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Na Alemanha, Lula vence primeiro turno com ampla margem

4 de outubro de 2026

Presidente obtém 71,9% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro fica em segundo lugar, com 18,7%. Eleitores citam preocupações com democracia, economia e educação para escolher o candidato.

Boletins das urnas das eleições presidenciais de 2026 em Berlim, na Alemanha
Locais de votação disponibilizaram resultado da apuração pouco após as 17h do horário local na AlemanhaFoto: Rayanne Azevedo/DW

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu com ampla margem na Alemanha o primeiro turno da eleição presidencial brasileira. O petista obteve 71,9% dos votos válidos depositados neste domingo (04/10) em Berlim, Hamburgo, Frankfurt, Colônia e Munique. 

Em segundo lugar ficou o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 18,7% dos votos válidos, segundo os boletins das urnas disponibilizados nos locais de votação. 

O candidato Augusto Cury (Avante) obteve 3%, em comparação a 2,2% para Renan Santos (Missão), outros 1,4% para Ronaldo Caiado (PSD) e mais 1,2% para Romeu Zema (Novo). Todos os outros candidatos marcaram menos de 1%. 

Ao longo do dia, alguns dos locais de votação ao redor da Alemanha tiveram filas longas ou moderadas. Apesar do intenso movimento, não foi o suficiente para atrasar significativamente o fechamento das urnas, marcado para as 17h do horário local. 

Parte dos eleitores em Berlim, por exemplo, encarou cerca de uma hora de espera pela manhã em frente à embaixada brasileira. Já em Hamburgo, alguns brasileiros chegaram a ficar 40 minutos na fila à tarde, conforme observou a DW.

Foi o caso de Cézar Luiz Sampaio, engenheiro de software de 33 anos, que regularizou o título neste ano para votar pela primeira vez desde que se mudou para a Alemanha, há nove anos. "Vim fazer meu dever como cidadão," afirmou, dizendo que era como estar de volta ao Brasil por alguns minutos. "Aquele barulhinho da urna é muito brasileiro."

Democracia e economia

Na capital alemã, Lula obteve o melhor resultado na Alemanha, com 83% dos votos válidos, contra 9,71% para Flávio. Vários eleitores disseram ter decidido votar num dos dois candidatos por preocupação com a democracia brasileira.  

"Para mim, é emocionante. A gente acompanha a situação política de longe, mas sente que, mesmo à distância, pode contribuir com os rumos do país", afirmou Francisco Rios, publicitário de 36 anos que mora há cinco em Berlim.  

Francisco Rios votou em Lula em oposição ao bolsonarismoFoto: Heloisa Traiano/DW

Ele votou pela continuação do atual governo. "Eu gosto muito do Lula, mas tenho críticas ao seu governo, que fez várias concessões. Só que é o único candidato que tem chance de derrotar o projeto da extrema direita." 

Em contraste, o aposentado Júnior Melo, de 65 anos, compareceu para votar vestido de verde e amarelo. Para ele, a insatisfação com a economia foi um vetor para votar em Flávio.

Júnior Melo, eleitor de Flávio Bolsonaro, se queixou do cancelamento de debates neste ano Foto: Heloisa Traiano/DW

Ao mesmo tempo, o cancelamento de debates entre os presidenciáveis, afirma, fez com que ele não conhecesse as suas propostas. "O debate já era uma tradição. Isso não existe em lugar nenhum no mundo," afirmou, acrescentando que acharia "bom" se os Estados Unidos não reconhecessem os resultados das urnas, possibilidade ventilada por observadores nas últimas semanas.

Preocupação com educação

As eleitoras recifenses Thais Ostendorf e Alice Tannert estavam entre a maioria de eleitores que, em Berlim, expressava apoio silencioso ao Partido dos Trabalhadores (PT) em frente à embaixada do Brasil. As duas moram em Leipzig, a quase 200 quilômetros da capital, e viajaram para votar.

"Eu participei de muitos programas sociais no Brasil, e muita gente da minha família também foi beneficiada. Eu fiz o Ciências Sem Fronteiras na época [do governo] da Dilma [Rousseff], o que abriu portas para eu estar morando hoje aqui," disse Ostendorf, que trabalha como engenheira ambiental.

Thais Ostendorf e Alice Tannert, ambas eleitoras do Partido dos Trabalhadores (PT), citam educação como fator central para o votoFoto: Heloisa Traiano/DW

Já Tannert, que é formada em Letras e educadora na Alemanha, enxerga o presidente como "o único candidato que valoriza a educação no Brasil".

Por sua vez, a analista de dados Fernanda Torres votou pela primeira vez, aos 31 anos. Ela mora no exterior desde a adolescência e, neste ano, se viu movida pelo sentimento antipetista e pelo alinhamento ideológico às propostas de Flávio. "Quando o muro caiu, as pessoas fugiram para o lado capitalista. Me dá tristeza ver tanta gente morando em Berlim e vestindo vermelho."

O menor percentual obtido por Lula na Alemanha foi em Frankfurt, com 62,5% dos votos válidos, contra 27% para Flávio Bolsonaro, o seu melhor resultado no país.

Foram contabilizados 19.322 votos válidos ao redor do país, na soma para todos os candidatos, o que indica que compareceram às urnas 46,5% dos 41.552 eleitores aptos a votar.

Em 2022, Lula recebeu 76,9% dos votos válidos no segundo turno entre os eleitores brasileiros que votaram na Alemanha, contra 23,1% de Jair Bolsonaro, que era então presidente.

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