Milhares de caminhões estão parados nas estradas da Bolívia
16 de junho de 2026
Manifestantes contrários ao governo de Rodrigo Paz fecharam várias rodovias pelo país. Impasse já dura mais de um mês.
Protestos são impulsionados por setores ligados ao ex-presidente Evo Morales e já provocam desabastecimento em partes do paísFoto: Patricia Pinto/REUTERS
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Mais de 5 mil caminhoneiros estão parados há um mês e meio em diferentes rodovias na Bolívia devido a bloqueios de grupos que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Eles estão sem acesso a alimentos, medicamentos ou serviços básicos, informou nesta segunda-feira (15/06) a Câmara Nacional de Transporte (CNT).
Os motoristas retidos estavam em trânsito para transportar mercadorias de exportação ou importação. A situação provocou escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis no país.
Embora os bloqueios permaneçam em cinco das nove regiões da Bolívia, um dos pontos mais críticos é a zona de Sayari, na estrada entre a região central de Cochabamba e a andina de Oruro, a mais de 4 mil metros de altitude e com temperaturas que, a esta época do ano, podem cair abaixo de zero.
"Nossas condições são desumanas, não temos medicamentos, mantimentos. Fomos sequestrados pelos manifestantes", disse por telefone à agência de notícias EFE o caminhoneiro Víctor Garvizu. Ele saiu no final de abril de Cochabamba rumo ao porto chileno de Iquique, mas está retido desde o início de maio em Sayari, a menos de 100 quilômetros de onde iniciou a viagem.
Garvizu relatou que os motoristas consomem água de um riacho que precisam ferver previamente para não adoecer e que se organizaram em pequenos grupos para conseguir alimentos e fazer pequenas cozinhas comunitárias. Ainda assim, ele afirma que o desabastecimento também afeta a zona rural.
Segundo o motorista, os que estão em pior situação são os caminhoneiros diabéticos. Alguns teriam deixado seus caminhões para tentar chegar até Cochabamba por conta própria, comprar medicamentos e depois retornar à estrada.
Garvizu contou que os manifestantes evitam qualquer contato, são hostis e não cumpriram uma promessa anunciada de abrir provisoriamente a passagem por razões humanitárias.
Caravana contra os bloqueios em Cochabamba
Caminhoneiros e proprietários de empresas de transporte responderam nesta segunda-feira com uma caravana de protesto em Cochabamba, com dezenas de caminhões que percorreram mais de 15 quilômetros até as portas da Governadoria departamental na capital da região.
Os veículos exibiram cartazes com pedidos de desbloqueio das rodovias e de respeito ao direito ao trabalho.
O diretor executivo da Câmara de Transporte de Cochabamba, Oscar López, disse à imprensa que o setor exige trazer seus colegas retidos em lugares como Sayari e que as rotas sejam liberadas para que possam trabalhar.
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Governo Paz diz estar sendo pressionado por "narcoterroristas"
A Defensoria do Povo, a Cruz Vermelha e a entidade católica Cáritas iniciaram nesta segunda-feira uma caravana de ajuda humanitária para levar desde La Paz alimentos e medicamentos a cerca de 600 caminhoneiros presos nos bloqueios na região do altiplano.
Os bloqueios de estradas, iniciados em 6 de maio, são impulsionados pela Federação de Camponeses de La Paz, a Central Operária Boliviana (COB) e setores aliados ao ex-presidente Evo Morales (2006-2019), para exigir a renúncia de Paz, que completou sete meses de governo há uma semana.
Os manifestantes rejeitam as propostas de reformas econômicas de Paz e exigem uma saída para a pior crise econômica do país em quatro décadas. O governo Paz, por sua vez, alega estar sendo pressionado por "narcoterroristas" ligados a Morales.
Os protestos já teriam deixado ao menos 16 mortos, 13 deles por falta de acesso a atendimento médico em função do bloqueio das estradas. Segundo a estatal Administradora Boliviana de Estradas, os bloqueios diminuíram de 100 nas duas últimas semanas para 50 nesta segunda-feira.
De acordo com a agência de notícias AFP, o governo de Paz não descarta impor um estado de exceção que restringiria a liberdade de reunião e movimento e permitiria usar militares para controlar os protestos.
Em La Paz, capital administrativa da Bolívia, moradores faziam filas de até três quarteirões do lado de fora de um supermercado estatal para tentar comprar carne de frango a preços subsidiados. Nos mercados privados da cidade e na vizinha El Alto, as carnes e os vegetais ainda custam mais do que o dobro do preço normal.
Nos hospitais também faltam medicamentos. E nas proximidades dos postos de combustível, motoristas dormem por dias em seus veículos à espera de uma chance de abastecer.
"Toda a população é que está sofrendo. E o governo não toma decisões. Estão esperando que, por cansaço, por desgaste, todos os bloqueios sejam suspensos", diz à AFP Paola Herrera, de 50 anos, funcionária de uma empresa de transporte.
ra/cn (EFE, AFP, ots)
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Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: REUTERS
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A Ucrânia atingiu uma grande refinaria de petróleo em Moscou pela segunda vez em uma semana, lançando enormes nuvens de fumaça negra sobre a capital e interrompendo voos em seus aeroportos, em um dos maiores ataques com drones desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, há mais de quatro anos, segundo autoridades. (18/06)
Foto: REUTERS
G7 expressa unidade no apoio à Ucrânia
No comunicado de encerramento da cúpula do G7 na França, os líderes do grupo afirmaram que permanecem unidos para apoiar a Ucrânia, incluindo em sua integridade territorial, e concordaram em aumentar as sanções contra a Rússia. A unidade expressada no texto conjunto foi considerada relevante em um momento tenso entre os EUA do presidente Trump e seus aliados ocidentais. (17/06)
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"Estamos no mesmo time"
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, aproveitou a reunião do G7 para presentear o presidente dos EUA, Donald Trump, com uma camiseta personalizada da seleção alemã de futebol com o número 47 – o republicano, que completou 80 anos no último domingo, é o 47º presidente americano. "Afinal, estamos no mesmo time", comentou o alemão mais tarde, em uma postagem no X. (16/06)
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Filho mais velho da princesa herdeira da Noruega, Marius Borg Hoiby, de 29 anos, foi considerado culpado em duas das quatro acusações de estupro que pesavam contra ele. Preso desde fevereiro, ele também foi condenado por agressão e abuso em relacionamentos íntimos, e terá de pagar uma indenização às vítimas. (15/06)
Foto: Håkon Mosvold Larsen/NTB/AFP
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O chefe da organização criminosa Tren de Aragua, conhecido como Niño Guerrero, foi morto em uma operação militar dos Estados Unidos realizada em coordenação com as autoridades da Venezuela. A ex-vice-presidente Delcy Rodríguez governa o país sul-americano sob pressão da Casa Branca desde janeiro, quando os EUA capturaram Nicolás Maduro, sob acusação de narcotráfico. (13/06)
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O bilionário Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história com a entrada da sua empresa SpaceX no mercado de ações. Segundo a Oxfam, ele seria mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial juntos, ou 3,8 bilhões de pessoas. Foi a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada, superando o recorde da petrolífera saudita Aramco. (12/06)
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A Copa do Mundo da Fifa começou com uma partida entre México e África do Sul na Cidade do México. A seleção mexicana marcou o primeiro gol do campeonato, depois da cerimônia de abertura. Do lado de fora, houve confronto entre policiais e manifestantes, que pediam justiça para desaparecidos. O megaevento esportivo acontece, neste ano, em três países: México, Estados Unidos e Canadá. (11/06)
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Foto: Silvio Avila/AFP
EUA alertam para pior cenário do surto de ebola
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Foto: Xinhua/picture alliance
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Foto: Miguel Schincariol/AFP
Greve geral contra reforma trabalhista paralisa Portugal
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Foto: Armando Franca/AP Photo/picture alliance
Urso ataca quatro pessoas em Fukushima, no Japão
Quatro pessoas ficaram feridas após sofrerem ataques de um urso na cidade de Fukushima, no nordeste do Japão. Todos os feridos foram levados ao hospital e estavam conscientes. Entre as vítimas, apenas uma sofreu ferimentos mais graves. (02/06)
Sírio que esfaqueou 4 pessoas na Alemanha pega prisão perpétua
Um sírio de 36 anos foi condenado à prisão perpétua por quatro tentativas de homicídio na Alemanha com motivação terrorista. De acordo com decisão da Justiça alemã, o homem, identificado como Mahmoud M., foi considerado culpado de "tentativa de homicídio" em quatro casos, na qualidade de "membro de uma organização terrorista estrangeira" – no caso, o grupo Estado Islâmico (EI). (01/06)