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Membros da ultradireita alemã são acusados de apoiar Putin

20 de setembro de 2022

Viagem à Rússia e a região no leste da Ucrânia ocupada por Moscou de legisladores da AfD gera críticas até de dos próprios correligionários. Políticos alegam querer ver a situação humanitária na área.

Tino Chrupalla e Alice Weidel
Líderes da AfD Tino Chrupalla e Alice Weidel se distanciaram dos colegas: "Não apoiamos esta viagem"Foto: Sebastian Kahnert/dpa/picture alliance

Políticos do partido de ultradireita alemão que estão em visita à Rússia e planejam viajar para áreas no leste da Ucrânia ocupadas pelos russos foram acusados de apoiar a guerra de Vladimir Putin.

Os cinco políticos do Alternativa para a Alemanha (AfD) disseram que seu objetivo é "ver por nós mesmos a situação humanitária in loco", mas foram solicitados a fornecer detalhes sobre a visita à liderança do partido, que aparentemente não sabia nada sobre a visita.

O vice-líder da AfD, Peter Boehringer, disse que a viagem não estava ocorrendo em nome do partido. "Nós não apoiamos esta viagem", disse o colíder da AfD Tino Chrupalla nesta terça-feira (20/09) em Berlim. Ele sublinhou que nem ele nem a colíder Alice Weidel sabiam da viagem. Weidel falou em uma "viagem privada" que não foi acordada com o partido. "A viagem também não representa a posição da AfD", frisou.

Três políticos da delegação são membros de assembleias legislativas estaduais, dois da Saxônia-Anhalt e um da Renânia do Norte-Vestfália.

Em um comunicado publicado em suas contas no Facebook e no Telegram, Christian Blex, da AfD na Renânia do Norte-Vestfália, um dos membros da delegação, postou um broche mostrando uma bandeira alemã e uma russa entrelaçadas.

Hans-Thomas Tillschneider, colíder da AfD de Saxônia-Anhalt, e Daniel Wald, também membro da assembleia legislativa do mesmo estado, divulgaram um comunicado enfatizando que fazem a viagem porque querem "ver por seus próprios olhos". Eles acusaram a "mídia pró-governo alemão” de ter uma cobertura "altamente unilateral e incompleta" sobre a situação humanitária das pessoas na região de Donbass.

"Pérfido"

O jornal berlinense TAZ chamou de "especialmente pérfido" – à luz dos recentes relatos de valas comuns descobertas perto de Izium, cidade retomada pelos ucranianos – que os políticos tenham classificado sua visita à área ocupada pelas forças russas como viagem de investigação humanitária.

O Robert Lansing Institute, baseado nos EUA, que se descreve como uma organização de pesquisa de políticas públicas apartidária e sem fins lucrativos, afirmou que a viagem está ocorrendo sob os auspícios do serviço secreto militar russo, cujos membros estariam acompanhando os políticos alemães ao Donbass. O instituto foi o primeiro a divulgar a informação.

O embaixador ucraniano na Alemanha, Andriy Melnyk, acusou os políticos da AfD, em mensagem no Twitter, de "apoiar a guerra de aniquilação" com a planejada visita a áreas ocupadas pelos russos no leste da Ucrânia.

"Traição à pátria"

O chefe da bancada parlamentar do Partido Liberal Democrático (FDP) em Renânia do Norte-Vestfália, Henning Höne, se disse chocado. "Para mim, tal ação equivale a traição à pátria", afirmou, ressaltando que uma viagem às áreas ocupadas pelos russos do leste ucraniano "não é possível sem contatos com o serviço secreto russo".

"Tudo isso mostra de que lado a AfD está – no de Putin", disse a integrante da bancada do Partido Social-Democrata (SPD) no Parlamento alemão Katja Mast. "Tais viagens prejudicaram a reputação e os interesses da Alemanha massivamente. Danificar a Alemanha é o objetivo da AfD. Isso foi, é e continuará sendo assim."

Histórico de apoio ao Kremlin

A AfD tem um histórico de apoio a Putin e, como numerosas siglas europeias de ultradireita, alguns de seus principais políticos mantêm laços com Moscou.

A oposição de Putin a organizações ocidentais como a Otan e a União Europeia se encaixa bem com a forte base eleitoral da AfD no Leste da Alemanha, que é cética quanto à filiação à UE e cujos laços históricos incluem resquícios de empatia cultural com a Rússia.

Entretanto, os líderes partidários nacionais da legenda aderiram desde o início à condenação da invasão russa, enquanto algumas figuras regionais influentes têm se mostrado ambivalentes quanto ao assunto.

md (DPA, ots)