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Marionetes do nazismo

Alessandra Andrade23 de janeiro de 2002

Escravos do nazismo também trabalharam em teatros e óperas da Alemanha. Mão-de-obra era explorada por trás dos bastidores e em cima do palcos.

Rolf Bolwin
Rolf Bolwin, diretor da Associação dos Teatros alemães

Literalmente como marionetes do nazismo, mais de uma centena de pessoas foram submetidas ao trabalho escravo nos teatros e óperas da Alemanha. A primeira confirmação da exploração de mão-de-obra nos bastidores e palcos das casas de espetáculos alemãs foi divulgada nesta quarta-feira (23) pelo diretor da Associação dos Teatros alemães, Rolf Bolwin. Com a descoberta, é possível dimensionar a exploração do trabalho forçado pelos nazistas na época, abrangendo praticamente todos os setores.

No mínimo, 173 pessoas foram exploradas pelo regime nazista nos 150 teatros do país. A maioria delas trabalhavam nos bastidores dos eventos como ajudantes, técnicos, cabeleireiros e pintores, além de atuarem no setor de transporte de objetos.

Em alguns casos, os escravos entravam em cena como atores e dançarinos, seguindo à risca o "script" nazista. Segundo Bolwin, cerca de 10 a 25 pessoas eram forçadas a trabalhar em cada teatro e ópera alemã.

Clemens von Looz-Corswarem, diretor do Arquivo de Düsseldorf e especialista em assuntos relacionados ao nazismo, acredita que ainda serão descobertos novos casos de pessoas envolvidas com o trabalho escravo nos teatros alemães. Segundo ele, grande parte destes registros pode estar em arquivos públicos, como o do Serviço de Busca Internacional da Cruz Vermelha.

Suspeitas –

O primeiro indício do envolvimento de trabalho forçado nos teatros e óperas alemãs foi encontrado em um arquivo da Ópera Municipal de Düsseldorf. Clemens von Looz-Corswaren encontrou um documento que registrava a presença de 16 escravos na ópera, em 1944, sendo que franceses e outros "ocidentais" eram responsáveis pela sua vigilância.

A partir de então, iniciou-se uma pesquisa em 150 teatros e óperas da Alemanha, para delinear a abrangência da exploração nazista nestes setores, bem como as condições em que estavam submetidas as pessoas responsáveis pela execução desses trabalhos. Os números apresentados nesta quarta-feira revelam os primeiros resultados dessa pesquisa, que já envolveu 137 teatros.

Saindo dos bastidores –

Segundo Clemens von Looz-Corswaren, "pelo menos até 1944, os mais importantes teatros da Alemanha fingiram estar funcionando normalmente, dispondo de mão-de-obra barata". Estes serviam para distrair a população das ações terroristas dos nazistas e também convencê-la de suas necessidades.

Na opinião de Rolf Bolwin, o papel do teatro nesse capítulo da história alemã não deve ser esquecido. Porém, em momento algum, os representantes dos teatros alemães tratam da indenização dos explorados. Menciona-se apenas que os teatros já colaboraram com os escravos do nazismo por meios estatais. Dessa forma, como eles mesmos definem, a pesquisa não é nada mais do que "um importante trabalho de lembrança".

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