Milionários alemães bancam nova operação para salvar baleia
16 de abril de 2026
Após abandono de tentativas oficiais, empresários financiam nova operação para salvar a baleia-jubarte "Timmy", que agoniza em águas rasas do Báltico há semanas. Novo esforço é visto com ceticismo por especialistas.
Animal mede até 15 metros de comprimento e deverá ser retirado com boias e uma manta levada por embarcaçõesFoto: Philip Dulian/dpa/picture alliance
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Equipes de apoio na Alemanha retomaram, nesta quinta-feira (16/04), os esforços para uma nova tentativa de resgate da baleia-jubarte encalhada no Mar Báltico, próxima à ilha de Poel, no norte do país. O animal, apelidado de "Timmy" pela imprensa, segue imobilizado em águas rasas há mais de duas semanas, e muitos temem que a jubarte possa morrer em breve.
Segundo os organizadores da operação, a baleia reagiu a estímulos verbais durante uma avaliação de um especialista que se aproximou do animal nesta quinta. De acordo com a equipe, o estado geral da jubarte é mais estável do que se temia: o espiráculo está livre e não apresenta sinais de inflamação, e o animal não demonstrou agitação durante o contato. Ainda assim, o quadro inspira cautela.
A operação, financiada com recursos privados, enfrenta atrasos logísticos. O coordenador da iniciativa, o empresário alemão Walter Gunz, afirmou que parte do cronograma precisou ser adiada. "Infelizmente, perdemos tempo pela manhã", disse ele ao Bild. Os trabalhos devem ser retomados integralmente nesta sexta (17/04), após a montagem do equipamento de resgate.
Chances incertas
O plano prevê levantar a baleia com almofadas de ar, posicioná-la sobre uma lona presa a duas embarcações e, em seguida, rebocá-la por centenas de quilômetros até o Mar do Norte – e, se possível, devolvê-la ao Atlântico.
Autoridades regionais aprovaram a iniciativa, apesar das tentativas anteriores de resgate terem fracassado. Em ocasiões passadas, Timmy chegou a ser temporariamente liberada, mas voltou a encalhar, cada vez mais debilitada.
A presença da baleia no Báltico, um mar com baixa salinidade e distante do habitat natural dela, intriga especialistas. A hipótese mais aceita é que o animal tenha se desorientado durante uma migração ou ao seguir um cardume de arenques.
O retorno ao Atlântico, no entanto, exige que ela atravesse um trajeto longo e cheio de marés intensas.
Em 23 de março, Timmy encalhou inicialmente em um banco de areia na costa do estado alemão de Schleswig-Holstein. Após vários dias e uma complexa operação de resgate com o uso de dragas, ela conseguiu se libertar, mas pouco depois encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar.
A essa altura, profissionais de resgate envolvidos na operação afirmaram que a saúde do mamífero vinha se deteriorando rapidamente.
As autoridades decidiram então dar um pouco de descanso para o animal para que estivesse recuperado e pronto para aproveitar a subida da maré. Inicialmente, ela se soltou novamente e a operação pareceu ser bem-sucedida, mas logo depois a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo novamente em águas rasas no Báltico.
No início de abril, autoridades locais e especialistas envolvidos no resgate decidiram abandonar os esforços oficiais, apontando que novas tenativas configurariam crueldade animal e disseram que o melhor seria deixar a baleia morrer em paz.
No entanto, Timmy seguiu viva nas semanas seguintes, intensificando o drama envolvendo a baleia e gerando apelos entre o público por mais tentativas de resgate.
Na quarta-feira, Till Backhaus, secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, anunciou uma mudança de posição em apoio à nova missão de resgate "única", dizendo estar "muito feliz" com a possibilidade de uma última chance de salvar a Alemanha.
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Críticas e ceticismo
Mas a retomada do resgate também gerou críticas no país. Kim Detloff, chefe da área de proteção marinha da Associação Alemã de Proteção da Natureza (Nabu), afirmou que a iniciativa ocorre sob forte pressão pública.
"Essa decisão deveria ter sido tomada há uma semana", disse ele à agência Deutsche Press-Agentur (DPA). Para Detloff, as chances de sucesso são mínimas. "É terrível. Pensávamos que ela morreria entre três e seis dias, e agora ela está lá há 16 dias", disse.
O Greenpeace, que participou das operações de resgate anteriores, declarou que não apoiará a nova operação. "Não estamos participando porque, de acordo com todas as informações que obtemos, a baleia-jubarte está doente e severamente debilitada", disse um porta-voz da entidade à DPA.
Os organizadores da operação rejeitam essa avaliação. Karin Walter-Mommert, empresária e cofinanciadora da iniciativa, afirma que Timmy está "melhor do que se imagina" e que os sinais vitais são estáveis. Ela também descartou, até o momento, a presença de restos de redes de pesca na boca do animal, risco frequentemente associado a encalhes.
A equipe também aguarda a chegada de uma especialista dos Estados Unidos para seguir com o resgate. "A Dra. Jenna Wallace, do Havaí, trará equipamentos médicos para que possamos examinar a baleia de forma minuciosa", informou Walter-Mommert à emissora RTL.
"Timmy" encalhou pela primeira vez na Alemanha em 23 de marçoFoto: Florian Manz/Greenpeace Germany/dpa/picture alliance
Mobilização nacional
O drama de Timmy ganhou grande dimensão nas últimas semanas na Alemanha, com veículos de imprensa seguindo de perto as tentativas de resgate da baleia-jubarte, além da grande presença de pessoas nas praias da ilha de Poel.
Para evitar que o animal ficasse ainda mais estressado, a polícia isolou uma área de 500 metros ao redor de Timmy. Mesmo assim, no último fim de semana, uma mulher de 67 anos pulou de um barco tentando se aproximar da jubarte antes de ser contida pelas autoridades.
Bancada por empresários sem histórico em defesa dos animais, a operação expõe contradições. Walter Gunz, cofundador da rede de varejo de eletrônicos MediaMarkt que chegou a figurar na lista dos mais ricos da Alemanha, disse ter decidido resgatar a balheia após ser questionado por conhecidos se não seria possível fazer algo.
O empresário não deu ouvidos às críticas de especialistas em baleias e montou a equipe de resgate de acordo com as próprias preferências. Para ele, o risco é inevitável. "Sem tentativa, a baleia certamente morrerá. Tentando, ao menos existe uma chance", afirmou.
Já a cofinanciadora Karin Walter‑Mommert é ligada à corrida de cavalos, esporte que é alvo de organizações de proteção animal. Ela é casada com Ulrich Mommert, empresário austríaco que, segundo a revista Forbes, tem fortuna estimada em 1,7 bilhão de dólares.
fcl (AFP, dpa, ots)
O mês de abril em imagens
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Brendan McDermid/REUTERS
Moeda de mais de 2 mil anos é achada na Alemanha por adolescente (16/04)
Uma moeda grega de mais de 2 mil anos foi encontrada por um adolescente de 13 anos em um terreno em Berlim. O objeto data do século 3 a.C. e é uma emissão helenística da casa da moeda de Ílion (Troia, atualmente na Turquia). Autoridades descreveram a descoberta como uma "raridade científica". Segundo eles, o local onde a moeda foi encontrada costumava ser usado como cemitério. (16/04)
Foto: Jens Kalaene/dpa/picture alliance
Guerra no Sudão entra no quarto ano
A guerra no Sudão completou três anos com ao menos 59 mil mortos. Cerca de 34 milhões precisam de ajuda humanitária. Uma conferência internacional em Berlim levantou 1,5 bilhão de dólares (R$7,49 bilhões) para ajudar civis. Um plano das Nações Unidas pretende prestar assistência a 14 milhões de pessoas, mas requer 2,2 bilhões de dólares (R$11 bilhões) em financiamento. (15/04)
Foto: Lino Ginaba/Anadolu/picture alliance
Espanha aprova regularização em massa de migrantes
O governo espanhol vai conceder autorizações de residência e trabalho a cerca de meio milhão de migrantes em situação irregular que já se encontrem no país e acumulem cinco meses de residência, além de não possuírem antecedentes criminais, entre outras condições. Trata-se de uma questão de justiça e necessidade, disse o premiê Pedro Sánchez em Pequim, durante uma visita oficial. (14/04)
Foto: Andres Martinez Casares/REUTERS
Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos EUA
Ex-chefe da Abin no governo Bolsonaro foi detido por questões migratórias. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira, depois de fugir para os EUA. O deputado cassado havia sido condenado a 16 anos de prisão pela 1ª Turma do STF no processo da trama golpista. Segundo a PF, a prisão é "fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado". (13/04)
Foto: EVARISTO SA/AFP/Getty Images
Hungria vota para saída de Órban, depois de 16 anos no poder
Apoiadores do partido pró-europeu Tisza comemoraram em Budapeste a vitória nas urnas naquelas que foram consideradas as eleições mais importantes da era pós-soviética. O Tisza, do conservador Péter Magyar, conseguiu mais de dois terços dos assentos no Legislativo, impondo uma derrota expressiva para o primeiro-ministro ultranacionalista Viktor Orbán, que governava a Hungria havia 16 anos. (12/04)
Foto: Marton Monus/REUTERS
Primeira missão a ir à Lua em mais de meio século retorna à Terra
Os quatro astronautas a bordo da Artemis 2, da Nasa, retornaram à Terra depois de sobrevoarem a Lua na primeira missão tripulada a se aproximar do satélite em mais de 50 anos. A imagem acima mostra o momento em que a cápsula Órion é separada do módulo, antes de entrar na atmosfera terrestre e atingir temperaturas extremas. A Órion aterrissou no Pacífico, e os astronautas foram resgatados. (11/04)
Foto: NASA/AP Photo/dpa/picture alliance
Mais de 250 cães são resgatados em casa no Reino Unido
Uma foto mostrando mais de 250 cães mestiços de poodles vivendo em uma única casa no Reino Unidos foi divulgada pela Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA). Os animais, que viviam em condições precárias, foram resgatados no início do ano pela organização, que acolheu 87 deles e encaminhou os restantes para a instituição de bem-estar canino Dogs Trust. (10/04)
Foto: RSPCA (Royal Society for the Prevention of Cruelty ton Animals)
Igreja Ortodoxa dá início às comemorações da Páscoa
Fiéis compareceram à liturgia na Catedral Apóstolo Barnabé, em Nicósia, capital do Chipre, para celebrar a Quinta-Feira Santa, que marca o início da Páscoa segundo o calendário da Igreja Ortodoxa. As comemorações da ressurreição de Jesus vão até o domingo, em data distinta da Igreja Católica Apostólica Romana. (09/04)
Foto: Yiannis Kourtoglou/REUTERS
Bombardeios de Israel no Líbano põem cessar-fogo no Irã em dúvida
País viveu seu pior dia desde o início do conflito entre Israel e a milícia libanesa Hezbollah, aliada do Irã. Ataques deixaram mais de 200 mortos e 1,1 mil feridos, segundo autoridades locais. Teerã ameaçou desistir de cessar-fogo caso bombardeios não cessem, e apertou controle sobre o Estreito de Ormuz. (08/04)
Foto: REUTERS
EUA e Irã confirmam cessar-fogo de duas semanas
Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão dos ataques condicionada à abertura do Estreito de Ormuz e disse que Irã apresentou plano de paz "viável". Teerã confirmou negociações em Islamabad e disse que reabrirá a rota marítima, mas sob controle militar. Anúncio ocorre horas antes de vencer "ultimato" de Trump e fez despencar os preços do petróleo. (07/04)
Foto: Mandel Ngan/AFP
Artemis 2 quebra recorde histórico de distância da Terra
A tripulação da missão lunar Artemis 2 viajou mais longe da Terra do que qualquer outro ser humano jamais viajou, anunciou a agência espacial americana Nasa. Os quatro astronautas quebraram o recorde da tripulação da Apollo 13, cruzando a marca de cerca de 400.171 quilômetros estabelecida pela missão de 1970. (06/04).
Foto: NASA/UPI Photo/Newscom/picture alliance
Em sua 1º missa de Domingo de Páscoa, papa Leão 14 faz apelo por paz
O papa Leão 14 fez um apelo por esperança diante da violência da guerra "que mata e destrói" e da "idolatria ao lucro" que saqueia os recursos da terra, em sua primeira missa de Domingo de Páscoa, que reuniu uma multidão na Praça de São Pedro, no Vaticano. (05/04)
Foto: Simone Risoluti/Vatican Media/REUTERS
Missão Artemis 2 supera metade da rota até a Lua
A a tripulação da nave Orion, da Nasa, ultrapassou a metade do caminho entre a Terra e a Lua, um marco que transforma os quatro astronautas da missão Artemis 2 nos primeiros humanos a saírem da órbita do nosso planeta desde que a tripulação da Apollo 17 viajou à Lua, em 1972. (04/04)
Foto: NASA TV/Handout/REUTERS
Irã abate dois aviões militares dos EUA
Forças iranianas abateram dois aviões militares dos Estados Unidos. Primeiro, um caça F-15 foi abatido sobre os céus do Irã, levando os americanos a montar uma missão para resgatar a tripulação. Pouco depois, um avião A-10, que participava da ação, foi abatido e o piloto se ejetou. Um helicóptero que tomou parte da ação também foi alvejado. (03/04)
Foto: Ben Walker/CATERS/SIPA/picture alliance
Ucrânia inaugura escolas subterrâneas em meio à guerra
Uma nova escola subterrânea foi inagurada em Balakliia, cidade próxima à zona de combate e à fronteira com a Rússia, na região de Kharkiv. Cerca de 600 crianças de duas escolas vão estudar no local, que fica totalmente abaixo do solo. Um policial estará presente durante todo o dia, enquanto os professores de plantão serão responsáveis por receber e acompanhar as crianças na saída. (02/04)
Expectativa para o lançamento de missão que levará astronautas à Lua
O sol raiou durante grande parte do dia na base de lançamento da Nasa em Cabo Canaveral, na Flórida (EUA). O foguete SLS e a cápsula Orion esperavam os últimos ajustes para dar enfim o pontapé inicial da missão Artemis 2, a primeira tripulada à Lua, mais de 53 anos após a Apolo 17, em 1972. A viagem deve durar 10 dias e servir como teste para próximas missões ao satélite terrestre. (01/04)