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Imigrantes

12 de maio de 2009

Merkel entrega pela primeira vez pessoalmente as certidões de cidadania a estrangeiros naturalizados. Posição da premiê suscita críticas de políticos do governo e da oposição.

Mulher turca com certidão de cidadania nas mãosFoto: picture-alliance/ ZB

Para Angela Merkel, seria ótimo para o país se mais jovens estrangeiros optassem pela cidadania alemã. "Isso abriria novas possibilidades", afirmou a premiê no último fim de semana em vídeo veiculado pelo governo. Segundo Merkel, é de interesse da Alemanha que cada vez mais imigrantes se naturalizem.

Nesta terça-feira (12/05), em Berlim, Merkel entrega pessoalmente a certidão de cidadania alemã a 16 cidadãos naturalizados, como um gesto simbólico. Segundo ela, especialmente em tempos de globalização, as sociedades mais bem-sucedidas são aquelas que se mantêm abertas nesse ponto e sabem aproveitar as vantagens da imigração.

"A Alemanha quer fazer isso, obviamente sob a condição de que os imigrantes aceitem nossa ordem de Direito e também queiram conviver conosco em nosso país", declarou a premiê.

Em defesa do teste polêmico

Angela Merkel: teste prova que requerente se ocupou de estudar a história alemãFoto: AP

Para Merkel, a Alemanha criou, com sua política de integração, o clima ideal para os imigrantes. "Integração significa uma iniciativa de aproximação tanto por parte daqueles que vieram agora até nós, quanto daqueles que já vivem há muito aqui", afirmou ela. Neste contexto, Merkel elogiou também o polêmico teste de cidadania obrigatório aos requerentes do passaporte alemão.

Na opinião da premiê, passar neste teste prova que a pessoa a se naturalizar se aprofundou em assuntos relacionados à cultura, história e Justiça do país, estando, desta forma, ciente de seus direitos e deveres como cidadão alemão. Além do dominio do idioma – outro quesito exigido no teste.

"Prestadores de serviços"

Para Maria Böhmer, encarregada do governo para integração de estrangeiros, há possibilidades de melhoria em vários aspectos do processo de concessão da cidadania alemã a imigrantes.

Maria Böhmer, encarregada do governo para questões ligadas à integração de imigrantesFoto: picture-alliance/ ZB

"Acho que as autoridades responsáveis têm que se conscientizar mais de seu papel de prestadores de serviços", afirmou Böhmer nesta terça-feira em entrevista à emissora de televisão ARD. Segundo ela, os processos de cidadania tendem a demorar demais, além de serem extremamente burocráticos.

Número de interessados diminuiu

"Além disso, precisamos também chamar mais atenção para as vantagens que a aquisição da cidadania alemã traz", observou Böhmer, após lamentar que o número de naturalizados tenha diminuído no país no último ano. "Isso dá o que pensar", declarou ela. Böhmer não acredita que o rigor dos testes do idioma alemão seja a única causa da diminuição dos pedidos de naturalização.

A posição de Merkel provoca resistência dentro de seu próprio partido. "A aquisição da cidadania alemã não pode ser um meio de integração", declarou ao jornal Berliner Zeitung Stephan Meyer, porta-voz da União Social Cristã (CSU) para questões de política interna. Segundo Meyer, o processo deveria ser inverso, ou seja, os imigrantes deveriam primeiro se integrar à sociedade para então receberem a cidadania do país.

Hipocrisia e mera cordialidade

Cem Özdemir, presidente do Partido VerdeFoto: BÜNDNIS 90/DIE GRÜNEN.

Cem Özdemir, um dos presidentes do Partido Verde, taxou a postura de Merkel de "hipócrita", ao comentar que a coalizão de governo encabeçada pelos democrata-cristãos, correligionários da premiê, sempre procurou colocar cada vez mais obstáculos para a obtenção do passaporte alemão, como por exemplo "o absurdo teste de cidadania".

Também dentro do Partido Social Democrata (SPD) é grande o ceticismo em relação às declarações de Merkel. Dieter Wiefelspütz, especialista em questões de política interna do partido, declarou ao jornal berlinense que apoia a posição da premiê, embora tema que esta não passe "de um mero depoimento oral e de um gesto cordial".

Além disso, Wiefelspütz defendeu que seja eliminado o chamado "modelo opcional", que obriga jovens descendentes de imigrantes a escolher entre o passaporte de seus pais ou o alemão, impedindo a dupla cidadania.

SV/dpa/ap/afp

Revisão: Simone Lopes

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