecedentes dos compradores. Mas em feiras de armas, sites e mercados de pulga, muitos vendedores driblam essa exigência recusando se registrar como vendedores licenciados. Com a nova medida, o governo estabelece que as regras se aplicam a qualquer um envolvido no "negócio" de vendas de armas de fogo. Com isso, a Casa Branca espera conseguir aumentar o número de vendas sujeitas a verificação de antecedentes.

A medida unilateral do presidente dos EUA gera atrito com o Congresso majoritariamente republicano e com o forte setor armamentista da indústria americana. "O lobby de armas pode estar mantendo o Congresso refém, mas eles não podem manter os EUA refém", afirmou o presidente.

"Nós precisamos perceber a urgência disso. Nas palavras de Dr. King [Martin Luther King Jr., líder do movimento dos direitos civis dos negros nos EUA], nós precisamos sentir a extrema urgência do agora, porque pessoas estão morrendo", concluiu Obama.

Durante os sete anos da gestão de Obama, ataques armados mataram estudantes em Connecticut, fiéis na Carolina do Sul e espectadores numa sala de cinema no Colorado. Mortes por violência armada, muitas em suicídios, atingem uma média de 30 mil por ano nos EUA.

PV/rtr/ap/afp/dpa

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